Do Maranhão a R$ 1,5 bilhão: aos 29, ela assumiu a rede de óticas da família e comanda 1.000 lojas
RESUMO | Ariane Diniz assumiu a presidência das Óticas Diniz em 2019, aos 29 anos, após uma sucessão familiar planejada. A rede, fundada em 1992 no Maranhão, faturou R$ 1,5 bilhão em 2025 e projeta R$ 1,7 bilhão em 2026. O crescimento prevê até 100 novas lojas, avanço em cidades menores e expansão do e-commerce.
A sucessão é um dos principais desafios das empresas familiares. Quando a troca de comando acontece em uma operação com centenas de unidades, a transição envolve manter a cultura criada pelo fundador e, ao mesmo tempo, preparar a empresa para uma nova fase de crescimento.
Foi esse o movimento das Óticas Diniz. Filha de Arione Diniz, fundador da rede, Ariane Diniz assumiu a presidência aos 29 anos, depois de uma transição planejada pela família. Hoje, sete anos depois, ela comanda uma operação com mais de 1.000 lojas, cerca de 400 franqueados e presença em aproximadamente 450 cidades.
A preparação começou antes da mudança de liderança. Em 2014, a família contratou uma consultoria para organizar a estrutura da companhia, criar um conselho e definir os papéis entre acionistas, conselheiros e executivos.
“Uma das grandes dificuldades das empresas é dar espaço para isso, entender o momento adequado para começar a conversar e estruturar”, diz Ariane.
A executiva assumiu a presidência em 2019, quando a rede já tinha presença nacional. Agora, o desafio é ampliar a escala sem perder o modelo de atendimento construído desde a primeira loja, aberta em São Luís, no Maranhão.
As Óticas Diniz faturaram R$ 1,5 bilhão em 2025 e projetam chegar a R$ 1,7 bilhão em 2026. Para crescer cerca de 13%, a companhia pretende abrir até 100 lojas, avançar em cidades menores e aumentar a participação do comércio eletrônico.
Da primeira ótica no Maranhão à rede nacional
A história das Óticas Diniz começou em São Luís, no Maranhão. Arione Diniz trabalhava como gerente de uma ótica, enquanto sua esposa atuava na área administrativa da mesma empresa. Depois que a companhia onde os dois trabalhavam faliu, o casal decidiu abrir o próprio negócio em 1992.
O crescimento inicial aconteceu pelo Nordeste, antes de a rede avançar para outras regiões do país. O movimento ajudou a construir uma operação que hoje está presente em todos os estados brasileiros.
Os filhos acompanharam a evolução da empresa. Bruno Diniz, irmão de Ariane, começou a trabalhar com o pai ainda jovem e participou da estruturação da franqueadora entre 2006 e 2007.
Ariane entrou oficialmente na empresa em 2014, quando a família já discutia a sucessão.
“No nosso caso, foi realmente algo bem estruturado, possível para cada um entender o seu papel e o seu momento”, diz.
Quando assumiu a presidência, em 2019, ela encontrou uma empresa consolidada. O desafio passou a ser profissionalizar processos e preparar a companhia para uma nova etapa sem romper com a identidade criada pelo fundador.
Hoje, Arione e Bruno participam do conselho de administração. A mãe de Ariane, que deixou a operação, integra o conselho familiar.
O desafio de administrar uma rede com mais de 1.000 lojas
O crescimento das Óticas Diniz trouxe uma dificuldade comum entre grandes redes de franquias: manter o padrão de atendimento em unidades administradas por diferentes empresários.
Os cerca de 400 franqueados da marca possuem, em média, mais de uma loja. Alguns já operam até 30 unidades.
Para apoiar essa rede, a companhia criou em 2017 a Universidade Diniz, programa de treinamento voltado a gestão, liderança e atendimento.
“A vida do empreendedor é muito dinâmica, cheia de dúvidas. Você quer implantar algumas coisas, mas o dia a dia consome”, diz Ariane.
Os treinamentos abordam temas como formação de equipes, gestão financeira e experiência do consumidor. A ideia é reduzir diferenças entre as unidades e ajudar os franqueados a administrar uma operação cada vez maior.
