Com capital da General Atlantic, Starian mira aquisições maiores e encontra vendedores sem pressa
Grupo tem quatro propostas na mesa e espera concluir parte delas em 2027. Ao menos seis negociações foram adiadas neste ano por decisão dos vendedores

Publicado em 6 de novembro de 2026 às 07:00.
RESUMO +
A Starian, empresa de software do grupo Softplan, teve ao menos seis propostas de aquisição recusadas em 2026 porque os fundadores preferiram esperar por preços melhores. A companhia mantém quatro ofertas na mesa e espera concluir parte das operações em 2027. O grupo busca empresas maiores e quer chegar a 2030 em mais dois ou três segmentos.
Com uma robusta agenda de aquisições — foram 13 desde 2020 —, a Starian, empresa de software do grupo Softplan, decidiu buscar aquisições maiores em 2026, mas encontrou fundadores dispostos a esperar por um preço melhor. Ao menos seis propostas ficaram pelo caminho neste ano porque os vendedores preferiram aguardar condições mais favoráveis de mercado. O grupo tem outras quatro ofertas na mesa e espera concluir parte dessas operações em 2027, disse Alex Anton, diretor de estratégia da companhia, em entrevista exclusiva ao EXAME Insight.
A diferença de preço ajuda a explicar o impasse. Na experiência da Starian, os fundadores costumam pedir de 12 a 15 vezes o EBITDA, faixa que, segundo Anton, era mais comum para empresas de software com bons resultados até o primeiro semestre de 2025. Hoje, diz ele, a maior parte dos negócios que acompanha tende a sair entre 6 e 10 vezes. Ativos que crescem mais e têm maior potencial de geração de caixa ainda podem alcançar a faixa superior.
Os próprios critérios da Starian ajudam a explicar por que os vendedores podem esperar. O grupo busca empresas que tipicamente faturam mais de R$ 50 milhões por ano, geram caixa e, em muitos casos, distribuem dividendos aos fundadores. Quando os sócios têm renda com o negócio e nenhum investidor externo cobrando uma saída, uma proposta abaixo do que esperavam pode ser deixada para depois. “É um ano de subir a barra”, diz Anton. As quatro propostas envolvem empresas que vendem software por assinatura para setores ou funções específicos, com receita recorrente anual de R$ 40 milhões a R$ 120 milhões e margens EBITDA de 20% a 45%.
A última grande aquisição da Starian foi a Contato Seguro, empresa especializada em canais de denúncias corporativas, anunciada em dezembro de 2025. O grupo prefere fazer menos compras e dedicar mais tempo à integração. Uma empresa menor pode dar mais trabalho que uma maior, diz o executivo, se ainda precisar estruturar a governança, os sistemas e a gestão para operar dentro do grupo.
Entre a Totvs e a OpenAI
Na conversa sobre preço, a Totvs é uma das referências da Starian. Segundo Anton, a companhia negocia na bolsa a cerca de 11 vezes o EBITDA dos últimos 12 meses. A cotação serve como ponto de partida do lado comprador, mas entre os vendedores as referências às vezes vêm de outro mercado. Segundo o executivo, as grandes captações de empresas como OpenAI e Anthropic elevaram as expectativas de alguns fundadores de software, mesmo quando o uso de IA em seus produtos se concentra em aplicações desenvolvidas sobre modelos de terceiros. “Com IA, muitos softwares são copiáveis”, diz Anton.
Na sua avaliação, sistemas de gestão que concentram dados dos clientes e se conectam a rotinas como emissão de notas fiscais e operações bancárias são mais difíceis de substituir. Essas integrações também dão às empresas de software um caminho para distribuir novas ferramentas de IA à base de clientes. A expectativa da Starian é que a pressão para incorporar a tecnologia pode, com o tempo, trazer alguns vendedores de volta à mesa.
O tamanho para um IPO
A Starian quer chegar a 2030 em mais dois ou três segmentos, além dos quatro em que já atua: construção civil, inteligência jurídica, eficiência e produtividade, e governança e compliance. Automotivo, agronegócio, saúde, educação e viagens estão entre os mercados que o grupo acompanha.
Com cerca de R$ 730 milhões em receita recorrente anual, a companhia mira crescimento de 30% ao ano, em grande parte pela própria operação, e margem EBITDA de aproximadamente 25%. Anton considera que, a partir de R$ 2 bilhões em receita recorrente anual, o grupo teria escala para considerar uma abertura de capital. A ideia é ter essa opção em quatro a seis anos.
Parte do dinheiro para as próximas compras vem da rodada de R$ 640 milhões com a General Atlantic, anunciada em agosto de 2025, pouco depois de a Starian nascer da separação do negócio de software para o setor privado da Softplan. A gestora ficou com uma participação minoritária.
Segundo Anton, a Starian ainda tem recursos da rodada para investir e conta também com a geração de caixa da operação. O grupo costuma pagar parte do preço à vista e atrelar parcelas futuras ao desempenho das empresas adquiridas, o que reduz o desembolso inicial de cada compra. “Tem bastante combustível aqui para investir”, diz.
'Perguntas frequentes'
Por que as aquisições da Starian não avançaram em 2026? +
Ao menos seis propostas da Starian não avançaram em 2026 porque os fundadores preferiram esperar por condições mais favoráveis de mercado. Segundo Alex Anton, diretor de estratégia da companhia, vendedores costumam pedir de 12 a 15 vezes o EBITDA, enquanto a maior parte dos negócios acompanhados tende a sair entre 6 e 10 vezes.
Que tipo de empresa a Starian pretende comprar? +
A Starian busca empresas que vendem software por assinatura para setores ou funções específicos, geram caixa e tipicamente faturam mais de R$ 50 milhões por ano. As quatro propostas em análise envolvem companhias com receita recorrente anual de R$ 40 milhões a R$ 120 milhões e margens EBITDA de 20% a 45%.
Quantas aquisições a Starian fez desde 2020? +
A Starian realizou 13 aquisições desde 2020. A compra mais recente citada foi a Contato Seguro, empresa especializada em canais de denúncias corporativas, anunciada em dezembro de 2025.
Quais novos mercados estão no radar da Starian? +
Automotivo, agronegócio, saúde, educação e viagens estão entre os mercados acompanhados pela Starian. A companhia quer chegar a 2030 em mais dois ou três segmentos, além de construção civil, inteligência jurídica, eficiência e produtividade, e governança e compliance.
Quando a Starian pode considerar uma abertura de capital? +
A Starian pode considerar uma abertura de capital quando alcançar cerca de R$ 2 bilhões em receita recorrente anual, segundo Alex Anton. O diretor de estratégia estima que a companhia possa ter essa opção em quatro a seis anos.
Como a Starian financia suas próximas aquisições? +
A Starian usa recursos da rodada de R$ 640 milhões com a gestora General Atlantic, anunciada em agosto de 2025, e a geração de caixa da operação. Segundo Alex Anton, o grupo costuma pagar parte do preço à vista e vincular parcelas futuras ao desempenho das empresas adquiridas.
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Jornalista com experiência na cobertura de negócios e finanças. Passou pela redação de Veja, onde foi editor da coluna Radar Econômico. Contato em pedro-b.gil@exame.com
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