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Friday, October 2, 2026

Turismo sustentável: estratégias para o futuro

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Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Sejam bem-vindos. Começa aqui mais um episódio do podcast "Empresas em Transformação". Esta é uma parceria entre o Novo Banco e o Observador. Nesta série falamos do que está a mudar no mundo das empresas com os novos padrões ambientais e sociais. A cada episódio temos um novo tema, um novo setor e também convidados diferentes. Hoje falamos do turismo, um setor absolutamente essencial na economia portuguesa, para saber como é que esta atividade está a adaptar-se às novas exigências de sustentabilidade, mantendo, no entanto, ou reforçando até, a competitividade. E vamos fazê-lo com Elisabete Félix, do Turismo de Portugal, é a diretora do Departamento de Dinamização Empresarial, com José Teotónio, CEO do Grupo Pestana, e com Vânia Matias, especialista do setor do turismo no Novo Banco. Eu sou o Paulo Ferreira. Antes de mais, duas boas-vindas aos três. É um gosto recebê-los aqui. Elisabete Félix, deixa-me começar por si. As regras ESG passaram de uma escolha ética no início, ou de uma recomendação, se quiser, para um fator crítico, neste momento, de competitividade à escala global. Como é que no Turismo de Portugal se está a gerir esta transição para garantir que o país se mantém competitivo e de acordo com os melhores padrões internacionais?

Em primeiro lugar, muito obrigada pelo convite. Efetivamente, no Turismo de Portugal estamos a acompanhar esta transição e estamos a encarar a transição como uma oportunidade para tornar o setor mais competitivo, mais resiliente, mais eficiente e mais preparado para o futuro. A sustentabilidade significa utilizar melhor os recursos do território, reduzir desperdícios, reduzir custos operacionais, diminuir a pegada carbônica, reforçar a capacidade de adaptação às alterações climáticas, melhorar as condições de trabalho, mas também criar experiências turísticas que beneficiem, em simultâneo, os visitantes e também as comunidades locais. Eu só contextualizei aqui um pouco para dar agora o mote para quê? Para um programa que nós lançamos junto das empresas, que é o programa Empresas de Turismo 360. É um programa que envolve um conjunto alargado de parceiros, entre eles o sistema bancário e o Novo Banco, aqui também presente. E o programa apoia as empresas a integrarem os critérios ESG na sua estratégia, mas também na sua gestão no dia a dia. E por isso, quando o programa foi lançado, tivemos aqui uma preocupação. 99% do nosso tecido empresarial são PMEs e nós tivemos que ter em conta essa realidade. E ele foi desenhado para tornar a sustentabilidade acessível, mas também, ao mesmo tempo, tem associado um reporte, que é um reporte alinhado com as recomendações europeias a esse nível.

Mas adaptado, se calhar, a empresas de menor dimensão, claro.

Não, é para todas. Nós seguimos o referencial europeu. Claro que ele é adaptado a todas as dimensões de empresas, mas também a todo o tipo de atividade turística. Nós podemos ter uma empresa de animação turística com passeios pedestres, por exemplo, e os resultados e a forma de interpretar a sustentabilidade é diferente de uma empresa que explora uma infraestrutura hoteleira.

Claro.

Por exemplo.

Ou de um grande grupo, como o Grupo Pestana.

Ou de um grande grupo, sim. Um grupo que desde o início também alinhou. Quando nós iniciamos o projeto, foi um dos grupos que deu contributo. Para isso tudo, nós tivemos que também disponibilizar ferramentas. E aqui, neste contexto, nós temos uma plataforma gratuita de reporte, que permite às empresas monitorizarem, avaliarem e verem como é que estão a nível da sua sustentabilidade. E aí também temos que ter uma abordagem simples. E essa abordagem simples é as empresas entrarem, verem já um conjunto de ferramentas e têm logo coisas como uma calculadora de emissões, uma ferramenta que permite avaliar os impactos dos riscos climáticos, o seu impacto na biodiversidade. Mas aqui, sobretudo, a mensagem que eu queria deixar é: não é só reporte, isso vai muito para além do reporte, mas temos que começar pelo reporte, de outra forma as empresas-

São práticas no terreno mesmo, mudança de práticas, claro.

