Plutónio quer ser o próximo Isaltino Morais?

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Estamos habituados a ver Isaltino Morais à mesa, a deliciar-se com este e com aquele prato. Estamos habituados a vê-lo dançar nas festas de Oeiras, sabe-se lá mais o quê, mas acho que ninguém estava à espera de o ver num teledisco. O hip-hop nacional acabou de juntar no mesmo projeto um dos maiores rappers portugueses da atualidade e o presidente da Câmara Municipal de Oeiras. Parece brincadeira, mas aconteceu mesmo, não se fala de outra coisa. O Plutónio está a preparar o lançamento do novo álbum, ainda para este ano, e para abrir o apetite dos fãs, acabou de lançar o primeiro single. Sabem qual é o título da música? Isaltino.
"Esta vida é uma longa estrada, descidas e subidas, acelera, ela sobe e desce. Anka Mercedes, ela manda com acesso. Diz que gosta de sentir"-
Está mesmo a ouvir a Rádio Observador. Parte da letra diz: "O coração dela está quebrado, mas eu sou um bom partido e ela vota no controverso. Futuro Isaltino de Alcobidece". A letra não deixa margem para dúvidas e é super direta. Plutónio assume sem rodeios como o futuro Isaltino de Alcobidece. Isto não é conversa. Ele já há uns anos disse numa entrevista que gostava de se candidatar à Junta de Freguesia de Alcobidece.
Que é o concelho vizinho, é concelho de Cascais.
Claro, daqui a três anos há eleições, já está.
E parece que tem ido. O Isaltino alinhou nesta brincadeira e teve uma participação ativa no projeto. Aparece várias vezes no vídeo de promoção do novo single.
E é ele.
Presidente da Câmara, 76 anos, aparece a fumar um charuto.
Claro. Então está confirmado.
A conversar com o humorista Pedro Teixeira de Melo e levá-lo ao Japão para comerem sushi verdadeiro. E foram mesmo ao Japão. As filmagens foram divididas entre Oeiras e Tóquio.
Isaltino estava lá num compromisso oficial.
Juntaram o útil ao agradável.
Mas, de qualquer forma, ver Isaltino no universo do hip-hop, ao lado do Plutónio, é aquele tipo de cruzamento improvável que ninguém estava a prever, mas que está a ter um impacto gigante.
Eu acho que vais me meter num problema com a Federação Portuguesa de Sushi ao dizeres o sushi verdadeiro.
Era o que estava no no comunicado.
Tu não digas uma coisa dessas, porque o sushi em Portugal é também o verdadeiro. Cuidado com as federações.
Mas pronto, Isaltino sempre a inovar.
Sim, e Plutónio também. A aproveitar e não anda. Quem é que vai atrás de quem? Fica aqui um belo casamento. Bom, mas estamos naquela semana, não é? A semana dos Nobel.
Pois é, foi ontem.
Foi, já começou.
Começou ontem a Física, a Química, antes a Medicina.
Depois estamos sempre à espera daqueles da Literatura e da Paz.
Mas ontem vi vários vídeos na internet por causa deste de ontem. Sim, mas conta que eu vou contar à família.
Ora, é exatamente isso. O Martinhatrades, aqui do Observador, conversou com dois vencedores do Nobel da Química, de anos muito diferentes e com histórias pessoais muito diferentes, para perceber o impacto que uma distinção destas pode ter na carreira e também a forma como muda a vida de um investigador. O artigo ajuda-nos, de facto, a perceber o outro lado. Falou com o Thomas Tsjekk, que é um químico norte-americano. Venceu o prêmio em 1989. O mundo era tão diferente em 89. E Richard Anderson, que venceu o mesmo prêmio em 2017, é um investigador britânico. Ora, ambos concordam, o Nobel tem um peso enorme, continua a ser uma referência a nível mundial, muito peso, muito prestígio. Mas o que implica, de facto, receber o Nobel, o Prêmio Nobel? Além da medalha de ouro e do diploma, implica também receber 12 milhões de coroas suecas, que é qualquer coisa como 1 milhão de euros. Curiosamente, e no caso destes dois investigadores, dizem que não mudou a carreira deles e já estavam bem financeiramente para poderem prosseguir as suas investigações. Não foi decisivo para mudar alguma coisa, mas obviamente que deve ajudar ou facilitar muita coisa. Deve dar jeito. O único dever de um cientista premiado é dar uma palestra em Estocolmo, na altura da atribuição do prêmio, habitualmente em dezembro. No entanto, vão surgindo, com a exposição mediática, muitos pedidos de presenças em várias instituições mundiais e dizem, até os dois investigadores, que normalmente os pedidos têm a ver: eles só querem um Nobel para falar, não interessa quem. É quase como um cromo para apresentar, nem interessa o que dizem. Independentemente da área da especialização, temos um Nobel aqui para vos apresentar. Sobre Richard Anderson, ele tinha 72 anos quando recebeu o Nobel, estava a tentar reformar-se e quase 10 anos depois ainda não consegue. Continua a ser visto nos corredores de Cambridge e diz que, de facto, o prêmio não lhe fez muita diferença, mas tem uma história muito interessante. Quando são convidados a ir a Estocolmo, podem levar convidados, naturalmente, e ele pensou em convidar a família próxima, filhos e netos. Uma das netas disse-lhe que se calhar não era boa ideia faltar à escola, podia perder alguma matéria importante, mas diz que comentou com o professor de Química que o avô tinha ganho o Prêmio Nobel da Química. O professor ficou louco, extremamente entusiasmado, muito mais do que todas as outras crianças. E claro que a aluna não perdeu nada ir a Estocolmo, só deve ter ganhado. O laureado acabou por dar palestras nas escolas dos vários netos para garantir que depois disso nenhum se ia sentir excluído. Thomas Tschek tinha 41 anos quando recebeu o Nobel, foi um dos mais jovens investigadores a receber na Universidade do Colorado e ele tem uma história deliciosa. Não se esquece do primeiro autógrafo. Aconteceu quando estava no supermercado a escolher laranjas. O supermercado que ele frequentava habitualmente era um anônimo, até que foi interrompido por alguém para lhe pedir não uma selfie, mas um autógrafo. Há alguns conselhos para os próximos laureados. Não andem por aí a mandar palpites sobre coisas que não sabem nada. Há uma tentação enorme.
Como resistir a essa tentação?
Exatamente, é um conselho importante.
Isso não acontece. Ninguém vai para as redes sociais falar do que não sabe.
Claro que não. Tente manter a sua vida a funcionar normalmente. Aproveite o primeiro ano porque vai receber imensos convites de entrevistas, documentários para viajar. Seize the day, aproveite o tempo e diz Thomas Tschek, só para terminar, tem um conselho: estejam preparados. Vai ser muito grande, vai ser uma semana, na cerimônia de atribuição, vai ser uma semana maravilhosa, jantares, brindes, palestras, visitas a diferentes partes da Suécia, numa estação em que a maioria dos turistas não vai, dezembro, em que o pôr do sol é o dia todo e, por isso, tirem partido, desfrutem desta oportunidade única da vida.
Só dura um ano também, não é? Porque não sei, obviamente, que a partir do momento em que são nomeados outros.
Para sempre Nobel.
Nobel é para sempre, mas a partir do momento em que há novos nomeados, esses passam a ser a nova estrela.
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