Daily MaverickWorkers’ trillions should rebuild SA for all, not feed financial speculation for the fewThe Jerusalem PostFormer hostages blast 'NAZA' documentary, accuse filmmakers of erasing their sufferingESPN DeportesBroncos y Chiefs prometen gran espectáculo en el primer "Monday Night Football" de la temporadaInquirerRomualdez now behind barsESPNLamar Jackson looks like old self in Ravens' new offenseRFIUkraine: Volodymyr Zelensky suspend le procureur général accusé de corruptionCBS NewsMitch McConnell returns to Capitol Hill after monthslong absenceABC NewsKennedy Center warns of bankruptcy unless Trump’s name is added to buildingThe Guardian AustraliaAustralia politics live: Labor defends Catherine King’s top-tier Qantas membership gift; Hanson accused of ‘Americanising’ politicsالشرقخلاف بشأن "عثمانوف" يؤجل تجديد عقوبات الاتحاد الأوروبي على روسياABC News (Australia)Fitzroy Crossing calls for stronger FASD supportThe Japan TimesJapanese lawmakers seek out renewed dialogue in Beijing
The Daily Newsstand · Free, Always
Monday, September 14, 2026

Opinião: Automatizar vendas também pode automatizar erros

Translate

Em quase toda equipe comercial existe alguém que percebe antes dos demais quando uma negociação perdeu força.

Esse profissional nota uma mudança no ritmo das respostas, uma objeção que volta à conversa ou uma alteração discreta no comportamento do cliente.

Em muitos casos, age antes que o problema apareça no relatório de vendas.

Costumamos chamar essa capacidade de faro ou intuição. Há, porém, muito aprendizado acumulado por trás dela.

O vendedor experiente reconhece padrões porque acompanhou situações semelhantes, observou suas consequências e aprendeu a dar pesos diferentes a sinais que, isoladamente, dizem pouco.

A inteligência artificial começa a tornar parte desse processo visível.

Sistemas de pontuação preditiva combinam registros de contato, histórico de compras, uso de produtos, respostas a campanhas e características da conta para estimar a probabilidade de conversão ou perda.

Eles não sentem urgência, confiança ou hesitação. Calculam probabilidades a partir do que foi registrado.

Essa distinção merece atenção. Quando tratamos a tecnologia como se tivesse intuição própria, aumentamos o risco de aceitar suas recomendações sem entender de onde vieram.

Experiências antes restritas a poucos profissionais podem se transformar em hipóteses, critérios e processos que a equipe inteira consegue discutir e testar.

O conhecimento que não entra no CRM

Grande parte da experiência comercial permanece fora dos sistemas. O CRM registra ligações, reuniões, propostas e mudanças de etapa.

Raramente explica por que um vendedor decidiu telefonar naquele momento, abandonou um argumento ou percebeu que uma conta aparentemente saudável corria risco.

Esse conhecimento pode ser trazido para o processo de forma organizada. A empresa pode investigar quais sinais seus profissionais mais experientes observam, em que contexto cada sinal importa e quais exceções costumam invalidar uma regra.

A IA entra depois, verificando se esses padrões aparecem em uma base mais ampla e se ajudam a prever algum resultado relevante.

A adoção desses recursos já aparece nas áreas comerciais. O State of Sales 2026, da Salesforce, ouviu 4.050 profissionais de vendas em 22 países, incluindo 250 no Brasil.

No resultado global, 54% dos entrevistados afirmaram que suas equipes já utilizavam agentes de IA, enquanto 34% esperavam adotá-los nos dois anos seguintes.

Entre os profissionais que trabalhavam com esses agentes, 90% disseram que a tecnologia ajudava a compreender melhor os clientes.

O levantamento também informa que equipes classificadas como de alto desempenho eram 1,7 vez mais propensas a usar agentes de prospecção do que as de baixo desempenho.

O dado mostra uma associação, não uma relação de causa e efeito. Equipes mais estruturadas podem ter mais recursos, processos melhores e maior facilidade para adotar tecnologia.

A pesquisa não permite isolar o efeito dos agentes sobre o desempenho.