Sim, muitas vezes as empresas já têm essas práticas, até já exploram a sua atividade, já desenvolvem os seus projetos a pensar nisso, mas depois não medem. E se não medirem, se não analisarem-

Não sabem onde é que estão.

Não sabem onde é que estão, nem sabem que caminho é que hão de fazer. Porque para tomar decisões, temos que tomar decisões informadas, e isso só parte dos dados.

Sem dúvida. José Teotónio, um grande grupo com a dimensão do Grupo Pestana, tem desafios de sustentabilidade muito grandes também. Como é que se concilia, de facto, a redução drástica de vários consumos, por exemplo, ou pelo menos reduções significativas de água, energia, resíduos, por aí fora, com aquilo que é a manutenção de um padrão de qualidade de um grupo como o Grupo Pestana, que é aquilo que os clientes querem também.

Sim, senhor. Primeiro agradecer o convite, é um gosto estar aqui presente. E é verdade, nós temos uma dimensão grande, estamos em 17 países, com mais de 100 hotéis, mais de 10 investimentos na área da imobiliária turística. Somos o maior operador de golfe, que também é uma atividade que de vez em quando é questionada do ponto de vista da sustentabilidade e ambiental, e recebemos mais de 3,5 milhões de clientes por ano, à procura de terem satisfeitas aquilo que são as suas necessidades. Agora, no setor do turismo, e eu costumo dizer isto, a nossa matéria-prima é o ambiente Portanto, se nós não tratarmos do ambiente, teremos muita dificuldade em continuar a ser não só sustentáveis, como credíveis e os clientes continuarem a procurar-nos. Por outro lado, o nosso principal recurso são os recursos humanos e, portanto, se nós não tratarmos também da parte do S do ESG, do social, obviamente que também aí teremos muita dificuldade em encontrar os profissionais que queiram trabalhar hoje conosco, porque hoje é uma das questões que eles colocam na escolha daquilo que são os bons profissionais. Eu costumo dizer que os bons profissionais é que escolhem as empresas e não as empresas que escolhem os bons profissionais.

Não ao contrário, claro.

Portanto, uma das questões que os bons profissionais põem é exatamente qual é a credibilidade que as empresas hoje têm em termos dessas matérias do ESG. Portanto, nesse sentido, é verdade, temos feito investimentos muito avultados. Nós temos hotéis, alguns deles com 50 anos, e por isso, obviamente, quando foram construídos não eram as melhores.

Não eram preocupações essas, claro.

Portanto, só para ter uma ideia, nós nos últimos 10 anos investimos mais de 20 milhões de euros só em eficiência energética. Construímos algumas dessalinizadoras, uma delas no Algarve, no âmbito do PRR, é considerado um dos projetos emblemáticos. Temos muitas ligações no Algarve a etares para poder fazer a rega dos campos de golfe. Portanto, há aqui um conjunto de investimentos bastante elevados e que nós também, desde 2019, antes da pandemia, começamos a medir exatamente qual era a nossa pegada e começar a definir aquilo que eram os nossos KPIs para podermos ir reduzindo essa pegada e esse impacto.

A tal questão dos indicadores que a Elisabete falava há pouco, claro.

E é algo que tem sido bastante positivo, porque é algo que nós pensamos, muitas vezes, que apostar nestas matérias é estarmos a aumentar os nossos custos. Nós temos um exemplo em casa que é fantástico, enfim, se tu puderes permitir, que era o das palhinhas de plástico. Nós criamos um programa que era a redução de tudo que era plástico de uso único. Portanto, fazer uma redução. E o objetivo era reduzir 50% em um ano. Nós conseguimos, envolvemos as equipes, envolvemos os operacionais e conseguimos fazer essa redução em 90% em seis meses. E um dos objetos era as palhinhas. Obviamente, as palhinhas não são de plástico, são mais caras. Mas qual foi a alteração do procedimento? Usava-se para tudo. Alguém que pedia uma Coca-Cola, um suco, enfim, qualquer coisa, levava uma palhinha. Começamos só a pôr naquilo que é essencial, portanto, há bebidas em que tem que ser.

