Netanyahu sobrevive, "proíbe" árabes no governo e ataca Irão

Depois da uma da manhã, houve projeções que foram corrigidas com base nos resultados oficiais e a tendência inverteu-se. Duas projeções dão os dois blocos empatados, com 51 deputados. E a projeção atualizada do canal 12 atribui 52 deputados à coligação de Netanyahu e 49 ao bloco da oposição liderado por Eisenkot.
Primeira consequência: muito do que tinha sido até aí pelos líderes dos partidos da oposição e por comentadores ficou rapidamente desatualizado.
Segunda consequência: Benjamin Netanyahu fez esperar as dezenas de apoiantes que se concentraram no Centro de Conferências de Jerusalém até depois das 3 da manhã, possivelmente para recolher mais informação e afinar o discurso.
Terceira consequência: como líder do partido mais votado e com hipóteses reais de a sua coligação empatar ou superar os votos do bloco de Eisenkot, pôde simplesmente ignorar o desafio que lhe tinha sido lançado 3 horas antes pelo principal adversário, para se demitir do cargo e abrir espaço a uma eventual aliança do Likud com Eisenkot, que não o obrigue a ficar refém do apoio dos partidos árabes.
Quarta consequência: estes resultados eleitorais conduzem a uma barafunda política, que não permite vislumbrar nenhuma forma simples de algum bloco conseguir a maioria de 61 deputados, que permita viabilizar um novo governo.
Quinta consequência: de repente, a consequência número 4 pode nem ser assim tão importante, porque Benjamin Netanyahu passou o início do seu discurso de vitória a justificar a nova guerra com o Irão, que deve estar para começar depois das midterms da próxima terça-feira nos Estados Unidos.
O anúncio da guerra final contra o Irão, “com o maravilhoso amigo Trump”
Tudo a pensar em coligações e negociações de bastidores para chegar a uma maioria de 61 deputados, mas Netanyahu não começou por nada disso, quase como se a governação fosse uma questão menor. “Estamos a realizar prodígios que mudaram o rosto do Médio Oriente”, afirmou o primeiro-ministro israelita, enumerando a seguir os alvos abatidos no Hamas e no Hezbollah.
“Subjugámos o regime iraniano, levámo-lo à beira do abismo. O Irão está mais fraco do que nunca, Israel está mais forte do que nunca!”, proclamou Netanyahu, antes de anunciar o que parece iminente: “Meus amigos, isto ainda não terminou. (…) Com as nossas forças, juntamente com o nosso maravilhoso amigo, o Presidente Trump, iremos remover esta ameaça de uma vez por todas!”
A Casa Branca terá impedido o ataque ao Irão antes das eleições em Israel, contrariando o que teria sido o desejo de Netanyahu. Se esta nova guerra tivesse começado em plena campanha, poderia ter dramatizado ainda mais o ato eleitoral, ou mesmo posto em causa a sua realização — o que levou até a um alegado desentendimento entre o primeiro-ministro e o seu Chefe do Estado-Maior das Forças de Defesa de Israel, que se terá mostrado contra o lançamento da operação.
Mas já circulam relatos na imprensa de que os Estados Unidos avisaram aliados do Golfo de que poderão começar o ataque ao Irão depois das midterms.
Partidos árabes no governo? Netanyahu avisou três vezes que é proibido
As consequências de uma nova guerra tornam ainda mais imprevisível o processo de formação de um novo governo. Netanyahu alerta contra qualquer cenário que torne o futuro político do país dependente dos dois partidos árabes, que viram crescer a sua representação de 10 para 18 deputados, e são um dos vencedores aritméticos destas eleições.
A ideia é já condicionar politicamente a hipótese de Eisenkot fazer um acordo com os dois partidos, cujos líderes deram sinais esta noite nos seus discursos de que o mais importante é afastar Netanyahu.
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