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Saturday, November 7, 2026

Nordeste puxa renovação de bancada de Lula no Congresso; mulheres são 38%

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O tamanho é ligeiramente inferior ao de 2022, quando essas siglas somaram 128 cadeiras: o avanço da federação petista, de 82 para 88, foi parcialmente compensado pela queda do PDT, que tinha 16. O grupo segue longe dos 257 votos necessários para aprovar um projeto de lei complementar e dos 308 exigidos para uma emenda constitucional. Para formar maiorias, Lula terá de negociar fora da aliança que o reelegeu.

Um terço de estreantes

Levantamento do UOL, com base em perfis oficiais e dados do TSE, identificou na nova bancada governistas 75 deputados reeleitos, 41 que chegam pela primeira vez à Câmara e 8 que retornam à Casa após já terem exercido mandato. Entre os 124 eleitos, 47 são mulheres, o equivalente a 38% da bancada. Nem todo estreante, porém, é novato na política. Há deputados estaduais, vereadores, dirigentes partidários e ex-secretários, como Cláudio Mitidieri (PSB-SE), que comandou a Saúde de Sergipe no governo do primo, Fábio Mitidieri (PSD).

A renovação foi mais forte no Nordeste. No Ceará, o PT manteve três cadeiras, todas com nomes novos. Em Pernambuco, o historiador Jones Manoel foi o segundo mais votado do estado, com 249.077 votos, e se tornou o primeiro deputado federal do PSOL eleito na região.

Ex-integrantes do governo também chegam à Casa. Estreiam as ex-ministras Nísia Trindade (PT-RJ), da Saúde, primeira mulher a presidir a Fiocruz, e Anielle Franco (PT-RJ), da Igualdade Racial. Sônia Guajajara (PSOL-SP) deixou o Ministério dos Povos Indígenas para se reeleger. Marcelo Freixo (PT-RJ) volta à Câmara depois de presidir a Embratur, e o presidente nacional do PT, Edinho Silva (PT-SP), assume seu primeiro mandato de deputado federal.

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A aliança reúne três mulheres trans eleitas para a Câmara: Erika Hilton (PSOL-SP), Duda Salabert (PSOL-MG) e Thabatta Pimenta (PV-RN), primeira deputada federal trans do Nordeste. Também inclui os três eleitos que se declararam indígenas à Justiça Eleitoral: Paulo Guedes (PT-MG), Juliana Cardoso (PT-SP) e Guajajara. No PT, as mulheres ocupam 25 das 70 cadeiras.

A idade separa as siglas. O PSOL elegeu a bancada mais jovem da Câmara, com média de 39,6 anos; o PCdoB, a mais velha, com 56,1. O PT baixou sua média de 55,2 para 52,6 anos, a primeira queda desde 1998. Além de Ana Elisa, estão entre os mais jovens Ana Júlia (PT-PR) e Pedro Rousseff (PT-MG), sobrinho-neto de Dilma Rousseff, ambos com 26 anos.

Da escala 6x1 ao SUS

Se as trajetórias são distintas, as bandeiras aproximam o grupo. A de maior projeção, o fim da escala 6x1, já virou norma. Autora da PEC 8/2025, Erika Hilton ajudou a levar o tema ao centro do debate. Rick Azevedo (PSOL-RJ), fundador do movimento Vida Além do Trabalho, mobilizou ruas e redes até se eleger deputado.

A PEC 8/2025, de Erika, tramitou em conjunto com a PEC 221/2019, de Reginaldo Lopes (PT-MG), que deu origem à Emenda Constitucional 141, promulgada em 16 de outubro. O texto garante duas folgas semanais e reduz a jornada máxima de 44 para 42 horas após 60 dias da promulgação e para 40 horas após 14 meses, sem corte salarial. A disputa agora é a regulamentação, incluindo as categorias com jornadas especiais.

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Na saúde, o grupo reúne ex-gestores do SUS, como Nísia e Jorge Solla (PT-BA), ex-secretário da Saúde da Bahia. A reforma agrária terá dirigentes do MST como Valmir Assunção (PT-BA), João Daniel (PT-SE) e Rosa Amorim (PT-PE), primeira mulher do movimento eleita deputada federal. Na pauta ambiental, destacam-se Nilto Tatto (PT-SP) e Dilvanda Faro (PT-PA), que presidiram, respectivamente, as comissões de Meio Ambiente e da Amazônia.

Educação pública, direitos das mulheres, combate ao racismo e direitos LGBTQIA+ também estão na agenda de parlamentares como Tabata Amaral (PSB-SP), Carol Dartora (PT-PR) e Daiana Santos (PCdoB-RS).