Tem que ser servidas com palhinha, claro.

E a partir daí, só dávamos a quem nos pedia. E, portanto, deixou de ter um uso massificado. É verdade que o custo por unidade é bem mais caro, no custo total, quando fizemos as contas, estávamos a poupar dinheiro.

Ainda poupavam dinheiro. E fizeram aquilo que devia ser feito. A transição. Vânia Matias, o setor bancário assume também um papel fundamental neste caminho, como acelerador de sustentabilidade. No caso do Novo Banco, como é que vocês integram estes critérios, basicamente naquilo que é a análise de um empréstimo, do risco de crédito?

O Novo Banco olha para estes temas a nível de ESG, da questão da sustentabilidade e transição energética, já não como uma imposição regulamentar, mas acima de tudo como fator crítico para mitigação de risco e até mesmo para criação de valor. Por exemplo, quando vamos olhar para um projeto de investimento, sobretudo os de grande dimensão, para além da robustez financeira do projeto, que é importante para analisarmos a sua capacidade para fazer face aos compromissos que assume, olhamos sobretudo para tipo de investimentos que estamos a financiar. Naturalmente, uma empresa do setor turístico, seja qual for a atividade, seja da área de atividades náuticas, hotelaria ou o que for, quando está a realizar investimentos na área da transição, vai, por exemplo, adquirir equipamentos mais eficientes em termos energéticos. Pode, por exemplo, ir fazer uma requalificação do empreendimento que o vai tornar, em termos de certificação energética, mais eficiente. E nós analisamos todos estes detalhes que vão tornar a operação mais rentável para o cliente e, na nossa ótica, como analistas de risco da operação, uma operação que vai ter mais capacidade para suportar o serviço da dívida, por exemplo. Estes exemplos do Grupo Pestana que foram aqui dados são alguns exemplos muito práticos. Por exemplo, um hotel que vai alterar o sistema de gestão hídrica a nível de substituir torneiras, por exemplo, que vai instalar sistemas para carregamento de viaturas elétricas, substituir uma caldeira de biomassa, substituir viaturas de combustíveis fósseis por viaturas movidas a eletricidade ou tipo de combustíveis que não são, ao fim e ao cabo, tão poluentes, representam investimentos que a médio e longo prazo vão se traduzir, em termos das contas do próprio grupo, como um cashflow adicional que vai fazer face ao serviço da dívida com muito mais facilidade.

Claro, torna as empresas mais competitivas.

Exatamente. Mais competitivas, mais atrativas e mais alinhadas com aquilo que são as exigências regulatórias que vão decorrer com os anos. Naturalmente, se a empresa já estiver a incutir este tipo de investimentos, nós já sabemos que daqui a cinco ou 10 anos, quando existir uma nova alteração regulatória, já vai estar mais preparada e com ativos a operar com muito mais capacidade para fazer face a qualquer impacto que possa ter um efeito negativo naquilo que é a sua capacidade de gerar cashflow para honrar os seus compromissos.

Claro. Portanto, visto de uma forma positiva. Elisabete Félix, olhando para o mercado de turismo, as exigências dos turistas sobre sustentabilidade são já um fator incontornável, isto é, já é um fator que os turistas pedem, que procuram, ou ainda é um pouco marginal? Como é que olham para o mercado?