Quando o passado vira regra

A conversão da experiência em regras também carrega riscos. O vendedor que mais converte tem hábitos, preferências e vieses.

Seu desempenho pode depender da carteira atendida, da região, do preço disponível ou de relações construídas durante anos.

Quando a empresa transforma essas escolhas em critérios sem examiná-las, o sistema passa a reproduzir o passado com aparência de neutralidade.

A própria base de dados pode distorcer a análise. Negociações conduzidas fora do CRM deixam lacunas.

Cadastros duplicados sugerem clientes diferentes onde existe apenas um. Metas mal definidas ensinam o sistema a perseguir o indicador errado.

No estudo da Salesforce, 46% dos profissionais que usavam agentes afirmaram que problemas de qualidade dos dados prejudicavam as vendas.

Na amostra total, 51% disseram que preocupações com segurança atrasaram iniciativas de IA.

Há outro problema. Um modelo alimentado apenas pelo histórico tende a favorecer perfis parecidos com os clientes que a empresa já conquistou.

Contas novas, segmentos emergentes e mudanças de comportamento podem aparecer como exceções pouco promissoras.

O sistema pode parecer coerente justamente quando deixa escapar uma mudança importante do mercado.

A equipe deve confrontar cada recomendação com o resultado observado. Precisa acompanhar quais oportunidades receberam prioridade, quais foram descartadas e o que ocorreu depois.

Também deve registrar os casos em que o vendedor contrariou a recomendação e acertou. Essas exceções ajudam a melhorar o processo.

O novo papel dos profissionais experientes

Profissionais seniores ganham uma responsabilidade adicional nesse cenário.

Além de conduzir negociações complexas, passam a participar da definição dos critérios usados pelos sistemas e da revisão de seus resultados.

Sua contribuição está em explicar contexto, reconhecer mudanças e mostrar por que duas situações parecidas podem exigir decisões diferentes.

Essa participação também ajuda a formar equipes. Uma recomendação acompanhada dos fatores que influenciaram a classificação pode abrir uma conversa melhor do que uma pontuação isolada.

O vendedor mais novo aprende quais sinais observar. O mais experiente é obrigado a tornar explícito um raciocínio que muitas vezes executava de maneira automática.

A empresa, por sua vez, deixa de perder todo esse repertório quando alguém muda de cargo ou sai da organização.

O cuidado está em não transformar o profissional experiente em avalista permanente da máquina. Critérios precisam ser confrontados com resultados e revistos quando o mercado muda.

Experiência ajuda a formular hipóteses, mas não substitui a verificação.

Uma decisão concreta para começar

Projetos úteis costumam partir de uma decisão comercial bem delimitada. A empresa pode escolher, por exemplo, a priorização de leads ou a identificação de contas com risco de cancelamento.

Depois, precisa definir o resultado esperado, os dados disponíveis, quem responde pela decisão e como os erros serão analisados.

Um piloto restrito permite comparar recomendações com decisões humanas, identificar informações ausentes e descobrir em quais situações o modelo perde precisão.

Esse aprendizado vale mais do que uma implantação ampla que distribui alertas sem mudar a rotina da equipe.

À medida que ferramentas semelhantes chegam a empresas concorrentes, o acesso à IA tende a se tornar comum.

A diferença estará na capacidade de preservar o que profissionais experientes aprenderam sem congelar a empresa em práticas antigas.

Isso exige dados confiáveis, espaço para contestar recomendações e responsabilidade clara sobre as escolhas.

Talvez o conhecimento comercial mais valioso seja justamente aquele que nunca entrou no CRM.

A IA pode ajudar a encontrá-lo, organizá-lo e colocá-lo à prova.

O resultado dependerá da maturidade da empresa para aprender com sua experiência sem transformar cada hábito do passado em regra para o futuro.

*Maurício Mansur é fundador da IAMKT, consultoria especializada em inteligência artificial aplicada ao marketing. Atua como conselheiro e palestrante nas áreas de inovação e transformação digital. É mestre em Marketing pela UFMG e tem MBA pela Fundação Dom Cabral.

View the original on Exame

KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.