11h. Acampada. PSP garante que força usada foi proporcional
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Está a começar o Jornal das 11 com a edição do Vasco Maldonado Correia. Vasco, o Presidente da República exige explicações imediatas do governo e da Provedoria de Justiça sobre a carga policial que aconteceu esta madrugada, em Lisboa e no Porto, nos protestos pelo direito à habitação.
Fonte oficial de Belém indica que António José Seguro exigiu esclarecimentos detalhados sobre o que se passou na última noite nas acampadas. Os pedidos foram remetidos ao Executivo, também à Provedoria de Justiça, que acompanhou os acontecimentos no terreno através do mecanismo de prevenção. A PSP voltou a intervir com força por volta das 4h30 da manhã, em simultâneo, na Praça do Rossio, em Lisboa, e na Praça Dom João I, no Porto. Dessa operação, resultam 13 detidos no total. Já todos, nesta altura, em liberdade. O movimento da acampada reporta mais de meia centena de feridos, com alguns manifestantes a terem mesmo de ser transportados para o hospital.
Entretanto, Vasco, a representação legal dos manifestantes promete levar o caso até às últimas consequências. O advogado da acampada de Lisboa anunciou uma queixa-crime contra o ministro da Administração Interna e contra o diretor nacional da PSP.
Ricardo Sá Fernandes classifica a intervenção como ilegal e desproporcional. Acusa Luís Neves e Pedro Moura da prática de crimes contra quem estava a protestar.
Estes jovens e outros menos jovens não cometeram nenhum crime. Quem cometeu crimes aqui foram o ministro da Administração Interna, Luís Neves, e o diretor nacional da PSP, Coelho Moura. E cometeram crimes. Que crimes? Crimes de abuso de poder, porque não tinham o direito de fazer a intervenção que fizeram. É uma intervenção absolutamente desnecessária, desproporcional, ilegal, contra a lei, contra a Constituição. Nós vamos participar criminalmente contra o ministro da Administração Interna e contra o diretor nacional da PSP.
O advogado Ricardo Sá Fernandes apela ainda a uma intervenção direta do Presidente da República.
Isto foi uma noite negra na história da democracia portuguesa. Nós, os portugueses, os democratas, não podemos ficar silenciados com esta situação. Eu espero que desta vez o Presidente da República tome uma posição enérgica, porque isto põe em causa o funcionamento normal da democracia em Portugal.
E como já ouvimos neste jornal, o Presidente da República já veio exigir esclarecimentos tanto ao governo como à Provedoria de Justiça. Fica essa exigência de Ricardo Sá Fernandes, representante legal do movimento Acampada, esta manhã à porta da esquadra do Martim Moniz local, para onde foram levados os detidos em Lisboa, entretanto já todos libertados.
E a PSP admite que realizou uma operação musculada, mas garante que a força usada foi proporcional.
É o que diz o subintendente Sérgio Soares, que assegura que a intervenção se justificou perante a resistência dos manifestantes. Recusa, por isso, que a carga policial tenha sido desproporcional.
Se me pergunta se há algum tipo de uso da força mais extremo, diria que sim, para consumar o nosso avanço para a retirada dos manifestantes. Todavia, a nossa intervenção tentou ser o mais proporcional, adequada e necessária possível para evitar males maiores e para evitar ofensas à integridade física nos manifestantes. Todavia, tivemos que empregar a força física que vocês verificaram, tendo em conta a resistência muito ativa por parte dos manifestantes.
De acordo com a polícia, as pessoas concentradas nas duas praças recusaram desmobilizar, mesmo depois de três avisos expressos para retirarem as tendas. O porta-voz da PSP sublinha que a polícia procurou o diálogo até ao limite, mas sem sucesso.
Essa via foi esgotada, porque também estivemos cerca de três horas, mais ou menos, a tentar dialogar e a negociar com os manifestantes. E quando decidimos intervir, depois de esgotados todos estes momentos e quando verificamos que, de facto, os manifestantes não iam aceder às nossas solicitações, foi nesse momento que decidimos colocar o corpo de intervenção no terreno.
Sérgio Soares revela ainda que 13 agentes da PSP sofreram ferimentos, necessitaram de tratamento hospitalar. A PSP reagiu também à polêmica no Porto, onde estiveram no terreno agentes à paisana. O porta-voz Sérgio Soares confirma que houve um polícia descaracterizado a exibir uma arma de fogo como meio de dissuasão. Foi um dos momentos de maior tensão da madrugada na cidade invicta, acompanhado pelo repórter do Observador, Miguel Pinheiro Correia.