Eu não tenho um dado. Eu falei muito em dados, em números antes e, portanto, para este que me está a perguntar, não tenho esse dado. Eu diria que nem todos os turistas escolhem o destino por força da sustentabilidade. Agora, aquilo que as empresas nos têm transmitido é que há uma expectativa cada vez mais forte e maior sobre as práticas que as empresas e os destinos têm, e da forma como é que atuam, se atuam de uma forma responsável. Para além disso, também os mercados internacionais acabam por ser mais exigentes do que o mercado nacional, sobretudo mercados do Norte da Europa, em que já olham para a sustentabilidade.

Que são práticas que eles começaram há muito mais tempo.

Olham para a sustentabilidade com uma maior confiança, como algo que associa uma boa gestão. Porque a qualidade da gestão também é muitas vezes avaliada e, portanto, isto se calhar é o que eu lhe posso transmitir. Agora, a pressão não vem só dos clientes e dos turistas, porque cada vez mais, olhando para a cadeia de valor do setor, operadores turísticos, a parte dos financiadores, dos investidores, parceiros de negócio, cada vez mais valorizam as empresas que trabalham e demonstram o seu desempenho em matéria de sustentabilidade.

Claro, os próprios fornecedores. José Tutillo, na mesma linha desta ideia, e o cliente final, se quisermos, o turista, está disposto a pagar eventualmente um sobrecusto por estas práticas ou olha muito mais para a carteira do que para estes critérios?

Eu acho que a sustentabilidade ainda não é um fator decisivo para as pessoas escolherem aquilo que são as suas unidades hoteleiras ou os seus destinos turísticos. Mas são um fator, se calhar, decisivo para os erradicarem, para os porem de parte. Aqueles que têm uma má reputação, se quiser, do ponto de vista da sustentabilidade, são aqueles que são eliminados. Na escolha definitiva, provavelmente, ainda hoje existem outros fatores econômicos, etc. Agora alguém que tenha uma má reputação em termos de questões ambientais, ou então, quando a pessoa tem a experiência dentro de uma unidade hoteleira, ou enfim, uma experiência dentro de uma empresa e vê que essas más práticas existem, serve para erradicar, para eliminar e para no futuro não voltar.

Mais pela negativa.

Mais pela negativa do que propriamente hoje ainda ser o fator que decide onde é que eu vou fazer as minhas férias.

Vânia Matias, em termos de financiamento, que linhas de produtos específicos, temos as green bonds, temos as linhas de créditos sustentáveis, se quisermos, ou ligados a metas de sustentabilidade, é que estão disponíveis para premiar ou para passar em prática esta nova tendência, no caso do Novo Banco?

Em termos de Novo Banco, temos diversas linhas, sendo que, como eu costumo dizer, temos sempre de analisar projeto a projeto, caso a caso, investimento a investimento. Destaco a linha da sustentabilidade, que é uma linha exclusiva Novo Banco, destinada a apoiar todo o tipo de investimentos que visem, de fato, operações para transição energética, incremento de sustentabilidade, substituição de equipamentos, etc. O leasing verde, como o próprio nome diz, é uma especificidade do leasing em que se foca precisamente em substituição de equipamentos ou viaturas ou frotas para outras que sejam energeticamente mais sustentáveis. Temos também linhas protocoladas com o Turismo de Portugal. Destaco a linha Turismo Mais Sustentável, aqui também em parceria com o Banco Português de Fomento, e a linha de apoio à qualificação da oferta 2024, que são duas linhas que têm sempre presentes o grave mesmo do ESG. Portanto, estes projetos têm que cumprir determinados critérios de materialização em termos de incorporação de critérios de maior sustentabilidade e de uma transição energética que nós consigamos mensurar No caso da linha de apoio à qualificação da oferta 2024, é inclusivamente necessário a empresa estar inscrita no programa que referimos inicialmente. Temos também outras linhas que, não sendo associadas ao Turismo de Portugal, mas alinhadas com o Banco Português de Fomento, por exemplo, a própria Invest EU, na sublinha investimento sustentável, que nos permite apoiar diversos tipos de projetos. Como eu costumo dizer, não podemos dizer que uma linha serve para todos os projetos. Cada projeto é um projeto, pode ser uma requalificação, pode ser um empreendimento novo.