A preocupação com atendimento vem desde a primeira loja. Nos anos iniciais, os fundadores ofereciam suco de caju aos consumidores. Hoje, as unidades mantêm ações de relacionamento, com itens como café, água e doces. “A gente quer fazer com que as pessoas se sintam à vontade, em casa”, afirma.
Expansão das Óticas Diniz mira cidades menores
A abertura de novas lojas continua sendo uma das principais apostas da rede. Para 2026, a companhia pretende inaugurar até 100 unidades, com foco na Grande São Paulo, Rio de Janeiro, interior de Minas Gerais e Mato Grosso.
Uma das estratégias é o formato Slim, modelo criado para atender cidades menores. A unidade mantém produtos e serviços da rede tradicional, mas ocupa espaços menores e exige investimento inicial a partir de R$ 180 mil.
O formato é voltado principalmente para municípios com 30 mil a 40 mil habitantes. A companhia avalia levar o modelo para cidades ainda menores.
Segundo Ariane, o Slim é atualmente o formato com maior procura entre os franqueados.
Os próximos passos da Óticas Diniz
Além das lojas físicas, a companhia tenta aumentar a participação do comércio eletrônico. A empresa desenvolveu uma plataforma para conectar os produtos disponíveis nas unidades ao canal digital.
O desafio está na integração da operação. Cada loja trabalha com um estoque diferente de armações, e nem todas as unidades participam atualmente do comércio eletrônico.
“Ainda tem uma representatividade baixa, mas um potencial gigantesco”, diz Ariane.
A meta é digitalizar mais lojas e ampliar canais como WhatsApp e redes sociais. Em algumas cidades, vendedores passaram a produzir conteúdo para atrair consumidores locais e fortalecer o relacionamento com clientes.
A companhia também busca aumentar as vendas das lojas existentes por meio de parcerias com empresas e benefícios relacionados à saúde visual para funcionários.
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A próxima fase da rede depende do equilíbrio entre expansão física, digitalização e aumento da produtividade das lojas atuais.
Para Ariane, o desafio da segunda geração é manter uma operação construída ao longo de mais de três décadas e adaptar a empresa ao comportamento de um consumidor mais conectado.
A estratégia combina a abertura de novas franquias de óticas, o avanço do comércio eletrônico e a busca por novas formas de relacionamento com clientes.
A rede que começou em uma única loja no Maranhão agora tenta transformar escala em crescimento sustentável, sem perder o modelo de atendimento que ajudou a construir a marca.
Quem é Ariane Diniz?
Ariane Diniz é filha de Arione Diniz, fundador das Óticas Diniz, e assumiu a presidência da rede em 2019, aos 29 anos. Sete anos depois, ela comanda uma operação com mais de 1.000 lojas em todos os estados brasileiros.
Como foi organizada a sucessão nas Óticas Diniz?
A sucessão nas Óticas Diniz foi planejada pela família antes da troca de comando. Em 2014, uma consultoria foi contratada para organizar a companhia, criar um conselho e definir os papéis de acionistas, conselheiros e executivos.
Como surgiram as Óticas Diniz?
As Óticas Diniz foram fundadas em 1992, em São Luís, no Maranhão, por Arione Diniz e sua esposa. O casal abriu o negócio depois que a ótica onde ambos trabalhavam faliu.
Quanto faturam as Óticas Diniz?
As Óticas Diniz faturaram R$ 1,5 bilhão em 2025 e projetam alcançar R$ 1,7 bilhão em 2026. Para crescer cerca de 13%, a rede pretende inaugurar até 100 unidades e ampliar as vendas físicas e digitais.
Quanto custa abrir uma franquia Slim das Óticas Diniz?
O investimento inicial para abrir uma unidade Slim das Óticas Diniz parte de R$ 180 mil. O modelo ocupa espaços menores, mantém os produtos e serviços da loja tradicional e atende principalmente municípios com 30 mil a 40 mil habitantes.
Qual é a estratégia digital das Óticas Diniz?
A estratégia digital das Óticas Diniz consiste em integrar mais unidades ao e-commerce e ampliar o atendimento por WhatsApp e redes sociais. O comércio eletrônico ainda tem baixa representatividade, mas possui “potencial gigantesco”, segundo Ariane Diniz.
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