Poupança de 50 mil euros. Manter à ordem ou investir?

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Bom dia, Pedro. Cá estamos, é sexta-feira. Uma pergunta que muita gente faz, que tem uma certa quantia, uns milhares de euros que conseguiram acumular de alguma forma, e a pergunta que fazem é: quanto é que devo guardar? Quanto é que devo investir? O que eu faço? Vamos partir de uma quantia, por exemplo, de €50 mil.
Sim. Bom dia, Paulo. Bom dia a todos. Ter dinheiro disponível, nós não devemos mantê-lo parado em depósito a prazo ou depósito à ordem, porque já percebemos que é sempre a perder.
E para a inflação.
E para a inflação, porque temos uma inflação a 3,3% e a inflação é uma inflação líquida. E as pessoas não percebem quando, às vezes, estão a subscrever um depósito a prazo a um, um e meio ou dois, é bruto, porque ainda tem que descontar os impostos.
Sem dúvida.
Por isso, o que devemos fazer quando temos e quando conseguimos amealhar um bom montante é dividi-lo em três ou quatro caixas. No fundo, é aconselhável divisão de patrimônio. Primeiro, uma caixa com a segurança, que é o dinheiro para imprevistos, o fundo de emergência. O segundo são que objetivos eu vou ter, um dinheiro que está para objetivos, se eu sei que quero comprar um carro ou fazer uma viagem. Então devo separar também esses montantes que eu vou utilizar. E o terceiro é o que eu tenho disponível para patrimônio de longo prazo, ou seja, dinheiro que não se espera mexer ou precisar durante muitos anos, muito embora, se houver alguma emergência, também se pode ir lá. Mas esta última caixa, que é o de longo prazo, é o que se pode e deve assumir mais risco, porque a minha expectativa não é precisar o dinheiro nem amanhã, nem a um ano, nem a dois, é mesmo a longo prazo.
Muito bem, vamos começar então pela primeira gaveta, a primeira caixa, segurança.
A primeira caixa é o fundo de emergência. Imagine que, por exemplo, uma família gasta €2 mil por mês. Se decidir manter seis meses de despesas, precisa de €12 mil. E os seis meses não é uma regra universal, há pessoas que querem mais, querem menos, consoante a sua estabilidade, mas pelo menos esses €12 mil devem permitir responder a algumas perguntas, que é: se eu perder o emprego amanhã, durante quanto tempo é que eu consigo viver sem ter que vender os meus investimentos de longo prazo? Esta é que é a função do fundo de emergência, impedir que eu vá ao longo prazo. E o fundo de emergência não existe para maximizar o patrimônio, existe para ter patrimônio líquido, que possa vender.
Ser movimentado a qualquer momento.
A qualquer momento, e impedir que eu vá ao patrimônio que está a render mais.
Claro. E pô-lo a render aquilo que for possível. Tendo em conta o que é que tem que estar disponível.
Os depósitos a prazo promocionais, aí muitas vezes, provavelmente, este dinheiro vai perder poder de compra.
Mas a função dele não é acumular riqueza.
Então ele é o seguro.
É o seguro, tal e qual. Vamos aqui ao segundo.
A segunda caixa, temos os objetivos. Por exemplo, temos objetivos, sabemos que dentro de dois anos precisamos de €15 mil ou €20 mil para dar entrada a uma casa, então esse dinheiro não deve estar exposto a ativos muito voláteis, porque se eu já sei que vou precisar e se eu tiver, por exemplo, um investimento tudo em bolsa, e a bolsa pode estar 30% acima ou 30 abaixo no momento em que eu precisar de dinheiro. Por isso, quando já temos objetivos, não devemos ter um risco máximo. Devemos, consoante o horizonte temporal, se é um, dois anos, provavelmente investir mais em obrigações ou títulos de dívida, porque tem um menor risco e conseguimos provavelmente uma boa rentabilidade.
Claro. Finalmente, chegamos aqui ao pilar do investimento, se quisermos.
Pronto, o pilar do investimento, esse é aquele que podemos arriscar mais. E podemos perguntar: onde é que investimos? Em ações, obrigações, em fundos, em ETFs, em PPRs? Já abordamos todos estes produtos nos nossos podcasts e a resposta é: depende da idade, da tolerância ao risco, se eu durmo bem ou não, da fiscalidade e dos horizontes e dos objetivos de investimento. E o horizonte temporal, mais uma vez, é muito importante. Eu vou precisar de dinheiro, mais uma vez, a cinco, 10 ou 20 anos, ou realmente tenho uma perspectiva de muito longo prazo. Então, se eu não precisar desse dinheiro, eu posso investir em produtos com mais risco, porque este horizonte temporal mais longo permite acomodar a volatilidade que muitas vezes as ações têm. Nós vimos este ano, quando tivemos o conflito do Médio Oriente, as bolsas baixaram 10%, depois voltaram a recuperar. Mas se eu tenho um horizonte temporal mais longo, então eu não vou estar a olhar as notícias do dia a dia.
Claro, nem vale a pena. Às vezes é melhor não fazer até. Mas atenção, cuidado com o extremo oposto. Há quem faça precisamente o contrário.
Pois, há pessoas que têm medo de investir e então o que fazem? Põem o dinheiro todo em depósito à ordem ou depósito a prazo, e depósito à ordem é zero. Por isso, o que eu costumo referir é: é muito interessante, temos €50 mil, ao fim de 10 anos vemos os mesmos €50 mil no banco ou €51 mil, ou o que for, porque realmente a taxa de depósitos de rentabilidade não é quase nenhuma, mas a inflação é aquele bichinho, o ácaro, que vai retirando dinheiro da conta sem nós nos apercebemos. Ou seja, nós vemos os mesmos €50 mil, mas o poder de compra é que é completamente diferente. Por isso, cuidado também com o medo de investir, porque esse medo de investir, na realidade, está a fazer, neste momento, com que exista uma perda entre 2% a 3% ao ano do poder de compra.
Certo, traduz-se sempre em perda de poder de compra, se quisermos.
Sim. E, Paulo, aqui o melhor é as pessoas não começarem pelo produto, porque a maior parte nós temos perguntas: qual é o melhor fundo, qual é o melhor ETF, qual é o melhor PPR? E realmente as pessoas é assim: "Qual é o melhor?" Não, devemos perguntar é: ok, para que eu quero isso?
Quais são os meus objetivos?
Quais são os objetivos? Quando é que vou precisar dele? Onde é que eu devo investir? Só aí é que se deve depois tomar a decisão de investimento e não começar pelo produto.
Muito bem, notas finais, Pedro, sobre este tema.
Notas finais, da próxima vez que olhar para o dinheiro que temos no banco ou que tem no banco, não veja apenas o saldo. O saldo é um número e perceber que ele pode desvalorizar. É ver os objetivos e dividi-lo em caixinhas. Emergência, casas, filhos, reforma, construção de patrimônio. No fundo, começar pela organização da vida financeira é muitíssimo importante para depois poder definir para onde é que vai cada parte das nossas poupanças.
Muito bem, fica tudo mais claro assim. Pedro Lino, obrigado. Voltamos na próxima sexta-feira.
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