Depende do ponto de partida e do ponto de chegada também.

Nós estamos aqui também falando muito de empresas que fazem investimentos em ativos fixos, mas temos muitas empresas na área do turismo que prestam serviços. E aqui temos que analisar qual o tipo de despesas que o cliente precisa realizar para esta transição, mas que são igualmente válidas para se poderem candidatar a este tipo de linhas.

Claro. Elisabete Félix, não sei se quer complementar em termos de linhas de turismo ou se elas já estão abrangidas aqui.

Elas acabam por já estar abrangidas naquilo que a Vânia transmitiu. Só gostaria de salientar o seguinte: isso está associado ao programa e à ligação das linhas ao programa. Nós temos que dar conhecimento às empresas, para elas saberem onde estão e para onde vão, e depois temos que ajudá-las nos investimentos. E esse apoio é prestado através de linhas de financiamento, sobretudo em parceria com as instituições de crédito, que já nos acompanham há diversos anos. Mas é muito importante esta relação. Conhecimento, porque sem conhecimento as empresas não conseguem interpretar e têm que saber transformar os dados em decisões e para isso têm que ter o conhecimento sobre o que estão a reportar. Mas depois é como é que eu planeio a minha estratégia e como é que eu avanço em termos de plano de investimentos. E aí o Turismo de Portugal tem um papel fundamental, em conjunto com os seus parceiros também.

No fundo, faz a ponte entre os vários atores. Isso provavelmente já nos ajuda a responder à última questão que eu vou colocar aos três.

Só uma nota em acrescento. Algumas destas linhas têm ainda a possibilidade de, caso os clientes e as empresas cumpram os critérios com que se comprometeram na altura em que apresentaram os seus projetos, de poder converter parte dos seus financiamentos em incentivo não reembolsável. E creio que isto acaba por ser um atrativo também deste tipo de linhas.

No fundo, é fundo perdido.

Um prêmio, exatamente. Portanto, um cliente, mesmo que muitas vezes não necessite de recorrer a financiamento para fazer este tipo de investimentos, mas sabendo que poderá depois até converter uma parte em fundo perdido, terá um incentivo adicional para aderir a este tipo de situações.

Muito bem. Indo então para uma ronda final e começando agora pelo José Teotónio, peço também alguma brevidade agora na resposta. Como é que os vários atores do setor, temos aqui o Turismo de Portugal, a banca e um grande operador, um grande grupo, como é que podem articular-se e trabalhar em conjunto para que este caminho que estamos a falar, de sustentabilidade, critérios e ESG, sejam cada vez mais reais?

Posso dar dois exemplos na área do financiamento. Nós fomos a segunda empresa portuguesa, mas a primeira empresa a nível mundial hoteleira, a fazer green bonds. E fizemos green bonds no mercado internacional.

Portanto, emitiram obrigações verdes.

Emitimos obrigações verdes. E quando as emitimos, a nossa expectativa de taxa de juro era uma.

Era mais elevada.

Era mais elevada e conseguimos colocar a operação toda, e depois até aumentamos mais 50%, porque o custo era inferior em cerca de um terço daquilo que nós tínhamos a partir de mim.

Tem ideia dos montantes que estavam em volunta?

Nós estávamos a pensar à volta de 3,75, mais ou menos, e conseguimos a 12,5.

Isso em termos de juro.

Em termos de taxa de juro.

E o montante que emitiram, sabe?

A emissão da altura foram 80 milhões.

É dinheiro, diga-se.

Era dinheiro, exatamente. Deu para fazer dois hotéis. E depois foram bem rentabilizados. E uma segunda, que estamos a fazer agora, temos essa emissão de obrigações em curso, que são um bocadinho diferentes, são aquilo que se chama Sustainability Linked Bond, em que a taxa de juro final que nós vamos pagar vai depender de conseguirmos ou não reduções em termos de impactos.

