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Tuesday, October 27, 2026

Santa Clara x Benfica. "Um dos melhores jogos do campeonato"

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Santa Clara 1, Benfica 2. Jogo da nona jornada. Benfica a jogar em São Miguel frente ao sensacional Santa Clara, que ainda não tinha perdido no campeonato. Aconteceu esta segunda-feira, mas o Benfica teve de suar. O Santa Clara achou o gol primeiro, saiu para o intervalo a vencer por 1 x 0. Golo na primeira parte apontado por Fernando, de grande penalidade. O Benfica respondeu no segundo tempo. Golo de Pavlídis ao minuto 62, assistência de Prestianni. O argentino que fez o segundo do Benfica. Prestianni aos 68 fez o 2 x 1 que resistiu até ao final deste encontro. Gabriel Alves, muito mais do que marcadores, vamos falar neste relatório de jogo. Foi, de facto, um dos melhores jogos deste campeonato. Podemos dizer isto?

Sim, um belo jogo de futebol. Com remontada, que é sempre um fator muito interessante de acompanhar. Eu diria mesmo match. Isto quer dizer que há futebol. Há futebol de confronto, futebol intenso, futebol de duelo, futebol de atitude, de caráter e futebol de qualidade. Portanto, com dois treinadores a intervir, obviamente, aquilo que é o jogo, a intervir através da estratégia, através do minuto a minuto, porque eles também jogam no banco e, portanto, têm que ver, atuar e redimensionar aquilo que é o jogo das suas equipas e não vir só com a folha de Excel que aos 60 minutos vamos fazer esta alteração ou aquela. Obviamente que há um projeto, há um programa, há um plano e pensa-se que vem, mas depois aquilo que o jogo dá, os treinadores têm que ter outro tipo de intervenção, por isso é que estão lá. Se não, eram necessários. Eram robôs e o assunto estava resolvido. E quer Marco Silva, muito bem ao intervalo, quer depois Petit, em função daquilo que o jogo estava a dar, foram fazendo as suas alterações com mais predicado para a equipa orientada por Marco Silva.

Foi a chave do jogo?

Foi a chave do jogo. Aquelas substituições ao intervalo, independentemente também de uma questão que é preciso levantar, a questão do índice físico da própria equipa do Santa Clara, que joga muito naquilo que é a sua capacidade física, na velocidade, na capacidade de reação à perda da bola, que é fantástica.

Mas 90 minutos é complicado, não é?

E aquilo quem entrou a substituir já não tem o mesmo andamento, não tem o mesmo pedal. Independentemente de uma outra situação que desgasta imenso, que é o fator de jogar sem bola. E o Santa Clara soube jogar sem bola. Fez muito bem, quer na primeira parte, e na segunda parte, até onde pôde, também naturalmente exibiu uma grande disponibilidade. E hoje é extremamente importante o saber jogar sem bola, o estar a jogar sem bola no futebol, porque tu precisas de correr para diante, correr para trás, correr para o lado, porque tu tens que ter sempre a dinâmica do jogo. Independentemente de teres a bola, obviamente que é muito importante, tens que ter a dinâmica do jogo para poderes, se até tens individualidades menos individuais, chamemos assim, talentos menores, mas tens mais coletivo, é nesse coletivo, nessa velocidade, nessa mecanização, nesses movimentos, que obviamente podes fazer frente a um adversário mais dotado, digamos, em termos de jogadores, que é o caso do Benfica, e se calhar com mais banco. Deu-se por isso, naturalmente, quando o Santa Clara fez as substituições que fez, por desgaste dos seus jogadores, e evidente que quem entrou não teve o mesmo plano, como já aqui sublinhamos. O Benfica, Marco Silva percebeu a questão do Santa Clara matar o meio-campo do Benfica. É no meio-campo que o Santa Clara começa, obviamente, por traçar a sua dinâmica, cortando ali as vazas a Palhinha.

Petit explicou bem isso.

E o próprio Marco Silva também percebeu. E depois marcar o Sudakov, que é um jogador, sim, mas bem marcado individualmente, acaba por ter anulação. Portanto, o Benfica acabou, passe a expressão, na primeira parte, a jogar com nove, porque Palhinha preso, Sudakov sem andamento, portanto, também preso.

Houve situações em que Palhinha tinha três, quatro jogadores à volta dele quando recebia.

