O plano do SP Open para transformar o Brasil na vitrine do tênis: 'Um país sexy para investidores'
O SP Open pretende transformar o retorno de um torneio feminino de alto nível a São Paulo em uma plataforma permanente para atletas e patrocinadores. Após uma primeira edição com ingressos esgotados, a organização busca consolidar o evento no circuito da WTA e já admite a ambição de, no médio e longo prazo, subir da atual categoria 250 para a 500.
Em entrevista à EXAME, Luiz Carvalho, co-diretor do SP Open, a recepção do público e das jogadoras em 2025 ajudou o torneio a atrair um grupo mais forte de atletas para a segunda edição.
“O ambiente do evento em 2025 foi o ponto alto: a energia do público, o engajamento das pessoas, os ingressos todos vendidos, mas também não só isso, a quadra lotada o tempo inteiro, apoiando as brasileiras e as outras jogadoras também”, afirma.
Na avaliação do executivo, o desempenho da primeira edição também melhorou a reputação do campeonato entre as atletas. “Em 2026, a gente acredita que teve um lineup mais forte e é muito em virtude de ter entregado um ano tão positivo. As jogadoras entenderam que esse é um evento em que elas gostam de estar, que elas gostam de jogar e em que se sentem bem.”
A estratégia passa agora por ampliar a presença de marcas, aprimorar a experiência do público e manter o SP Open no calendário por um período longo. O torneio também busca se posicionar como uma vitrine capaz de gerar oportunidades comerciais para as tenistas brasileiras durante toda a temporada.
“A ambição é que a gente fique aqui por mais 10, 15, 20 anos, que consiga crescer de nível e que continue dando todo esse holofote para as tenistas, que elas merecem ter nesse período no Brasil”, diz Carvalho.
SP Open quer subir para a categoria WTA 500

Carolina Meligeni, tenista brasileira, compete no SP Open 2026. (SP Open/Divulgação)
A possibilidade de elevar o nível do torneio já está no radar dos organizadores. A mudança, porém, depende da obtenção de uma licença para a categoria 500 e não deve ocorrer no curto prazo.
“Nós somos ambiciosos, mas também somos humildes e temos os pés no chão. Já é um prêmio para a cidade ter um WTA 250. Pouquíssimas cidades do mundo têm um WTA no calendário, então já é um presente para São Paulo e para o Parque Villa-Lobos ter esse evento aqui”, afirma.
Além da capital paulista, o executivo vê o Brasil como um ambiente propício para impulsionar a modalidade, ganhando a atenção de mercados no exterior, onde o esporte já é tradicional.
"O Brasil é um país sexy para quem está lá fora, desperta muito interesse de investidores e grandes empresas", declara.
Carvalho reforça que a organização pretende buscar uma posição superior no circuito, mas mantém cautela em sua operação.
“A gente tem planos ambiciosos para tentar um dia crescer de categoria e se tornar um 500. Acho que esse é um plano nosso de médio e longo prazo. Sabemos que não é de um dia para o outro, sabemos que não é simplesmente querer. É necessário buscar no mercado uma licença de um 500 para poder fazer isso.”
Para o executivo, cada edição bem-sucedida aumenta a credibilidade do SP Open perante o circuito e o mercado. O avanço, segundo ele, deverá ocorrer de maneira sustentável.
“Não acho que seja algo de curto prazo, mas, com a evolução das tenistas e da plataforma, é um objetivo claro nosso que vamos buscar nos próximos anos.”
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Torneio busca mais marcas e amplia exposição das atletas

Paula Badosa, tenista espanhola, no SP Open 2026. (SP Open/Divulgação)
Além do aspecto esportivo, a organização trabalha para posicionar o campeonato como uma plataforma de entretenimento e comunicação para patrocinadores. A intenção é atrair empresas líderes em seus segmentos e oferecer oportunidades de exposição que ultrapassem a semana de disputa.
“A consolidação do evento como um todo, buscando essa plataforma de entretenimento que dá visibilidade ao tênis feminino brasileiro, é um objetivo claro para nós. Queremos seguir buscando formas de crescer como evento, não só como espaço, mas como plataforma, com visibilidade e com mais marcas patrocinando”, afirma Carvalho.
Segundo o executivo, patrocinadores que inicialmente se aproximaram do torneio passaram a investir diretamente em jogadoras brasileiras. Esse movimento permite que as marcas estendam a comunicação ao longo do ano e, ao mesmo tempo, oferece melhores condições para as atletas manterem equipes profissionais.
“Você tem marcas que apoiaram o SP Open, mas viram a oportunidade de apoiar as tenistas para poder estender esse plano de comunicação, essa plataforma, durante 52 semanas por ano. Com isso, essa bola de neve começa a crescer”, diz.
