Pedro Emanuel destaca vaga do Vasco em semifinal e faz apelo por jogo no Maracanã: "Temos direito a isso"

— Hoje estou um pouco cansado, sabia que o jogo seria assim. Isso exige muito de nós também, não só fisicamente, mas mentalmente. A importância de uma conquista dessa dimensão para uma passagem a uma semifinal de copa internacional depois de 15 anos. É sempre um enorme orgulho e satisfação. Mais do que isso, é o sentimento que eu tenho pela relação que está crescendo cada dia mais entre a equipe, nossa torcida, o espírito que temos em campo, a forma como terminamos os jogos - disse.
— Ter novamente nossa torcida cantando o nome de alguns dos jogadores, isso tem que ser motivo de grande satisfação. Esses rapazes trabalham muito. Não temos tido muito tempo para planejar outro tipo de estratégia, somente jogo a jogo. Eles têm sido solidários entre eles naquilo que tem sido as alterações que fazemos na equipe. Acima de tudo, dedicados às tarefas. É a satisfação que eu tenho, naturalmente estando forte como estamos, e em São Januário com a nossa torcida, é difícil qualquer um passar aqui - completou o treinador.
Pedro Emanuel, técnico do Vasco, em entrevista coletiva — Foto: Bruno Murito/ge
O regulamento da Conmebol impede que a equipe carioca atue em São Januário na próxima fase da competição. A partir das semifinais, a entidade determina que os estádios que receberão as partidas da competição tenham a capacidade mínima de 30 mil lugares. São Januário comporta 20.419 torcedores, para seguir as normas de segurança da Polícia Militar.
Recentemente, no entanto, o Vasco, recebeu a negativa para utilização do Maracanã no duelo contra o Vitória, pelas quartas de final da Copa do Brasil. A justificativa foi o estado do gramado. O clube chegou a buscar a Justiça para tentar disputar o confronto no estádio, mas não conseguiu uma decisão favorável.
— Vou tentar ser o mais sincero possível. Se me perguntassem onde quero jogar a semifinal, diria São Januário. É importante para nós. Não ganhamos nada em uma competição, mas estamos próximos de atingir algo que para nós pode ser marcante. Acho que nossa torcida merecia ter isso no nosso estádio. Não sendo possível, seguimos com a opção do Maracanã. Mais do que isso não posso responder porque acho que ainda está bem presente a opção B. Não vou para a opção C se quero a B - disse.
— Não vamos discutir aquilo que nesse momento não faz sentido para mim, pelo menos. Outras questões terão que ser feitas com a diretoria para ver as possibilidades. Neste momento queria São Januário. Não pode pela lotação, muito bem, é o Maracanã. Temos direito a isso, é nossa segunda casa, nossos torcedores se sentem bem lá, estamos identificados. Então é ali que vamos lutar para jogar - concluiu.
Com a vitória, o Vasco volta a estar entre os quatro melhores clubes de uma competição continental depois de 15 anos. A última vez havia sido em 2011, quando jogou a semifinal da Sul-Americana contra a Universidad de Chile e acabou sendo eliminado. O adversário sairá do confronto entre Boca Juniors e São Paulo - na Argentina, o Boca venceu por 1 a 0.
O Vasco volta a campo no próximo sábado, pelo Brasileirão, para enfrentar o Coritiba. O jogo será às 20h30 (de Brasília), em São Januário. As semifinais da Sul-Americana serão disputadas nas semanas de 14 e 21 de outubro.
Veja outras respostas do treinador:
Rodízio do elenco e prioridades
— Olhando para isso, não repeti até agora e não me parece que, nos próximos tempos, vá repetir um 11 inicial. A minha avaliação é sempre em função do adversário, das características do adversário e das características que eu preciso dos nossos jogadores para cada jogo, além da disponibilidade física que eles apresentam. Hoje é um caso mais do que evidente. O gramado estava bem pesado, choveu muito nos últimos dias, e temos que tentar manter a nossa equipe competitiva. Eu sei que tenho jogadores com esta capacidade de gerir bem o jogo. É difícil, eu sei. Temos um elenco de 30 jogadores, mais quatro ou cinco goleiros, e só 11 podem jogar. É difícil, mas eles têm sentido que a oportunidade deles tem chegado e têm que estar preparados. Acho que têm demonstrado isso. Por isso o nosso sucesso, quer nas Copas, quer também agora mais no Campeonato Brasileiro. Mas, respondendo objetivamente à sua pergunta sobre prioridades, vamos jogo a jogo. A minha prioridade neste momento é o Coritiba, no próximo sábado.
Brigar para não cair no Brasileiro atrapalha nas Copas?
— Não. Porque nós desligamos o modo campeonato quando entramos no modo copas. Hoje, a satisfação que esse grupo tem de tentar escrever a sua história, naquilo que é o currículo do Vasco, é uma ambição e uma satisfação que não tem dimensão. Esse grupo merece muito, pelo esforço dentro de campo O jogo não foi fácil, nós o tornamos mais controlado na segunda parte, mas no início não foi. A primeira oportunidade foi do Santa Fe, o Leo fez uma defesa fantástica, tal como aconteceu lá, e nos manteve na eliminatória. Nós temos a noção que temos que trabalhar muito se quisermos conquistar alguma coisa. É isso que esse clube tem feito, para tentar dar satisfação à nossa torcida e ter essa saída calorosa. No final, uns estão mais contentes que outros porque uns jogaram mais que outros, mas o espírito da equipe está muito bom e muito forte.
