וואלהסעודיה: הופעלה התרעה מוקדמת בשארוורהESPN DeportesPuebla castigó al Necaxa en el añadido y se llevó la victoriaESPNSources: Bears, Swift agree to $33.75M extensionThe Jerusalem PostNYC Mayor Mamdani shares Rosh Hashanah message with Jewish communityPunchNCAA fines RwandAir N15mColliderKeanu Reeves' Bonkers 79% RT Fantasy Finds Redemption on StreamingLa TerceraLady Gaga se convierte en madre por primera vez junto a su novio Michael PolanskyHet Laatste NieuwsIrak ontslaat commandant na droneaanval op Saoedi-Arabië - Volledige westkust van Jemen in handen van Houthi’sNew Straits TimesShelton powers past Tiafoe to book US Open title clash with ZverevLenta.ruТакер Карлсон назвал способ отказаться от доллараEl ComercioJuntos por el Perú, Obras y Ahora Nación solicitan nuevo pedido de facultades legislativasThe Sydney Morning Herald‘One tough kid’: Boy, 15, found after days clinging to capsized boat in frigid water off Alaska
The Daily Newsstand · Free, Always
Saturday, September 12, 2026

Isabelle Coelho-Marques: "O impacto hoje é ainda maior"

Translate

Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

E aqui em Nova Iorque, nessa data, estava a Isabel Coelho Marques. A Isabel estava no Consulado Português aqui em Nova Iorque e pergunto-lhe, bem-vinda a esta emissão especial da Rádio Observador e obrigado por ter aceitado o nosso convite. Como é que foi esse dia?

Olá, obrigada pelo convite. O dia começou verdadeiramente muito lindo, um dia super claro, quente, mas com um toque já de frescura do ar, quase pré-outono. Um dia maravilhoso. Eu nesse dia eu vim de comboio.

Um bocadinho parecido com o que está hoje.

Um dia perfeito. Eu nunca mais voltei a viver um dia tão perfeito antes do dia 11 de Setembro, os ataques. Foi um dia mesmo muito lindo. Eu estava a viajar de comboio para o trabalho. Nesse dia eu tinha experimentado uns sapatos novos e apanhei bolhas nos pés. Quando cheguei à Grand Central Station, apanhei um táxi, porque os escritórios do Consulado-Geral de Portugal em Nova Iorque, nessa altura situavam-se no Rockefeller Center, mesmo de frente para St. Patrick's Cathedral, na Quinta Avenida.

Na Quinta Avenida.

Exato. A caminho do escritório, o taxista mencionou que tinha batido um avião contra uma das torres. E eu até desvalorizei, pensei que se calhar tinha compreendido mal. Mas a verdade é que nessa altura não reagi muito bem, mas vi que em um dos edifícios perto do Rockefeller Center, havia um banco que tinha telas de televisão em toda a fachada. E tinha muitas pessoas à volta a ver, só que eu nesse momento não me apercebi ao certo, só quando cheguei mesmo ao edifício onde trabalhava é que me disseram que realmente um avião tinha batido contra o World Trade Center. Eu prossegui para ir para o escritório. Quando cheguei ao escritório, pouco depois ficamos a saber que a segunda torre tinha sido também atacada. E o edifício foi evacuado. Quando chegamos à Quinta Avenida, depois de sairmos do edifício, a polícia estava a vir de carro, a pedir às pessoas para saírem do centro da cidade e que percorressem para as extremidades da ilha, junto à água. Comecei a andar para o lado do West Side Highway. Como são tantos edifícios tão altos, é difícil ver seja o que for, mas entretanto havia pessoas a dizer: "Uma torre caiu". O meu telefone não funcionava, uma linha não funcionava. E quando realmente cheguei ao West Side Highway, deparamo-nos realmente que já tinha aquelas cinzas todas no ar, parecia uma implosão total. E ali é que eu me apercebi que realmente aquilo tinha acontecido e acho que naquele entretanto também houve a segunda torre que depois logo de seguida caiu.

E foi recolhendo informação. Quando é que a Isabel percebeu que o mundo que conhecia tinha acabado de mudar? Foi logo nesse dia?

Eu acho que nesse próprio dia, que foi um choque tremendo. Eu lembro-me que ao sair de Nova Iorque, porque a polícia estava a pedir para que saíssem da cidade, eu vim de carro e o que eu deparei-me ao meu redor era olhava para os carros, que estava tudo encalhado, o trânsito estava todo parado, com tanta gente a tentar sair da cidade. E eu olhava ao meu redor dentro dos carros, não se via ninguém a falar, as pessoas estavam todas em estado de choque. Em contrapartida, a coisa que até magoa dizer, e eu na altura fiquei super chocada, é que tal e qual como havia um trânsito parado a tentarem sair de Nova Iorque, a fugirem da cidade, estava a vir e entrar para a cidade, na contramão, ambulâncias, bombeiros, carros de ajuda, também eles parados no trânsito, porque eram tantos. De onde eu vivia até o centro da cidade de Nova Iorque, são mais ou menos 35 minutos de distância, dependendo do tráfego, que às vezes pode ser maior. Nesse dia demorou-me quase sete horas e pouco para chegar a casa. Mas é uma distância que não é muito longa. Até chegar mesmo à minha casa, foi a única coisa que eu vi: ambulâncias, bombeiros, EMS, tudo a caminho da cidade, eu pensando que iam socorrer. Infelizmente, não foi o caso. Eu na altura tinha 29 anos e tinha sido mãe relativamente há pouco tempo e foi uma coisa que me chocou imenso, mas hoje, passados 25 anos, estou com 54. Eu acho que o impacto hoje, sendo mais velha e revivendo tudo isso, é ainda maior do que foi na altura, porque uma pessoa tem mais uma noção da mortalidade. Porque falamos de avanço da idade.

Exatamente, da finitude.

Exatamente. Então eu acho que o impacto foi o choque naquela altura, realmente, depois de ter trabalhado no dia seguinte, como trabalhávamos no Consulado de Portugal em Nova Iorque, havia aqueles pedidos de averiguação de paradeiros de portugueses que podiam estar desaparecidos. E na altura, os únicos dois funcionários que viviam em Nova Iorque era eu e o embaixador José Carlos Cruz Almeida, que viviam em Nova Iorque e que podiam vir trabalhar. Os outros colegas eram todos de New Jersey, então eles quando saíam da cidade não conseguiam regressar à cidade até uma semana depois, porque não é que foi banida, mas naquela altura estavam a pôr muitos bloqueios.

Era muito difícil.

Era muito difícil, então pediram para as pessoas não virem para dentro da cidade. Mas o nosso caso, como era uma missão diplomática, nós tínhamos que fazer essa averiguação.

View the original on Observador Desporto

KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.