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Friday, October 16, 2026

CEO do Giraffas sobre o fim da escala 6x1: 'A escala tradicional já representava um desafio'

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A rede de alimentação Giraffas já testava alternativas à escala 6x1 antes do avanço da redução da jornada, pois o modelo dificultava a atração de profissionais, afirma o CEO Carlos Guerra. A empresa avalia jornadas 5x2, 6x2, 12x36 e híbridas. Também prevê autoatendimento em toda a rede até o fim de 2026 para elevar a produtividade e preservar as margens.

O fim da escala 6x1 vai obrigar os restaurantes a reorganizar suas equipes para garantir mais dias de descanso aos funcionários sem comprometer o atendimento e a rentabilidade das operações.

Para a rede de restaurantes Giraffas, esse desafio não é exatamente uma novidade.

Antes mesmo de a proposta de redução da jornada avançar no Congresso, a empresa já estudava alternativas à escala tradicional. O motivo não era apenas o impacto sobre os custos. O modelo de trabalho também havia se tornado um obstáculo para atrair profissionais.

“Esse trabalho começou antes mesmo dos avanços na discussão legislativa, quando identificamos que a escala tradicional já representava um desafio para a atração de profissionais”, afirma Carlos Guerra, CEO do Giraffas.

Desde então, a rede passou a simular diferentes jornadas, considerando o tamanho das equipes e os custos de cada operação. Entre as alternativas estão escalas 5x2, 6x2, 12x36 e modelos híbridos.

O objetivo é encontrar uma combinação que permita manter os restaurantes funcionando sete dias por semana, sem comprometer a rentabilidade dos franqueados.

Como o Giraffas está se preparando para o fim da escala 6x1

Hoje, muitos restaurantes da rede já utilizam a escala 12x36. Além desse formato, o Giraffas apresenta aos franqueados alternativas como 5x2, 6x2 e modelos híbridos.

A escolha depende das características de cada unidade. Um restaurante localizado em um shopping, por exemplo, pode ter uma distribuição de movimento diferente de uma operação de rua. A necessidade de funcionários também muda conforme os horários de almoço, jantar e os dias de maior demanda.

Por isso, a rede não pretende adotar uma única solução para todos os estabelecimentos.

“Não existe um modelo único para toda a rede, porque cada operação tem suas características e seus períodos de maior movimento”, afirma Guerra.

Segundo o executivo, a empresa já realizou simulações de diferentes jornadas, considerando o dimensionamento das equipes e os impactos sobre os custos operacionais.

Com o avanço da proposta de redução da jornada, essas alternativas estão sendo revistas para incorporar as possibilidades previstas nas novas regras trabalhistas.

A mudança aprovada pelo Congresso prevê a redução gradual da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, sem diminuição salarial, além de dois dias de descanso remunerado por semana.

Para redes de alimentação, que precisam manter equipes trabalhando aos sábados, domingos e feriados, a reorganização exige atenção especial aos horários de maior movimento.

Mais folgas, mas sem deixar o restaurante descoberto

Uma das possibilidades avaliadas pelo Giraffas é distribuir as folgas de acordo com o comportamento da demanda.

Na prática, isso significa organizar as equipes para concentrar mais funcionários nos períodos de maior movimento, respeitando os limites legais de jornada e descanso.

O desafio é evitar que a mudança resulte em falta de pessoal justamente nos horários em que os restaurantes mais vendem.

“O principal cuidado é encontrar soluções que atendam às necessidades dos colaboradores sem comprometer a qualidade do atendimento e a sustentabilidade dos restaurantes”, afirma Guerra.

A rede também utiliza profissionais contratados em regime intermitente para reforçar determinadas operações nos fins de semana e horários de pico.

Nesse modelo, os trabalhadores são convocados conforme a necessidade do estabelecimento, observadas as regras específicas dessa modalidade de contratação.

A combinação de diferentes jornadas é uma das alternativas estudadas para dar flexibilidade aos franqueados. A viabilidade de cada formato, porém, dependerá das regras trabalhistas aplicáveis.

A preocupação com os custos e a reorganização das equipes não se limita ao Giraffas.

A Associação Nacional de Restaurantes (ANR) também acompanha os impactos da redução da jornada sobre um setor que precisa manter as operações funcionando aos fins de semana e feriados.

Para Fernando Blower, presidente executivo da entidade, o momento exige uma adaptação cuidadosa das empresas, com atenção às particularidades de cada operação e às possibilidades previstas nas convenções coletivas e nos acordos sindicais.

