França em crise: Macron faz declaração esta noite

O Presidente francês fará esta noite uma declaração ao país, transmitida pela televisão, numa altura em que as marchas e protestos de sábado por toda a França contra o elevado custo de vida desencadearam atos de violência e destruição material
O Palácio do Eliseu anunciou que Emmanuel Macron se dirigirá aos franceses às 20h00 (19h00 em Lisboa). Antes, estava previsto que o primeiro-ministro, Sébastien Lecornu, presidisse a uma célula de crise dedicada às consequências destes atos de violência, mas foi adiada para segunda-feira de manhã, adianta o Le Monde. O jornal francês refere também que as causas para o adiamento se devem a uma reunião no Eliseu marcada para as 17h30 (16h30 em Lisboa) e que contará com a presença de Macron e de vários ministros.
As autoridades francesas condenaram a desordem e a violência ocorridas durante os protestos de sábado nas principais cidades do país, que terão afetado 1.500 comerciantes e causado centenas de milhões de euros em prejuízos.
Ao todo, já foram detidas cerca de 1.800 pessoas em todo o país, 855 em Paris, um “número recorde”, aponta a polícia. Mais de 500 ainda se encontram sob custódia policial, 171 das quais menores de idade. Há também a registar mais de 500 polícias, gendarmes e bombeiros feridos nos protestos deste sábado, informou o ministro do Interior, Laurent Nuñez.
Quer o número de detidos, quer o de feridos continua a ser provisório, advertiu o ministro. A AFP afirma que não há, para já, estimativas sobre o número de manifestantes feridos durante os confrontos violentos. Um caso, no entanto, está a correr a imprensa francesa, de um jovem de 17 anos que perdeu uma mão devido a uma granada de atordoamento disparada pela polícia em Saint-Étienne. A inspeção da gendarmaria e a da polícia nacional já foram acionadas para investigar o caso, noticia a BFMTV.
Entre os danos materiais registados um pouco por todo o país, destaca-se a câmara municipal de Limoges, edifício do século XIX que foi “praticamente destruído” pelas chamas, lamentou o autarca da cidade. Em Bordéus, a residência oficial do presidente do departamento de Gironda foi saqueada durante os tumultos, ao passo que em Lille e em Marselha, as câmaras municipais foram invadidas e vandalizadas.
Perante os atos de violência registados nos protestos de sábado — nos quais 550 mil pessoas saíram à rua, segundo o Ministério do Interior (mais de 800 mil, segundo os organizadores) —, Macron publicou uma declaração para condenar a violência e garantir que os autores serão “perseguidos e punidos”.
O Presidente francês sublinhou também o seu apoio às forças policiais, “garantes do direito à manifestação”, que, tal como nas semanas anteriores durante as manifestações estudantis, voltaram a estar no centro das críticas.
Não obstante esta crise, Macron tem agendada, a partir desta segunda-feira, uma deslocação por vários países do Golfo Pérsico (Kuwait, Emirados Árabes Unidos, Bahrein e Qatar) para abordar o conflito desencadeado na região pelos ataques, desde o final de fevereiro, dos Estados Unidos e de Israel contra o Irão.
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