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Saturday, September 12, 2026

Casas em cemitérios atraem novos moradores nos EUA e Europa, revela jornal

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Um nicho pouco convencional do mercado imobiliário vem ganhando espaço nos Estados Unidos e na Europa e virou tema de reportagem do The New York Times. Imóveis construídos dentro de cemitérios estão sendo transformados em residências e atraindo novos moradores.

Capelas centenárias, antigas casas paroquiais e portarias de necrópoles estão sendo colocadas à venda, muitas vezes após décadas de uso pelas instituições que administravam esses espaços. Para quem compra, porém, viver cercado por túmulos pode ser menos assustador do que parece.

O fenômeno não é exatamente novo, mas vem se intensificando por dois motivos. De um lado, igrejas e outras entidades religiosas têm vendido instalações ligadas a cemitérios que administravam. De outro, famílias vêm redescobrindo o hábito de enterrar parentes em suas próprias propriedades.

Sem manutenção continuada, esses pequenos cemitérios particulares podem ser tomados pelo mato em uma única geração e surpreender futuros compradores do imóvel.

"A história nos mostrou que esses lugares simplesmente se perdem", explicou o diretor-executivo da North American Death Care Regulators Association, Ryan M. Seidemann, ao NYT. A ausência de um responsável formal pelo terreno costuma ser o que leva esses espaços ao abandono.

De "casa assombrada em cemitério" à residência da família

Um dos casos explorados pelo NYT e que mostra o potencial imobiliário dessas propriedades é o da professora do ensino médio Kat Momenzadeh, moradora de Bellefonte, na Pensilvânia. Em 2025, ela e o marido, Ed Choma, compraram um imóvel do século XIX que funcionava como portaria de um cemitério.

A construção tem fachada ornamentada em madeira, característica do estilo "gingerbread", e um arco sobre a entrada de veículos. Antes de virar residência, a construção havia sido usada como atração de casa mal-assombrada. Havia até uma simulação de guilhotina instalada em um dos banheiros.

O interior estava tão deteriorado que, de acordo com Momenzadeh, "subir ou descer aquelas escadas era um pouco como arriscar a própria vida." Hoje, o casal mora ali com os dois filhos. Nos passeios pelo terreno arborizado, a família costuma parar diante de um anjo de pedra que marca o túmulo de uma recém-nascida chamada Gladys Dietz.

À noite, luzes espalhadas entre as lápides criam um efeito que "parecem estrelas", na avaliação da família.

Moradores cuidam de cemitérios como patrimônio familiar

No Queens, em Nova York, Marion Duckworth Smith cuida desde a década de 1980 do Lent-Riker-Smith Homestead, propriedade erguida na década de 1650 que reúne, no quintal, lápides de colonos holandeses. Periodicamente, ela precisa proteger os túmulos do avanço de trepadeiras.

Duckworth Smith conheceu o local em 1979, quando o então namorado, Michael Smith, hoje sepultado ali, perguntou, durante um encontro, "como você gostaria de ver o meu cemitério?" Ela conta ter sentido, naquele momento, que o lugar "estava esperando por ela".

Também no Queens, James Sheehan dedica há sete décadas seus cuidados a um conjunto murado de túmulos que remontam a 1703. Hoje, a manutenção conta com a ajuda de bisnetos e de escoteiras que recolhem sacos de folhas. A sua filha contou que familiares às vezes se fantasiam de fantasma ou de Drácula.

Casas em cemitérios também abrem espaço para novos negócios

A convivência com cemitérios também tem gerado oportunidades de empreendedorismo. Em Londres, o Paddington Old Cemetery deu origem à marca Tombstone Honey, que produz mel em pequena escala a partir de meia dúzia de colmeias cuidadas por Nicholas Horowitz, cofundador da consultoria de branding Founders Makers.

Horowitz mora com a esposa, a jornalista Sophia Tran-Thomson, e o filho do casal em uma antiga casa paroquial de estilo gótico situada na entrada do cemitério. O imóvel foi reformado e ampliado pelo escritório de arquitetura londrino Studio Hallett Ike.

A residência oferece, segundo Horowitz, "um estilo de calma que remete ao monástico", como se "a cidade tivesse ficado para trás." Corujas e raposas circulam entre túmulos de personalidades como o escritor Michael Bond, criador do urso Paddington, cujo epitáfio diz: "por favor, cuide deste urso."

Por que algumas pessoas escolhem morar dentro de cemitérios

Em Hillsdale, no estado de Nova York, a artista culinária e produtora de flores Leah Guadagnoli divide com o noivo, Tim Sengenberger, e um gato chamado Señor Tuna uma antiga igreja do século XIX vizinha a cerca de 170 sepulturas.

Para ela, acordar com vista para as lápides funciona como um lembrete diário para "viver o dia plenamente". Guadagnoli chegou a colher flores silvestres do terreno para receitas próprias, entre elas um coquetel batizado em homenagem ao local.

Em Nova Jersey, a psicóloga Sarah Gundle descreveu uma sensação parecida ao ocupar, com o namorado Barak Goodman, uma antiga igreja cercada por sepulturas erodidas. Ela escreveu que conviver com túmulos ajuda a desenvolver compaixão por "tudo o que está quebrado".

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