Atuação e superação de Saldivia após erro no jogo
— Não gosto muito de particularizar os jogadores, mas sem dúvidas o Saldivia, quando cheguei, era um dos jogadores que tinha tido atuações não tão boas. A torcida tem o direito de cobrar. Isso é com tudo, e vai acontecer comigo com certeza absoluta, mais cedo ou mais tarde. Nós transmitimos ao jogador aquilo que pretendemos, e aquilo que achamos que ele pode melhorar. É ele entender isso, e depois ter o caráter que ele tem para hoje, logo no início do jogo, cometer um erro e ter a capacidade de corrigi-lo. Ele próprio vai corrigir e não deixar que isso o afete. Naturalmente, tem um grupo que sempre o apoiou. Cada jogador vive as situações à sua maneira. Uns mais intensos, outros com mais serenidade, mas esse grupo tem mostrado que apoia a todos. Acho que isso também foi o grande segredo: ele sentir, por parte de todos, o carinho que é necessário em momentos piores da vida. Tirando esse momento, ele, entre outros, fez uma exibição quase imaculada, perfeita. Essa tem que ser a satisfação dele. Foi chamado, não é fácil. Temos tido uma dupla atrás que tem sido bastante consistente desde que eu cheguei, o Carlos (Cuesta) e o Robert (Renan). Hoje não podia jogar o Cuesta, por isso mesmo (Saldivia) foi chamado e correspondeu dentro do que eu esperava.
Sosa, Jair e condição do gramado
— Não só por causa do gramado, mas também (Sobre escolher Sosa e não Jair). Acho que é uma boa analogia, porque o Jair, até o momento em que se lesionou, estava se tornando importante na equipe. Tem mais a ver com a característica do jogo e do adversário. Eles (Santa Fe) têm dois atacantes muito fortes nos duelos físicos, jogadores que poderiam criar problemas nesse sentido, e tanto o Barros quanto o Sosa encaixam melhor nesse contexto de fisicalidade do jogo. Foi por isso a minha opção inicial. E também, o gramado estava muito pesado. Para quem vem de algum tempo de ausência, como é o caso do Jair, é uma situação que exige cuidado. Infelizmente, aconteceu o que aconteceu com o Barros. Vamos ver se tem alguma gravidade ou não. Mas, dentro das características que eu procuro para cada jogo, o Sosa, na substituição do Barros, estava mais próximo daquilo que eu pretendia do que o Jair. Estava contando com o Jair no decorrer do jogo, mas, pela forma como o gramado começou a ficar impraticável e muito pesado, achei que não era o indicado. Preferi colocar o Freitas para nos dar um pouco mais de solidez e também permitir poupar um pouco o Sosa.
Controle de carga do Thiago Mendes
— Temos esse controle de carga, mas, mais do que tudo, temos as características dos jogadores. O Thiago é um jogador muito físico, jogador que tem uma capacidade muito grande para aguentar jogos. Hoje foi em função de tentar ser um cadinho mais justo com o Ramon (Rique), que também está subindo o nível e precisa de oportunidades, já que também recebemos o Lescano, que vai ter sua oportunidade nos próximos jogos. O Thiago está castigado (suspenso) para o próximo jogo, então tínhamos que sacrificar mais alguém. Foi nesse contexto que conseguimos gerir melhor essa utilizações, sem perder a qualidade e o rigor que precisamos para a forma que jogamos. Foi assim que tomamos as decisões, olhando sempre para essas sobrecargas. Desse jeito, sempre que chamamos, os jogadores podem corresponder. Porque não seria justo para eles sobrecarregá-los e depois dizer "agora tens que render". Temos que tentar ser corretos e justos, agora temos um elenco que nos permite fazer isso. Todos têm correspondido dessa maneira. É dentro desse contexto e, claro, com algumas decisões técnicas minhas. Não tem a ver com eu preferir um jogador ou outro, tem a ver com o momento deles. Dou um exemplo contrato o DVD nos últimos jogos não tem sido opção. Ele entra, entra com vontade, sabe o que tem que fazer e aparece no lugar certo.
O que foi dito na parada técnica
— É uma boa questão. Temos uma forma e uma dinâmica muito próprias de defender, e isso envolve todos. Quando um ou outro falha no timing da pressão, isso faz com que o adversário consiga nos criar problemas. Seja o Santa Fe, ou até em momentos sem bola contra o Grêmio, não pressionamos tanto a bola, principalmente o nosso meio-campo defensivo. Foi isso que ajustamos. Os jogadores sabem o que têm que fazer, e às vezes o fazem com mais intensidade. Quando não fazem com tanta intensidade, chegamos atrasados, vamos fora do tempo, já não conseguimos pressionar tanto, o adversário consegue decidir com calma e colocamos tudo em risco. Foi isso que aconteceu no início, e o Santa Fe cria uma oportunidade. Rodallega é um jogador experiente, com muita qualidade dentro da área. Felizmente tivemos o Léo (Jardim) com qualidade à altura das quartas de final para nos permitir estar vivos no jogo, no sentido de passar à frente do placar, que foi o que aconteceu e era o que nós pretendíamos. A partir daí, equilibramos um bocado, fomos mais controladores, não permitimos muitas oportunidades porque continuamos pressionando até o fim do jogo. E passamos a, mesmo com o gramado tão pesado, ter mais bola. Temos jogadores com qualidade, técnicos, que conseguem fazer circulação de bola e criavam dificuldades ao Santa Fe. Quando começamos a fazer isso mais vezes, mais vezes o Santa Fe ficou sem bola e mais tivemos confiança para atacar a baliza. A segunda parte entrou no contexto que nós pretendíamos. Pena não termos concretizado mais as oportunidades que tivemos.
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