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Thursday, September 17, 2026

Associações investigadas no caso Master têm carteira de R$ 1 bi com servidores da BA

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Duas associações de servidores da Bahia ligadas a Augusto Lima, ex-sócio de Daniel Vorcaro no Banco Master, tinham mais de 103 mil autorizações de desconto em contracheques de servidores baianos em 2025, com uma carteira com valor estimado em R$ 1 bilhão.

Os detalhes sobre as operações constam em inquérito da Polícia Federal que investiga fraudes do Banco Master. O sigilo dos documentos foi suspenso nesta quinta-feira (10) em decisão do ministro do STF (Supremo Tribunal Federal) André Mendonça.

As associações de servidores Asteba e Asseba foram alvo de busca e apreensão na Operação Compliance Zero, da PF, em novembro de 2025. Augusto Lima chegou a ser preso, mas foi solto e agora usa tornozeleira eletrônica.


As duas entidades foram procuradas pela reportagem na segunda-feira (14). Na Asteba, uma funcionária informou por telefone que não havia ninguém da direção da entidade no local. Foram deixados recados, mas não houve retorno. Na Asseba, ninguém atendeu às ligações da reportagem.

A Secretaria de Administração da Bahia do governo Jerônimo Rodrigues (PT) informou que não se manifestaria sobre os contratos de cooperação com associações, que prestam serviços associativos como planos odontológicos, compras de celulares e assistência jurídica.

As entidades baianas entraram no radar das investigações após o Master ter informado ao Banco Central que ambas estavam na origem de créditos consignados que integravam uma carteira de R$ 6,7 bilhões vendida ao BRB (Banco de Brasília). Depois, porém, a instituição de Vorcaro recuou dessa versão e passou a atribuir os créditos à empresa Tirreno.

A Polícia Federal atribui a Augusto Lima a elaboração de carteiras fraudulentas. Uma auditoria estimou em pelo menos R$ 5 bilhões o prejuízo ao banco público pelas compras desses ativos.

A defesa de Augusto Lima rechaça as alegações e diz que elas não se sustentam frente aos elementos reunidos pela investigação. Destaca ainda que a informação foi prestada pelo Master de forma equivocada ao Banco Central e que nem Augusto Lima nem as associações jamais autorizaram nem assinaram qualquer documento ligando as entidades a créditos do Master.

O empresário é conhecido por ter transformado o Credcesta em um cartão de benefício consignado, com desconto das parcelas do empréstimo na folha de pagamento. Lançado para servidores públicos da Bahia em 2018, foi disseminado pelo Master, chegando a 24 estados e 176 municípios.

Os créditos vendidos ao BRB foram vinculados às associações em um comunicado ao Banco Central feito pelo Master em 25 de março de 2025.

A explicação, contudo, foi questionada pela autoridade monetária. Dados do Governo da Bahia mostraram que os descontos nos contracheques de servidores não eram empréstimos consignados, mas mensalidades e serviços associativos.

As operações apresentadas ao Banco Central envolviam CPFs de diferentes estados, e as associações não apresentavam movimentação financeira compatível com o volume das cessões.

Em 2025, Asteba e Asseba tinham, respectivamente, 52.176 e 51.111 autorizações de desconto em contracheques de servidores baianos. O valor estimado das carteiras chegaria a R$ 1 bilhão, segundo a investigação, valor inferior aos R$ 6,7 bilhões da carteira atribuída às entidades.

Foi somente depois dos questionamentos do BC que o Master passou a apontar a Tirreno como originadora dos créditos.

A nova versão também apresentou inconsistências, segundo os investigadores. O Banco Central não encontrou movimentação financeira compatível com uma operação desse tamanho. Além disso, o único relacionamento da empresa no sistema financeiro era com o próprio Master.

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Apesar das inconsistências, o Master revendeu as carteiras ao BRB entre janeiro e maio de 2025 por R$ 12,2 bilhões, incluindo um prêmio de R$ 5,5 bilhões.

O Ministério Público Federal também investiga a relação entre a Asteba, a Asseba e Augusto Lima, ex-sócio do Master. Segundo relatório do MPF, as duas entidades foram criadas e eram controladas por Lima.

As associações tinham o mesmo email de contato da Terra Firme da Bahia, empresa de propriedade exclusiva de Lima, e uma delas compartilhava também o telefone da empresa.

Lima foi presidente da Asteba e, após deixar formalmente o cargo em 2008, teria mantido seu controle por meio de terceiros. O documento também aponta que ele figurava como procurador da Asseba, com poder para movimentar recursos.

Alegações não se sustentam, diz defesa

Em nota, a defesa de Augusto Lima rechaçou as acusações e disse que Polícia Federal e o Banco Central já afastaram a participação das associações nas supostas fraudes envolvendo o BRB.

Também destacou que Augusto Lima mantinha contrato regular de prestação de serviços com essas entidades, efetivamente prestados, mas não possuía procuração e nunca movimentou as contas das duas associações.

Os advogados apontam que Augusto Lima deixou a sociedade e a direção do Banco Master em 28 de maio de 2024, conforme documentação do próprio Banco Central. A operação policial ocorreu somente em 18 de novembro de 2025, um ano e seis meses depois de seu desligamento.

"A defesa reafirma que não há fundamento para atribuir a Augusto Lima os ilícitos mencionados e tem convicção de que sua inocência será comprovada com base nos fatos, nas provas e no devido processo legal", informou.

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