De cumprir uma série de metas.

Cumprir uma série de metas. Há uma taxa, obviamente, mínima, não há conversão em fundo perdido. As grandes empresas têm este problema, não podem ir a muitas das linhas da União Europeia por regras europeias.

E ultrapassam fatores de dimensão.

Nós nisso estamos afastados. Mas nesta, com dois bancos, e que a taxa de juro final que vamos pagar vai depender ou não de termos conseguido as metas que nos propusemos no início, de redução exatamente em termos de impacto de consumo energético.

Aí está um exemplo. Vânia Matias, a mesma questão, como é que trabalham em conjunto para chegar a estes indicadores?

Acima de tudo, eu acho que a comunicação, como a Elisabete estava a referir, é fundamental. Falarmos com as instituições e, na dúvida, ir ter com a pessoa que é especialista ou que tem conhecimento naquela área. E eu acho que é dessa sinergia que surgem de fato as soluções para os empresários e até ideias para upgrades em termos de linhas e de outro tipo de soluções. Um tema que ainda não foi abordado, mas que é importante. Em termos de certificações, por exemplo, uma empresa que esteja certificada através do programa do Turismo 360 no aplicativo Forest, que tenha, por exemplo, uma certificação a nível do portal CIBESX, tenha uma certificação GreenKey, nós já temos ali uma série de documentação Em que conseguimos também comparar desempenhos de forma padronizada.

Para perceber se aquela unidade está acima ou abaixo da boa prática do mercado.

Exatamente. E isto só é possível com trabalho conjunto entre as diversas instituições e parcerias para uniformização da informação e para conseguirmos olhar para estes critérios ESG da mesma perspectiva entre todos. Porque uma entidade pode estar a olhar para um investimento de uma forma e outra entidade está a olhar para outro, acaba por criar alguns problemas na engrenagem quando estamos a analisar operações. Se todos estivermos em sintonia, olhar para os mesmos critérios que estamos a medir e com suporte documental que nos apoie nesse sentido, tudo se torna mais fácil e acaba por ser um acelerador em termos de análise de operações e apoio às empresas, que é para isso que nós servimos.

Claro, deixa de haver tantos nós no processo. Elisabete Félix, a mesma questão. Sendo que para vocês é mais fácil perceber o papel de coordenação que o Turismo de Portugal tem nesta área.

É fundamental que todos os stakeholders da cadeia de valor do setor do turismo falem e tenham um objetivo comum. Se nós queremos ser um dos destinos turísticos mais competitivos e mais sustentáveis do mundo, eles não funcionam se as entidades não se coordenarem, não falarem entre si, não tiverem objetivos comuns. Até pegando um bocadinho naquilo que no início foi transmitido por José Teotónio, o turismo vive muito do território, dos recursos, das pessoas e tudo isso encaixado. É preciso ter iniciativas que fomentem isso. Só pegando um bocadinho naquilo que a Tânia transmitiu quanto aos dados e ao reporte, só dar conta que isso cada vez mais está a ser reconhecido, como Portugal e as empresas do setor estão aqui num piloto. Porque, neste caso, a nossa ferramenta Forest está de acordo com os estándares europeus que estão definidos nesta matéria, e temos as empresas a reportarem, o que é único, e isto é um fator que nós começámos a trabalhar com as empresas, com as entidades, neste caso os bancos, de forma a que isto seja reconhecido, porque quanto mais reconhecidas todas estas matérias forem, maior é depois a perceção do destino fora.

Claro, aquilo que falámos também da escolha dos turistas. Muito bem, Elisabete Félix, José Teotónio, Vânia Matias, obrigado aos três pela presença neste episódio de "Empresas em Transformação". Falámos do setor de turismo. Esta é uma parceria entre o Novo Banco e o Observador e nós voltaremos proximamente com um novo setor e novos convidados. Até lá.

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