Macron nega alerta da CIA para possível ataque russo

O Presidente francês, Emmanuel Macron, negou na quinta-feira que a CIA tenha transmitido informações sobre um possível ataque de drones russos contra a Europa, embora tenha considerado possível que a França seja alvo de uma tentativa de ataque.
“Podemos desmentir esta informação, a CIA não enviou este aviso”, frisou Macron numa entrevista conjunta às televisões TF1 e France 2.
Mas Macron considerou na quinta-feira possível que a França seja alvo de uma tentativa de ataque com um drone carregado de explosivos, semelhante ao que ocorreu recentemente no aeroporto de Leipzig, que a Alemanha atribuiu à Rússia.
A França ainda não sofreu ataques deste tipo, “mas quando me perguntam ‘isso pode acontecer?’, a minha resposta é sim”, referiu o chefe de Estado francês na entrevista, acrescentando que a Rússia considera que “a Europa é a profundidade estratégica da Ucrânia”.
O jornal espanhol El Mundo noticiou na quinta-feira que os Estados Unidos terão partilhado informações com vários governos europeus sobre eventuais ataques com drones que a Rússia estaria a preparar contra Espanha, França ou Itália.
As aeronaves não tripuladas seriam lançadas do mar a partir de navios mercantes, disse ao jornal uma fonte próxima do Ministério da Defesa da Lituânia, sob a condição de não ser identificada.
Os três eventuais alvos realizam eleições em 2027 e a Rússia poderá querer explorar a seu favor a participação de forças políticas radicais, justificaram analistas.
A Rússia considera que o fornecimento de armamento, dados de serviços secretos e assessores militares à Ucrânia transforma os países ocidentais em participantes do conflito e alvos legítimos.
O El Mundo noticiou também que informações sobre os planos russos circulam nas capitais europeias desde a viagem do diretor da CIA, John Ratcliffe, a Moscovo, em 25 de agosto, na qual advertiu a Rússia contra provocações à NATO.
Ainda na entrevista de quinta-feira, o governante francês considerou também “um cenário credível” uma nova mobilização russa de 300 mil homens para a guerra contra a Ucrânia.
“O sinal que a Rússia está a enviar hoje é: estamos prontos para fazer ainda mais sacrifícios para tomar todo o Donbass”, acrescentou Macron na mesma entrevista.
Macron sublinhou ainda que, desde a invasão da Ucrânia, esta guerra já custou à Rússia “1,2 milhões de homens”, entre feridos e mortos.
O Presidente francês anunciou ainda o envio de “meios militares” para proteger o complexo de Yanbu, um elo estratégico da rede de instalações energéticas da Arábia Saudita.
“Esta é a discussão que finalizámos com os sauditas. Vamos enviar meios militares, ou seja, soldados, radares e sistemas de defesa, para proteger este local, não para nos envolvermos em qualquer conflito, mas para proteger este local”, frisou, justificando a decisão com o objetivo de promover a estabilização dos mercados petrolíferos.
“Assim que se alivia a tensão num destes locais, o impacto no preço na bomba é imediato. Em dois dias, nota-se isso na bomba”, acrescentou o chefe de Estado francês.
Principal terminal saudita de exportação de petróleo bruto no mar Vermelho, esta instalação desempenhou um papel crucial durante os conflitos no Médio Oriente, permitindo à Arábia Saudita contornar o estreito de Ormuz para exportar o seu petróleo.
Macron defendeu ainda que uma proibição das exportações de gasóleo norte-americano, medida que o Presidente norte-americano, Donald Trump, sinalizou apoiar, seria uma “má decisão”.
“Esta decisão seria má, não só para o resto do mundo, mas também para a economia americana”, realçou.
Para Macron, essa deverá ser também a opinião de “todos os especialistas que o rodeiam e de todas as refinarias americanas”.
O chefe de Estado francês garantiu ainda que o executivo está a fazer tudo para evitar a escassez de combustível.
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