Flávio Bolsonaro amplia apoios, mas isso garante votos? Veja o que aconteceu em 2022
RESUMO +
Flávio Bolsonaro (PL) ampliou sua rede de apoios no segundo turno contra Lula (PT), com a adesão de ex-presidenciáveis e partidos que somam 244 deputados e 27 senadores. Apesar das alianças, pesquisa Datafolha mostra que apenas 46% dos eleitores dos candidatos derrotados migraram para o senador, enquanto 32% passaram a apoiar Lula. O histórico de 2022 também indica que apoios políticos não garantem transferência automática de votos.
O senador Flávio Bolsonaro (PL) terminou a primeira semana de campanha do segundo turno aglutinando os apoios de ex-candidatos à presidência e de partidos que estavam neutros no primeiro turno.
Na noite desta quinta-feira, o escritor Augusto Cury (Avante) anunciou apoio ao senador do PL e disse que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) "já deu o que tinha". Cury se juntou a Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) na escolha de um candidato no segundo turno. Os três juntos somaram 6,3 milhões de votos.
Além dos candidatos, Flávio atraiu diversas siglas, como União, PP, Podemos, Republicanos, Novo e uma parte do MDB, para seu arco de alianças. No total, essas siglas elegeram 244 deputados federais e 27 senadores.
O ex-presidente Michel Temer também anunciou o apoio pessoal à candidatura de Flávio.
Mas isso significa uma transferência de voto automática? O último Datafolha e os números das últimas eleições mostram que mudança não é tão simples assim.
Apoios afeta positivamente, mas não decide
Em entrevista ao programa Eleições em Pauta, o cientista político Antonio Lavareda afirmou que todo o arco de apoio afeta positivamente a campanha de Flávio e que aumenta ainda mais seu favoritismo.
"É o que a literatura chama de efeito bandwagon, ou seja, o eleitor acompanha aquele candidato, aquele líder que parece que será o vitorioso. Um eleitor de pouca densidade ideológica, pouco interessado, pouco informado sobre política, que, na verdade, está indeciso entre essas duas alternativas. E isso conta, sim", disse.
Na pesquisa PoderData/Aya, divulgada na quinta-feira, 8, 54% dos eleitores afirmaram que acreditam que Flávio tem mais chance de vencer o segundo turno. Outros 37% apontam o presidente, enquanto 9% não sabem responder.
Em relação à rodada anterior, realizada de 30 de setembro a 2 de outubro, a expectativa de vitória do senador subiu 9 pontos percentuais, de 45% para 54%. No mesmo período, a taxa do petista caiu 11 pontos, de 48% para 37%.
"Expectativa de vitória, expectativa de poder, tudo isso conta e, de fato, é um passo, é uma tática eficiente que a campanha de Flávio Bolsonaro tem colocado em ação nesse momento", afirmou.
Apesar dos apoios, o Datafolha divulgado na quinta-feira, 8, mostra que a migração acontece de forma dividida.
O levantamento mostra que 46% dos eleitores de Augusto Cury (Avante), Renan Santos (Missão), Ronaldo Caiado (PSD) e Romeu Zema (Novo) foram para Flávio. Outros 32% passaram a declarar apoio ao presidente Lula.
Ainda dentro deste grupo, 15% afirmam que votam em branco ou nulo.
A pesquisa mostrou o senador com 49% das intenções de voto no segundo turno, contra 45% do petista. Em votos válidos, quando são excluídos brancos e nulos, Flávio atinge 52%, e Lula, 48%.
Lula teve apoios em 2022, mas não todos os votos
No segundo turno de 2022, o presidente Lula conseguiu o apoio de Simone Tebet, terceira colocada naquela eleição com 4,16%, cerca de 4,9 milhões de votos. A então senadora fez campanha e posteriormente virou ministra do governo petista. Neste ano, foi derrotada na eleição para o Senado em São Paulo.