Além da reorganização das jornadas, a associação defende ampliar a discussão sobre formas alternativas de contratação, como o trabalho por hora, para dar mais flexibilidade aos restaurantes.

A proposta, segundo a ANR, é buscar soluções que permitam ao setor continuar gerando empregos e investindo, sem desconsiderar as relações de trabalho.

A aposta na tecnologia para preservar as margens

A reorganização das equipes não é a única frente de adaptação do Giraffas. A rede também está investindo em mudanças operacionais para reduzir a complexidade do trabalho dentro dos restaurantes e aumentar a produtividade.

Uma das iniciativas é transferir parte das etapas de preparo dos alimentos para a indústria. Com isso, determinadas atividades chegam previamente realizadas às unidades, simplificando a rotina das cozinhas.

Outra aposta está nos terminais de autoatendimento, que permitem aos clientes realizar os pedidos diretamente nas máquinas. A previsão é levar a tecnologia a 100% da rede até o final de 2026.

“Também enxergamos esse cenário como uma oportunidade para aprimorar processos e ganhar eficiência”, afirma Guerra.

Segundo o executivo, essas iniciativas ajudam a reduzir a complexidade da operação, aumentar a produtividade e preservar as margens dos franqueados.

A lógica é que, quanto mais simples e eficiente for a rotina dos restaurantes, maior será a capacidade de reorganizar as equipes sem comprometer o atendimento.

Isso não significa, porém, que a tecnologia eliminará a necessidade de contratações. O Giraffas não informou quantos funcionários adicionais poderão ser necessários nem qual será o impacto financeiro da redução da jornada sobre a rede.

O desafio de manter a operação funcionando

Para Guerra, a discussão sobre o fim da escala 6x1 vai além da quantidade de dias trabalhados. A mudança exige que os restaurantes revisem a forma como distribuem tarefas, organizam equipes e atendem os clientes.

Em um setor marcado pelo funcionamento aos fins de semana e por picos de demanda, a solução passa por combinar diferentes modelos de jornada com ganhos de produtividade.

O Giraffas ainda avalia quais formatos serão mais adequados à realidade de cada franqueado. A rede não apresentou uma estimativa consolidada de aumento de custos ou de novas contratações.

“Mais do que ajustar escalas, o desafio é encontrar formas mais eficientes de organizar o trabalho, oferecendo boas condições aos colaboradores e mantendo a qualidade da experiência dos clientes”, afirma Guerra.

A aposta da companhia é que a preparação antecipada e os investimentos em eficiência ajudem a reduzir os impactos da nova jornada sobre a operação.

Para os franqueados, a conta será encontrar o equilíbrio entre dar mais descanso aos funcionários, manter os restaurantes abertos e preservar a rentabilidade do negócio.

Calculadora do fim da escala 6x1

'Perguntas frequentes'

Como o Giraffas está se preparando para o fim da escala 6x1? +

O Giraffas simula jornadas 5x2, 6x2, 12x36 e modelos híbridos, com análise do tamanho das equipes e dos custos operacionais. Segundo o CEO Carlos Guerra, cada restaurante poderá adotar uma solução diferente conforme seus períodos de maior movimento.

Por que a escala 6x1 já era um desafio para o Giraffas? +

A escala 6x1 dificultava a atração de profissionais antes mesmo do avanço da discussão legislativa, afirma Carlos Guerra. Por esse motivo, o Giraffas já buscava jornadas alternativas.

O que muda com a redução da jornada de trabalho? +

A mudança aprovada pelo Congresso prevê a redução gradual da jornada máxima de 44 para 40 horas semanais, sem diminuição salarial. O texto também estabelece dois dias de descanso remunerado por semana.

Como o Giraffas pretende manter os restaurantes abertos nos horários de pico? +

O Giraffas avalia distribuir as folgas conforme a demanda e combinar diferentes jornadas para concentrar mais funcionários nos períodos de maior movimento. A rede também utiliza trabalhadores intermitentes para reforçar algumas operações nos fins de semana e horários de pico.

Como a tecnologia pode ajudar o Giraffas a preservar as margens? +

O Giraffas transfere parte do preparo dos alimentos para a indústria e pretende instalar terminais de autoatendimento em 100% da rede até o fim de 2026. Segundo Carlos Guerra, as iniciativas reduzem a complexidade operacional, aumentam a produtividade e ajudam a preservar as margens dos franqueados.

O fim da escala 6x1 exigirá novas contratações no Giraffas? +

O Giraffas não informou quantos funcionários adicionais poderão ser necessários. A rede também não apresentou uma estimativa consolidada do impacto financeiro da redução da jornada.

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