Ao contrário do que se verificou na semana passada, os manifestantes reuniram-se na Avenida dos Aliados, até que houve novo momento de tensão, porque enquanto uns manifestantes grafitavam a fachada da Câmara Municipal do Porto, apareceram uns civis que alguns manifestantes identificaram como sendo polícias à paisana, que com bastões extensíveis tentaram impedir esses manifestantes que faziam os grafites e prontamente, também como observou o Observador e como registaram também muitas câmeras no local, um desses civis identificados como sendo um paisana da polícia pegou numa arma de fogo, numa pistola, e tentou afastar os manifestantes, que entretanto foram na direção desse civil, de outros também que não estavam fardados.
Relato do repórter Miguel Pinheiro Correia, que esteve no Porto. Já em Lisboa, os manifestantes atiraram objetos pirotécnicos contra o corpo de intervenção da PSP. Momentos de tensão acompanhados nas últimas horas aqui na antena da Rádio Observador. Esta manhã, tanto a Praça do Rossio, em Lisboa, como a Praça Dom João I, no Porto, já foram limpas pelos serviços das câmaras municipais. Entretanto, importa dizer, João, há aqui uma notícia de última hora que o movimento A Acampada de Lisboa convocou para esta tarde uma nova manifestação, uma concentração agendada para às 17h, mais uma vez no Rossio. O movimento quer essa concentração contra a violência policial e pela habitação.
E Pedro Nuno Santos não poupa nas críticas. O antigo líder do PS diz que nada justifica a carga policial desta madrugada.
No vídeo publicado nas redes sociais, o antigo secretário-geral do Partido Socialista arrasa a atuação da PSP e descreve esse momento como uma operação inaceitável e atribui culpas ao governo.
Uma semana depois, as forças de segurança voltam a carregar sobre manifestantes pacíficos em Lisboa e no Porto. Não se passou nada que justificasse mais esta carga policial. As autoridades podiam ter esperado que as manifestações acabassem por desmobilizar espontaneamente, como é óbvio que acabaria por acontecer. Não foi essa a decisão. As autoridades, as forças de segurança, mas com certeza também o governo, optaram, escolheram reprimir pela força o direito ao protesto, o direito à manifestação. Os responsáveis pela desordem nesta madrugada não foram os manifestantes. Foram as forças de segurança e quem lhes deu a orientação para atuarem desta maneira. Por quanto mais tempo vamos permitir que isto continue a acontecer no nosso país? O que o governo pensa fazer para acabar com estas cargas policiais?
Condenação forte por parte de Pedro Nuno Santos, antigo líder do Partido Socialista, aqui numa mensagem deixada nas redes sociais. O atual secretário-geral do PS vai reagir daqui a menos de uma hora. Está marcada uma intervenção para o meio-dia. José Luís Carneiro tem essa conferência de imprensa que vai acontecer na sede da Federação Distrital do PS, no Porto.
11h08. Vasco, que outras notícias vão marcando a atualidade a esta hora?
O ministro da Economia e da Coesão Territorial começa hoje uma visita oficial de três dias à Venezuela. O objetivo é reforçar as relações políticas e econômicas entre os dois países. De acordo com o comunicado enviado às redações, Manuel Castro Almeida vai participar em vários encontros com as autoridades venezuelanas e com representantes da comunidade portuguesa residente no país. É uma notícia que vamos continuar a acompanhar ao longo dos próximos dias. Volodymyr Zelensky denuncia novos ataques russos contra infraestruturas energéticas da Ucrânia. Isto durante a última madrugada. Denúncia feita através de uma publicação na rede social X. Os ataques atingiram quatro regiões do país, deixaram centenas de milhares de pessoas sem eletricidade. Perante a intensificação da ofensiva, o presidente ucraniano volta a pedir aos Estados Unidos e à Europa mais sistemas de defesa aérea, nomeadamente mísseis Patriot. Zelensky diz que as entregas de armamento não podem demorar anos. É necessária a implementação de decisões sobre as defesas aéreas da Ucrânia. No futebol, 10 vitórias em 10 jogos, o Porto só sabe vencer no campeonato. Goleou ontem o último classificado, o Estoril, por 4 x 0, no Estádio do Dragão. O Porto soma agora 30 pontos em 30 possíveis na tabela classificativa. Tem mais oito do que o segundo lugar, o Benfica, que joga amanhã frente ao Alverca na Luz e pode então encurtar essa distância para cinco pontos. É um tema que vai estar em análise já daqui a pouco no "E o Campeão É", depois das 23h30.
Foi o Jornal das Onze com edição do Vasco Maldonado Correia.
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