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Thursday, September 24, 2026

Moedas recorreu à IA para escrever homenagem a Jorge Palma?

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Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Não se fala de outra coisa.

Pois não. Da nota de pesar de Carlos Moedas à morte de Jorge Palma, é só abrir as redes sociais e percebemos. O Twitter, sobretudo, o X. O presidente da Câmara Municipal de Lisboa, como todos nós tivemos a tentação de o fazer, escreveu um texto de homenagem ao cantor com muitas referências às músicas de Jorge Palma, mas com algo que será um erro, um lapso, uma gafe, ou não, nada disso, porque depois Carlos Moedas diz que não se enganou e que foi intencional. O que se passou? Nesta nota, Moedas começa muito bem: "Hoje Lisboa acordou mais silenciosa e com o coração mais frágil." Muito bem. Frágil.

Aqui está certo.

Depois continua e fala da relação de Jorge Palma com Lisboa e escreve: "Dedico-lhe acordes, madrugadas e uma honestidade desarmante que nos ensinou a rir dos dias errados e a abraçar o recomeço em cada primeiro dia." Erro. Aqui está o problema. O "Primeiro Dia", como todos nós sabemos, é de Sérgio Godinho. Talvez a inteligência artificial não saiba, mas todos nós, com uma certa idade, sabemos disso. Já lá vou. Por que eu digo isto? Muito embora Jorge Palma tenha cantado inúmeras vezes e tenha feito versões gloriosas deste Primeiro Dia, de Sérgio Godinho, as reações a esta primeira publicação de Carlos Moedas foram imensas, como estamos a falar de uma rede social com níveis de delicadeza muito variáveis, mas de tal forma que algum tempo depois o próprio Carlos Moedas responde e garante: não se enganou, foi de propósito. Diz: "Sei bem que o Primeiro Dia nasceu da escrita genial do seu eterno companheiro Sérgio Godinho, mas quem acompanhou a vida e obra de Jorge Palma sabe que o Primeiro Dia foi também um território de partilha inesquecível entre os dois." E diz mais: "Usar esta expressão na nossa despedida não é um engano, é evocar a enorme cumplicidade que os unia." Muitos utilizadores do X não ficaram ainda assim convencidos.

É, porque eu acho que é daqueles casos em que a emenda é ligeiramente pior. É forçada. Quer dizer, soa-me forçada essa justificação.

A questão é toda esta. Aliás, muitos utilizadores utilizaram aquelas ferramentas que servem para verificar se um texto foi gerado ou não por inteligência artificial e que davam 100% de certeza que tinha sido por inteligência artificial. Obviamente, nunca saberemos. Aliás, eu fiz isto na emissão especial, a nossa peça de perfil de Jorge Palma também tinha muitos trocadilhos com aquelas ideias e canções muito fortes e com expressões muito fortes. Isso pode ter acontecido, mas o Primeiro Dia, lá está, é de Sérgio Godinho. Isso ninguém pode confundir, misturar ou achar que se homenageia Jorge Palma citando Sérgio Godinho. Agora, esta questão é um episódio, mas pode ser mais abrangente. Vamos pensar que as redes de Carlos Moedas, as redes sociais, são geridas por ele, devem ser seguramente profissionais para serem por outros. Quem é responsável? É errado utilizar a inteligência artificial para escrever um texto? Quem valida? Quem é o responsável?

Depende do texto. Num texto de homenagem, eu creio que qualquer pessoa, seja o Jorge Palma ou qualquer pessoa, deve haver o cuidado de haver um tratamento pessoal da mensagem.

Até porque é sentimental, um texto de homenagem. É suposto ser, não é uma coisa fria, mecânica.

Agora, também me irrita profundamente este novo hábito de submeter todos os textos à inteligência artificial. A inteligência artificial reproduz hábitos que nós temos quando escrevemos.

Sim, e algoritmos.

Eu já fiz o teste de enviar alguns textos meus para a inteligência artificial, para dizer: "Diz-me se isto é inteligência artificial ou não." E depois as respostas variam, a percentagem.

Sabendo tu se é ou se não é.

Exatamente. Isto para fazer o teste. E este hábito irrita-me um pouco. Agora, em relação às homenagens, eu creio que esse cunho pessoal é quase obrigatório.

Mas depois há também a pressão de ter que ter uma resposta imediata, forte, em relação a uma notícia que está a dominar o dia informativo. Há muita pressão. Esta discussão, passada esta poeira, pode valer a pena sobre a gestão de redes sociais, que é uma coisa cada vez mais profissional, quando falamos de titulares de cargos públicos.

