Camila Fremder sobre hormônios: “Sem útero, é abstrato entender a TPM”
Camila Fremder, escritora e criadora de conteúdo, abriu o jogo sobre como sua relação com o próprio corpo mudou após a retirada do útero em decorrência da endometriose. No sexto episódio do programa "Na Palma da Mari: Entre Mulheres", ela revelou que, sem o ciclo menstrual, identificar os efeitos da TPM se tornou um exercício muito mais abstrato.
"Eu não menstruo mais. Eu tive endometriose, então, há um ano, eu tirei o útero. Para mim, é muito mais abstrato entender se estou na TPM ou não, porque não tenho o período menstrual para descobrir", afirmou Camila. Segundo ela, quem ainda menstrua leva vantagem nesse aspecto, pois tem uma referência concreta para identificar as oscilações de humor.
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Aplicativos e a surpresa com os ciclos
Camila relatou que, mesmo durante os anos em que menstruou, costumava se surpreender ao consultar aplicativos de rastreamento do ciclo. "Eu sempre usei aplicativo, e várias vezes eu estava num dia difícil, olhava e falava: 'Entendi'. É muito doido, porque eu fiquei anos menstruando, anos tendo sintomas da TPM, e eu sempre me surpreendia quando olhava no aplicativo e estava naquela fase", disse ela. A escritora descreveu essa dificuldade como algo comum entre as mulheres: "Parece que a gente não tem esse relógio exato."
DIU e a perda de referência hormonal
O tema também foi abordado pela própria Mari, que compartilhou experiência semelhante com o uso do DIU — dispositivo intrauterino utilizado como contraceptivo. Ela contou que ficou três ou quatro anos sem menstruar por causa do dispositivo e que, após retirá-lo, voltou a menstruar e se sentiu como "uma adolescente de 15 anos". A endocrinologista Dra. Thais Alves explicou que o DIU impede a menstruação, mas não a ovulação, o que significa que a TPM continua ocorrendo mesmo sem que a mulher perceba os sinais habituais.
TPM ou emoção legítima?
No programa, também foi discutido o estigma de atribuir toda irritação feminina à TPM. "A mulher não tem direito de ficar irritada. Ela está na TPM sempre, mesmo que você não esteja", observou Dra. Thais Alves. Camila concordou e foi direta: "Às vezes você só fez uma coisa muito ruim pra mim. Não é TPM." O debate destacou a importância de distinguir o que é influência hormonal do que são reações emocionais legítimas diante de situações do cotidiano.
Camila também refletiu sobre o quanto demorou para prestar atenção nas próprias oscilações hormonais. Ela contou que começou a se dar conta mais tarde, por volta dos 30 anos, quando decidiu engravidar e passou a acompanhar mais de perto o ciclo. Hoje, incentiva sua enteada de 16 anos a fazer o mesmo: "É bom a gente ter o controle, porque às vezes a gente está enxergando um cenário muito maior do que realmente é."
O episódio completo estreou nesta quinta (24), às 20h, no YouTube de CNN Pop, e vai ao ar na CNN Brasil no sábado (26), às 22h45. A temporada "Na Palma da Mari - Entre Mulheres" conta ainda com a participação de outras convidadas, como Claudia Raia, Fátima Bernardes, Júlia Faria e Fe Paes Leme.
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