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Sunday, September 13, 2026

Só 5% dos CEOs no Brasil são mulheres - e elas precisam estudar mais para chegar ao topo

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Chegar à cadeira de CEO já é uma trajetória restrita a poucos profissionais. Para as mulheres, o caminho parece exigir ainda mais credenciais.

Apenas 5,2% dos cargos de CEO nas maiores empresas do Brasil são ocupados por mulheres, segundo o estudo Women at the Top 2026, realizado pelo Evermonte Institute. O número brasileiro está próximo do cenário global, em que elas representam cerca de 6% dos CEOs, segundo dados citados no levantamento.

A desigualdade, no entanto, não aparece apenas na quantidade de mulheres que conseguem chegar ao topo. Está também no caminho percorrido até lá.

As mulheres analisadas pelo estudo possuem, em média, 2,79 MBAs e pós-graduações, quase o dobro da média registrada entre os homens, de 1,43.

Elas também precisam construir a carreira passando por mais empresas: são, em média, 5,12 companhias ao longo da trajetória profissional, ante 3,79 entre os homens.

“Existe uma assimetria silenciosa no ambiente corporativo. Para chegar ao mesmo lugar, as mulheres frequentemente precisam acumular mais repertório, formação e experiências ao longo da carreira”, afirma Priscila Schapke, sócia e headhunter da Evermonte Executive & Board Search.

Veja também: Presidente da Petrobras: ‘Um dia cheguei na obra e pararam tudo, porque diziam que mulher dava azar’

Elas estudam mais, mas levam praticamente o mesmo tempo para chegar ao topo

Apesar das diferenças no percurso, o tempo necessário para conquistar a presidência de uma empresa é praticamente igual entre homens e mulheres.

Entre as executivas, são necessários, em média, 18,32 anos de carreira até alcançar a posição de CEO. Entre os homens, são 18,49 anos.

A proximidade dos números chama atenção justamente quando comparada às demais exigências encontradas pelo levantamento. Para chegar ao mesmo nível hierárquico em período semelhante, as mulheres acumulam mais formação acadêmica e experiências em um número maior de organizações.

Na avaliação do estudo, esses dados indicam uma trajetória feminina marcada por maior mobilidade, adaptação a diferentes ambientes corporativos e necessidade recorrente de comprovar qualificação para avançar profissionalmente.

Por que ainda há tão poucas mulheres CEOs?

Embora a participação feminina na presidência das empresas tenha avançado, o percentual de 5,2% mostra que a chegada ao topo continua sendo exceção.

Entre as executivas entrevistadas, um dos pontos levantados é justamente a necessidade de criar oportunidades para que mais mulheres consigam demonstrar capacidade de assumir posições de maior responsabilidade.

“As mulheres precisam receber maiores oportunidades de mostrarem o seu potencial. Nossa crença é de dar para as mulheres o reconhecimento pelo seu potencial, pelo seu mérito, e não por gênero. Mas para isso é preciso ‘colocá-las à prova’ e, em paralelo, estimular o seu desenvolvimento”, afirma Cristine Grings Nogueira, que deixou a cadeira de CEO da Piccadilly Company no início de junho, depois de dez anos na função.

Para Carla Patrícia Cabral da Fonseca, CEO da Smiles, aumentar a presença feminina na liderança não pode depender apenas de iniciativas isoladas.

“Precisa ser um objetivo da empresa. Sem isso, não funciona. O CEO e o executivo de Gente & Cultura precisam abraçar isso como missão, identificar em quais áreas é possível evoluir e trabalhar o tema de forma cultural, não pontual”, afirma.

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De quais áreas vêm as mulheres que chegam a CEO?

O levantamento também identificou quais experiências profissionais aparecem com maior frequência no currículo das mulheres que conseguiram alcançar a presidência.

Finanças aparece em primeiro lugar, presente em 24,76% das trajetórias, seguida por Negócios, com 21,9%, e Operações, com 20%.

Somadas, as três áreas representam mais de dois terços dos perfis analisados. O resultado mostra uma concentração das futuras CEOs em funções diretamente relacionadas à gestão financeira, estratégia, resultados e operação das companhias.

O estudo também aponta obstáculos recorrentes durante a ascensão profissional das executivas, entre eles menor visibilidade, exigências diferentes das impostas aos homens e uma necessidade constante de legitimação dentro das organizações.

Para Schapke, o crescimento da presença feminina precisa agora deixar de depender apenas das trajetórias individuais das profissionais que conseguiram romper essas barreiras.

“São histórias de construção de longo prazo, de escolhas, renúncias e muito resultado. A presença feminina cresce de forma consistente, mas o desafio agora é transformar esse avanço em um movimento estrutural dentro das organizações”, afirma.

Como o estudo foi feito?

O Women at the Top 2026 analisou 2.153 empresas brasileiras. A partir desse universo, foram estudados em profundidade 216 perfis de CEOs (112 mulheres e 104 homens) com base em informações públicas disponíveis no LinkedIn.

Foram considerados aspectos como formação acadêmica, setor de atuação, localização e trajetória profissional.

A pesquisa também realizou entrevistas em profundidade com 11 executivas brasileiras: Aline Eggers Bagatini, Ana Paula Magri, Carla Patrícia Cabral da Fonseca, Carolina Pires Simões, Cristine Grings Nogueira, Flavia Maria Bittencourt, Lídia Abdalla, Marília Carvalho de Melo, Poliana Sousa, Rosana Fortes e Simone Lucas Martins.

Os números ajudam a dimensionar uma contradição na alta liderança brasileira: as mulheres que chegam ao topo apresentam mais qualificações acadêmicas e experiências profissionais, mas continuam ocupando apenas cerca de uma em cada 20 cadeiras de CEO.

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