O aporte pode ter impacto direto na carreira das jogadoras, especialmente em um esporte que exige viagens internacionais constantes e equipes multidisciplinares.
“Com mais investimento, elas conseguem viajar com fisioterapeuta, e isso tudo ajuda a carreira delas. É uma bola de neve que segue crescendo por todas as partes por meio do SP Open, dando essa plataforma de visibilidade.”
A retenção dos patrocinadores, segundo Carvalho, dependerá da capacidade de criar conexões entre público, atletas e empresas.
“Buscamos ser um evento de qualidade. Queremos que as pessoas que vêm ao SP Open saiam com a sensação de que não devemos nada a nenhum grande evento de tênis internacional, guardadas as devidas proporções de tamanho”, afirma. “Vamos sempre buscar como melhorar a qualidade e a experiência do público, criar conexões das atletas com as pessoas, principalmente com o público mais jovem, e entregar a visibilidade que os patrocinadores buscam para conseguir retê-los no SP Open por muitos anos.”
Como o SP Open escolhe suas estrelas
A formação da chave envolve três frentes. A primeira contempla atletas de destaque que recebem investimento financeiro para participar. Nesse grupo, a organização avalia a popularidade, a personalidade e a capacidade de interação com os torcedores.
“O brasileiro gosta de ver tenistas que se engajam com o público, que mostram emoção e que têm um tipo de interação um pouco maior. Esse é um ponto que levamos em consideração. O outro, obviamente, é a popularidade no Brasil”, diz Carvalho.
A segunda frente reúne atletas que não são contratadas diretamente, mas são cortejadas pela organização durante a temporada. Integrantes da equipe percorrem entre 15 e 20 torneios por ano para manter contato com jogadoras, treinadores e empresários.
“A maioria se inscreve por conta própria. Vem pelo prêmio, pelos pontos, mas também pelo ambiente, porque gosta do país ou da organização. A nossa equipe está sempre viajando para os torneios e falando com as jogadoras”, afirma.
Na tentativa de convencer as atletas, o SP Open vende não apenas a competição, mas também São Paulo e a experiência oferecida fora das quadras.
“O Brasil é um mercado em ascensão. São Paulo é uma cidade incrível, que oferece várias opções culturais e gastronômicas. Falamos muito do público, da quadra lotada, de que as jogadoras gostam muito, da comida e da parte cultural, da possibilidade de vivenciar um pouco do que é o Brasil.”
A terceira frente é composta pelas brasileiras. A organização mantém contato frequente com atletas, equipes técnicas e empresários para garantir que o torneio seja uma das principais oportunidades de exposição das atletas no país.
“É uma oportunidade única. Tenho certeza de que as brasileiras tentam dar o melhor delas e chegar ao nível mais alto no SP Open, exatamente pela relação que têm com o torneio, com o público, com a família e com os amigos.”
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Plataforma para formar atletas e aumentar o funil do tênis
O torneio voltou a colocar São Paulo no calendário feminino após 25 anos sem receber uma competição desse nível. Para Carvalho, um dos principais legados será aproximar as profissionais de jovens atletas e ampliar a base de praticantes.
“Um dos principais legados do SP Open é fomentar o tênis feminino e dar uma plataforma para elas terem visibilidade perante o público, os patrocinadores e a mídia”, afirma.
Entre as iniciativas está o Rising Stars, torneio para meninas de até 14 anos. A proposta é permitir que jovens brasileiras acompanhem de perto atletas que já disputam os principais campeonatos internacionais.
“É essa experiência que queremos dar a essas meninas brasileiras: ver as jogadoras e falar ‘eu consigo chegar lá; se eu lutar e trabalhar duro, consigo chegar lá’. Essa referência é uma bola de neve que acaba fomentando novas tenistas e novas meninas a ingressarem no esporte e tentarem o profissionalismo.”
Na avaliação do executivo, o principal desafio brasileiro não é a falta de treinadores ou de centros de treinamento, mas o número ainda reduzido de jovens que avançam na modalidade.
“O tênis no Brasil segue sendo um esporte mais limitado. Aos poucos, vamos furando essa bolha, mas precisaríamos ter um volume maior de tenistas para chegar aonde outros países conseguem chegar no número de atletas entre os 100 melhores”, diz.
Carvalho cita França, Itália e Estados Unidos como exemplos de países que contam com uma base maior. O desenvolvimento desse contingente no Brasil, ressalta, exigirá continuidade.
“É um trabalho de formiguinha, não é do dia para a noite. Esses resultados das meninas e dos meninos atuais com certeza vão atrair mais tenistas. Só vamos conseguir sentir isso daqui a cinco, dez ou 15 anos.”
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