O que isso fez? Fez com que o Benfica não tivesse bola e os espaços das laterais tivessem naturalmente funcionado de forma veloz e não deixando o Benfica, naturalmente, jogar e sem capacidade de responder. E sempre perdendo naquilo que era a reação à perda da bola. O Benfica não ganhou uma bola. Além do mais, o guarda-redes da equipa do Santa Clara não fez uma defesa na primeira parte. Portanto, não há uma bola enquadrada por banda do Benfica, melhor ataque. E isso viu Marco Silva. As alterações que fez, nós tivemos a oportunidade de conversar e pensámos que o Rafa não tem velocidade, não tinha, portanto, dinâmica para aquilo que era a dinâmica do Santa Clara e o próprio Sudakov também precisava de ter outro tipo de andamento que não estava a mostrar ter. Portanto, Prestianni para a posição, Marco Silva chamou-lhe livre, sim, mas uma posição mais interior, onde estava Sudakov, mas com a tal capacidade de poder sair do jogo interior para o jogo exterior. De onde sai o primeiro lance do gol do Benfica, muito bem articulado com Scheldrup, que é um jogador também ele de qualidade, de um para um, saindo bem na profundidade e na verticalidade, e a colocação do Lukebakio do lado contrário, abrindo, portanto, o leque. E depois, obviamente, com tudo isto, o desgaste que ia sendo implementado na equipa contrária. Tem um fator que é um detalhe importante de definição, o grande lance de Prestianni na assistência para um ponta de lança que morde, sabe movimentar e sabe marcar, que é o caso de Pavlídis. E depois Prestianni, naturalmente, para pôr a cereja em cima do bolo, faz um segundo gol fantástico naquilo que é a sua dinâmica, a sua dimensão, aquilo que é neste momento o fator diferencial de jogo que ele tem e que traz, e que acaba por fazer a tal remontada. E não tendo nunca esquecido, e não esquece aqui, aquela vertente natural do fato de a equipa dos Açores ter tido a hipótese de poder chegar ao 2 x 0. Salve Dal. Ainda um outro lance, e obviamente que este Benfica suou, teve que ter um treinador e jogadores, que foram os que jogaram mais o treinador, para dar a volta a uma equipa que teve treinador e jogadores "quibé" para poder fazer e dar este espetáculo a quem esteve no estádio e também a quem acompanhou o jogo. E até direi: mas é este Santa Clara uma equipa do meio da tabela do futebol português? Pois é, esse Santa Clara é muito forte, é muito bom e tem pernas para naturalmente poder vir a ser bem mais do que aquilo que tem sido, independentemente nesta altura estar extremamente bem classificado.

Eu queria falar de quem mete a assinatura nestas exibições e nesta temporada do Santa Clara, Petit.

Sim, um ex-jogador, que era de caráter, acima de tudo.

Sim, ele enquanto jogador era muito de caráter.

É, caráter, acima de tudo. E é isso que ele implementa na sua equipa.

Eu queria falar sobre ele porque ele começa esta carreira de treinador em 2012. Já passou por uma série de clubes portugueses, era quase o treinador dos aflitos, muitos clubes que quando estavam ali no fundo da tabela iam chamar Petit para ajudar a salvar e conseguiu fazê-lo várias vezes. Ele já treinou oito clubes em Portugal, passou pelo Brasil, pelo Cuiabá, não correu propriamente bem, mas voltou para Portugal e voltou para assumir este Santa Clara. Ainda passou pelo Rio Ave e depois este Santa Clara na época passada. Está a fazer um arranque histórico nesta equipa dos Açores.

E o ano passado, quando toma conta do Santa Clara, o Santa Clara estava em maus lençóis.

É isso.

E ele conseguiu suster.

Chamado bombeiro.

Exatamente, e este ano está a projetar.

E o que podemos, fazendo a análise deste trabalho de Petit, eu acho que é um treinador que tem evoluído ao longo dos anos, apesar de ser muitas vezes chamado a esses cargos de salvar equipas.

Também aprende, estuda.

É isso.

Entrega-se à profissão. É dinâmico.

Mas acontece que nas épocas seguintes, ele acaba sempre por não conseguir corresponder àquilo que se espera. E isso não está a acontecer este ano. Vês um treinador mais maduro em Petit?