O PDT de Ciro Gomes, quarto colocado com 3,04%, 3,5 milhões de votos, também apoiou Lula. Ciro disse na época que aceitava a decisão do partido, mas se mostrou contrariado e não fez campanha com Lula naquela eleição.
Juntos, Tebet e Ciro somaram 8,5 milhões de votos em 2022.
Soraya Thoronicke disse na época que não apoiaria nem Lula, nem o então presidente Jair Bolsonaro (PL). Ela terminou com 600 mil votos.
Entre os apoios de partidos, Lula recebeu a bênção do Cidadania. O ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB) e o ex-governador de São Paulo, José Serra, também apoiaram Lula na época.
Bolsonaro, por sua vez, recebeu apoio de governadores e senadores eleitos em 2022, como Romeu Zema, Ratinho Jr., Sergio Moro e Ibanes Rocha. O presidente já contava na sua coligação alguns partidos do centrão.
Apesar dos apoios que somavam 8,5 milhões de votos, Lula cresceu apenas 3 milhões de votos do primeiro para o segundo turno daquela eleição, passando de 57,2 milhões para 60,3 milhões.
Bolsonaro, que não teve apoio de nenhum adversário do primeiro turno, cresceu 7,1 milhões de votos entre turnos.
Perguntas frequentes
Quais candidatos declararam apoio a Flávio Bolsonaro no segundo turno? +
Ronaldo Caiado (PSD), Romeu Zema (Novo) e Augusto Cury (Avante) anunciaram apoio a Flávio Bolsonaro. Juntos, os três receberam cerca de 6,3 milhões de votos no primeiro turno. O ex-presidente Michel Temer também declarou apoio pessoal ao senador.
Quais partidos apoiam Flávio Bolsonaro no segundo turno? +
Flávio Bolsonaro recebeu apoio de União Brasil, PP, Podemos, Republicanos, Novo e parte do MDB. Essas siglas elegeram, juntas, 244 deputados federais e 27 senadores.
Os votos dos candidatos derrotados vão automaticamente para Flávio Bolsonaro? +
Não. Segundo o Datafolha divulgado na quinta-feira, 8, 46% dos eleitores de Augusto Cury, Renan Santos, Ronaldo Caiado e Romeu Zema declararam voto em Flávio Bolsonaro no segundo turno. Outros 32% passaram a apoiar Lula, enquanto 15% afirmaram que votariam em branco ou nulo.
O que diz a pesquisa Datafolha sobre o segundo turno entre Lula e Flávio Bolsonaro? +
O levantamento divulgado em 8 de outubro aponta Flávio Bolsonaro com 49% das intenções de voto, contra 45% de Lula. Considerando apenas os votos válidos, que excluem brancos e nulos, o senador registra 52%, enquanto o presidente tem 48%.
Quem os eleitores acreditam que vencerá o segundo turno? +
Segundo a pesquisa PoderData/Aya divulgada em 8 de outubro, 54% dos entrevistados acreditam que Flávio Bolsonaro vencerá a eleição, enquanto 37% apontam Lula. Outros 9% não souberam responder. Os percentuais representam a expectativa dos entrevistados sobre o resultado, e não a intenção de voto.
O que aconteceu com a transferência de votos no segundo turno de 2022? +
Em 2022, Lula recebeu o apoio de Simone Tebet e do PDT, partido de Ciro Gomes. Os dois candidatos haviam somado cerca de 8,5 milhões de votos no primeiro turno. Apesar dessas adesões, Lula ampliou sua votação em aproximadamente 3 milhões de votos entre os turnos, enquanto Jair Bolsonaro ganhou cerca de 7,1 milhões de votos.
Como os apoios políticos podem influenciar o segundo turno? +
Segundo o cientista político Antonio Lavareda, a formação de alianças pode favorecer uma candidatura ao transmitir uma percepção de força política. Ele cita o chamado efeito bandwagon, fenômeno em que eleitores tendem a acompanhar candidatos percebidos como possíveis vencedores. Isso, porém, não significa que os votos dos apoiadores sejam transferidos integralmente.
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