As 10 melhores músicas de todos os tempos, segundo Bob Dylan

Do “maior instrumental de todos os tempos” ao “melhor cover de uma música minha”, o vencedor do Nobel de Literatura elegeu, em diferentes momentos, os sons que mais o marcaram
Kadu Soares (@kadusoares__)
Bob Dylan nasceu Robert Allen Zimmerman, em 1941, em Duluth, Minnesota, e escolheu o próprio nome em homenagem ao poeta galês Dylan Thomas — um primeiro gesto de alguém que passaria a vida transformando palavras em território. Ao longo de mais de seis décadas, escreveu mais de 600 músicas e atravessou diferentes fases: a música folclórica dos anos 1960, o rock elétrico que dividiu plateias em Newport, a música sertaneja de Nashville Skyline (1969) e a fase de música cristã dos anos 1980. Depois, voltou a contar histórias — sempre no próprio ritmo.
Sua influência pode ser rastreada em gerações de artistas, de Bruce Springsteen a Kendrick Lamar. Por isso, quando Dylan elogia uma música que não é sua, vale prestar atenção. Em diferentes ocasiões — em prefácios de livros, entrevistas ao New York Times, no programa de rádio Theme Time Radio Hour (2006) e em conversas com a Rolling Stone, reunidas pela FarOut Magazine —, ele revelou algumas das canções que realmente o marcaram.
A música que Dylan chamou de “a maior já escrita” não é de Lennon nem de Chuck Berry: é “Wichita Lineman” (1968), composta por Jimmy Webb e gravada por Glen Campbell. A frase aparece na capa do livro Wichita Lineman: Searching in the Sun for the World’s Greatest Unfinished Song (2019) — cinco palavras, sem contexto ou explicação adicional. Talvez por isso a declaração tenha um peso incomum.
A canção retrata a solidão de um operário de linha telefônica apaixonado e foi reconhecida pela Rolling Stone como uma das 200 maiores canções sertanejas de todos os tempos. Dylan nunca a tocou ao vivo — um fato que, curiosamente, só aumenta a reverência em torno do elogio.
Para o título de “melhor instrumental de todos os tempos”, Dylan escolheu “Rumble” (1958), de Link Wray, faixa que chegou a ser banida das rádios norte-americanas sob a alegação de que sua guitarra distorcida poderia incitar a violência. Dylan não ficou apenas nas palavras: em 2005, pouco depois da morte de Wray, abriu cinco apresentações consecutivas em Londres com sua própria versão da música.
Em entrevista à Rolling Stone, também destacou “I Want to Hold Your Hand”, dos Beatles, como exemplo de sofisticação disfarçada de simplicidade: “Os acordes deles eram absurdos, absolutamente absurdos, e as harmonias tornavam tudo válido”.
Dos Eagles, elegeu “Pretty Maids All in a Row” como potencialmente “uma das melhores canções já escritas”. Sobre Joan Baez, disse que “Diamonds and Rust” (1975), reflexão da cantora sobre o fim do relacionamento dos dois, ainda o impressiona: “Ser incluído em algo que a Joaney escreveu, até hoje isso me impressiona”.
O elogio mais extenso da lista foi para Randy Newman. Em uma entrevista de 1991, Dylan afirmou: “Não fica melhor do que ‘Louisiana 1927’ ou ‘Sail Away’. Não fica. É como um tema de hino heroico e clássico”. Também situou Newman na história da música: “Penso nele como o Príncipe Herdeiro, o sucessor de Jelly Roll Morton. Seu estilo é enganoso. Ele é tão discreto que você quase esquece que está dizendo coisas importantes”.
Já ao falar de sua versão favorita de uma música própria, Dylan surpreendeu: não escolheu Jimi Hendrix em “All Along the Watchtower”, mas Johnny Rivers em “Positively 4th Street”. “De todas as versões das minhas músicas gravadas, a do Johnny Rivers foi minha favorita. Era óbvio que éramos da mesma parte da cidade”.
Glen Campbell — “Wichita Lineman”
Link Wray — “Rumble”
The Beatles — “I Want to Hold Your Hand”
The Eagles — “Pretty Maids All in a Row”
Randy Newman — “Sail Away”
Randy Newman — “Louisiana 1927”
Joan Baez — “Diamonds and Rust”
Johnny Rivers — “Positively 4th Street”
Skip James — “Devil Got My Woman”
Leonard Cohen — “Hallelujah”
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Kadu Soares é formado em Jornalismo pela Faculdade Cásper Líbero, possui um perfil no TikTok e um blog no Substack, onde faz reviews de projetos musicais.
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