Sim, mais maduro, mais conhecedor, não só naquilo que é a fórmula do jogo, da forma de treinar. É na fórmula do jogo que sabe. Aquilo que ele estuda na fórmula do jogo é que é importante e a forma como atua, certamente com os jogadores, naquilo que é liderança. Porque hoje é extremamente importante seres líder, é extremamente importante saberes falar com os jogadores. Eu vou dar aqui um exemplo. Quando o Mourinho, ano passado, no Benfica, acabou por culpabilizar os jogadores da não qualidade do seu trabalho aqui em Portugal, quando disse que aqui tem que utilizar jogadores porque eles têm que estar no mercado, têm que ter valorização, como quem diz, temos alguns jogadores, isso foi muito used, que têm pouco valor, mas eu tenho que os pôr a jogar. Porque senão, isto é a perda total. E eu há pouco falei, durante a transmissão, do facto de Marco Silva, com os mesmos jogadores, ter uma equipa de futebol, recheio, qualidade, discute título e uma equipa a 90 minutos. Portanto, o treinador é extremamente importante como lida. E a verdade é esta: nós olhamos para os grandes treinadores, independentemente do que eles possam dizer ao balneário, aos seus futebolistas, certamente nem sempre é com palavras meiguinhas. Mas as palavras que têm que sair são palavras que sejam escutadas, percebidas e que os jogadores digam para eles próprios: são merecidas. São palavras objetivas, pragmáticas e que essas palavras do treinador, depois, na consequência daquilo que ele lhes indica, no terreno de jogo, tenham mais valia, tenham rendimento. E o jogador passa a respeitar quem diz: "Tens que jogar assim, tens que fazer assado. As mecanizações são estas, os movimentos são aqueles." E o jogador, por muito que fique muitas vezes duvidoso, pensa: "Não, espera aí, isto deu, isto resultou. Resultou, tenho meu respeito."

E com o Petit tem estado a resultar nesta temporada.

Também é verdade, e é um treinador em crescer e obviamente que é provável e é esse o desejo pela sua qualidade e pela pessoa que é, até naquilo que é a postura no conversar. Disse aqui uma coisa na flash interview que eu achei muito importante, quando o repórter, nada contra o repórter, o senhor repórter falou da questão dos candidatos.

Do Benfica distanciar-se do Sporting, ele dizer distanciou-se também do Santa Clara, que tem os mesmos pontos que o Sporting.

Claro, evidentemente. Está na posição. Não está a discutir o título, mas estava numa posição da Europa. Esta é que é a verdade.

Certo. Vamos ao melhor e ao pior. Gabriel, começamos pelo melhor.

Sem dúvida nenhuma, Prestianni. Não há nada a dizer, a não ser que Prestianni é o jogador diferencial, é um jogador não só pela questão da velocidade, mas por saber utilizar a velocidade. E depois taticamente, saber utilizar a sua cultura tática, saber como é que há de correr, onde há de correr, onde há de aparecer. Depois, aquilo que é a sua atitude, a sua determinação, a sua intensidade em termos de alta competição. É um jogador de alta competição. Não é só ter qualidade técnica. Ele tem força da técnica, mas é um jogador que tem dinâmica e sabe, nessa dinâmica, colocar ao seu serviço a técnica de que dispõe e tem uma assistência perigososa e tem um gol que não é nada fácil de marcar. Não só naquilo que é a condução da bola orientada até o remate, como inclusivamente depois, também a condução da bola orientada primeiro, obviamente, na assistência para Pavlídis para a igualdade.

O que é o pior?

Eu acho que o Rafa, neste momento no Benfica, é um jogador apagado. Aliás, tem dado notas, diversos dados estatísticos que têm aparecido na comunicação. Este Rafa, não sei se vai ser titular muitas mais vezes. Mas o Marco Silva é que sabe.

Acha que tem o lugar no 11 em risco?

Na minha opinião, ele é um jogador evidente, tem cultura tática, mas ele neste momento não denota nem velocidade, nem precisão para pôr a sua cultura tática na flor da rama.

Assinatura de Gabriel Alves no relatório de jogo do Santa Clara 1 x Benfica 2. Obrigado, Gabriel.

Boa noite e obrigado a todos os observadores. Quem ouviu o relato, teve um relato de um match. Quem teve a oportunidade de ouvir o relato e ver o jogo, teve o relato e o jogo, que foi um match.

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