A dúvida é: qual é o momento neste processo, neste caso concreto, Carlos Moedas, em que o próprio Carlos Moedas interveio?

Exatamente.

Ele conheceu o texto inicial ou não? Ou só depois da polêmica foi ele que escreveu, ou não?

É admissível que não tenha sido? Se calhar, é. Estamos a falar de alguém que tem mais que fazer.

Claro. Não vamos pensar que todos os políticos são eles que escrevem os tweets, tirando talvez Trump.

Sim, aí não colocamos a questão.

Pensei que precisava que não fosse ele.

Aquilo tem um cunho muito pessoal, naquele caso. Mas os políticos não escrevem. As pessoas que têm cargos destes não escrevem. Os deputados, acredito que sim. Por exemplo, os deputados não têm um gabinete, cada um deles não tem uma equipa de redes sociais. E mesmo a equipa de redes sociais do grupo parlamentar, vamos pensar, também não tem tempo pra isso, mas ao nível de presidente de Câmara de Lisboa, acredito que haja.

Aliás, há uma conta de TikTok de Carlos Moedas.

Claro, não é ele que faz os vídeos também, que filma. Pode ser o portador, não é?

Fará também isto.

Sem dúvida.

Quando é que Carlos Moedas lê estes textos?

Interveio aqui, leu e aprovou primeiro ou não. Mas isso é indiferente, porque está lá o nome dele, isso também é uma questão de responsabilidade.

Tanto que se sentiu depois obrigado a justificar.

Claro.

E foi ele. Acha?

Eu acredito que a justificação tenha sido.

Também acredito que sim.

Imagino que aí sim, já teve a intervenção dele, tendo escrito ou não a resposta, mas pelo menos ele teve que aprovar. Mas aí a asneira já estava feita.

Aí já estava.

Mas aí eu acho que nestas notas de pesar, mais vale jogar pelo seguro, mesmo correndo o risco, por vezes, de dizer aquelas banalidades.

Jogar pelo seguro é escrever três linhas.

Três linhas, precisamente. Senão descomprometa-se.

Manifestar pesar pela morte de alguém, sem querer entrar aqui em grandes delíquios poéticos, que às vezes não correm bem.

Se for preciso, fazemos uma minuta.

Certamente que eles têm.

Só com os espaços em branco.

E a consternação.

A inteligência artificial também pode fazer.

Faz isso, não é?

Aqui convinha não inventar. Vamos falar de outra coisa de que se tem falado muito. Aliás, já falamos na semana passada, o livro do irmão de Diana Spencer, Charles Spencer, que continua a gerar muita polêmica e agora está relacionado com o jornalista Piers Morgan, que veio pedir que o livro fosse retirado de circulação, porque consta desta primeira edição do livro uma acusação de que o jornalista e apresentador terá sido o responsável por divulgar fotografias da Princesa de Gales no ginásio, no jornal Daily Mirror, isto em 1993. Mas Piers Morgan diz que não, porque ele só foi para o jornal em 1995.

É uma diferença.

Há aqui uma diferença de três anos.

Só um mês ou dois.

Ele, na altura, estava no The Sun e não foi o responsável, pelo menos por isso, de que o acusam, Charles Spencer o acusa no livro, não foi ele o responsável. Claro, tem havido muitas outras polêmicas em relação a afirmações que constam do livro, mas aqui trata-se de uma acusação que reconhecidamente está incorreta. O jornalista garantiu que irá intentar uma ação judicial contra o autor do livro e contra a editora Penguin, para que as mentiras sejam retiradas e seja paga uma indenização. Um representante do autor, Charles Spencer, veio declarar num comunicado que enquanto historiador, a precisão é importante para o Conde Spencer e que, por isso, o autor deseja esclarecer que a sua suposição estava errada. Pede desculpa. Diz também à editora que em futuras edições esta informação será corrigida, mas Piers Morgan não se satisfaz com esta promessa. Ele quer mesmo que esta primeira edição seja retirada de circulação. Creio que vai ser um pouco mais difícil, mas há, de fato, aqui, pelo menos um erro factual. Não se trata aqui de opiniões ou o que diz um e o que diz o outro. Há aqui um erro e que justamente ele pretende que seja corrigido, mas além disso, quer que esta edição seja retirada, o que vai ser mais difícil.

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