Nordeste e ex-governadores no Senado

No Senado, os aliados de Lula conquistaram 11 das 54 vagas em disputa, 5 delas com ex-governadores. Nove eleitos vêm do Nordeste, única região em que o presidente venceu em todos os estados nos dois turnos. As exceções são Marília Campos (PT-MG) e Renato Casagrande (PSB-ES).

O PT elegeu 6: Jaques Wagner e Rui Costa (BA), Humberto Costa (PE), Rogério Carvalho (SE), Marília Campos (MG) e Samanda de Lula (RN). O PSB fez Cid Gomes (CE), Casagrande e João Azevêdo (PB). Completam o grupo Marília Arraes (PDT-PE) e Luizianne Lins (Rede-CE).

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Quatro são mulheres. Quatro vezes prefeita de Contagem, Marília Campos será a segunda senadora eleita por Minas, a primeira desde Júnia Marise, em 1990. Luizianne, que deixou o PT em abril após 37 anos de filiação, teve cerca de 2,8 milhões de votos. Samanda, eleita vereadora de Natal em 2024, vai da Câmara Municipal direto para o Senado, com o apoio da governadora Fátima Bezerra, que desistiu de disputar a vaga.

No outro extremo, Humberto Costa se torna o primeiro político eleito por Pernambuco para três mandatos seguidos no Senado. A outra vaga do estado ficou com Marília Arraes, neta de Miguel Arraes, que passou por PSB, PT e Solidariedade antes de se filiar ao PDT, em março.

Lula se reúne com deputados eleitos em Brasília dois dias após o primeiro turno da eleição presidencial, quando ficou atrás de Flávio Bolsonaro (PL)
Lula se reúne com deputados eleitos em Brasília dois dias após o primeiro turno da eleição presidencial, quando ficou atrás de Flávio Bolsonaro (PL) Imagem: Ricardo Stuckert - 7.out.26/Divulgação

Investigações e punições

Parte dos eleitos carrega histórico na Justiça ou nos conselhos de ética. O caso de maior peso político é o de Jaques Wagner, alvo em junho da Operação Compliance Zero, que apura fraudes ligadas ao Banco Master. A PF investiga se o senador recebeu vantagens indevidas, como um apartamento de R$ 2,45 milhões em Salvador e repasses a uma empresa ligada à sua família. Wagner nega irregularidades e deixou a liderança do governo no Senado.

Na Câmara, as suspeitas envolvem emendas parlamentares. Félix Mendonça Júnior (PDT-BA) foi alvo em janeiro da Operação Overclean, na qual o STF bloqueou R$ 24 milhões de pessoas e empresas investigadas; ele nega envolvimento. Robério Monteiro (PSB-CE) foi citado na Operação Fake Road, sobre obras do Dnocs em Itarema e Acaraú, cidades governadas pelo filho e pela mulher dele, onde a CGU apontou superfaturamento de R$ 6,8 milhões. O ministro Flávio Dino, do STF, viu "indícios substanciais" de participação do deputado. Robério não foi alvo das buscas, nega ser investigado e afirma que as obras eram de responsabilidade exclusiva do Dnocs.

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Outros carregam casos antigos. Ex-presidente da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP) foi condenado no mensalão por corrupção passiva e peculato e recebeu indulto em 2016. Agora volta à Casa 13 anos depois de renunciar. André Janones (Rede-MG) encerrou a investigação sobre "rachadinha" em seu gabinete com um acordo de não persecução penal com a PGR, homologado pelo STF em 2025: reconheceu ter pago despesas pessoais com o cartão de um assessor e se comprometeu a pagar R$ 157,8 mil, sem condenação. Ao Fantástico, em 1º de novembro, negou ter desviado salários de funcionários.

Na esfera disciplinar, Janones teve o mandato suspenso por três meses pelo Conselho de Ética em 2025, por ofensas a Nikolas Ferreira (PL-MG). Glauber Braga (PSOL-RJ) foi suspenso por seis meses em dezembro de 2025, depois de expulsar da Casa, com empurrões e chutes, um militante do MBL; o plenário trocou pela pena mais branda a cassação aprovada no conselho.

Fora do Congresso, o estreante Renato Freitas (PT-PR) teve o mandato de vereador de Curitiba cassado em 2022, após um ato antirracista em uma igreja, e o recuperou no STF. Já deputado estadual, teve a cassação recomendada depois de uma briga de rua em 2025, mas a Justiça suspendeu a votação.

Cláusula de barreira

Depois das urnas, a preocupação de parte da base de Lula passou a ser a cláusula de desempenho, que condiciona o acesso ao Fundo Partidário e à propaganda gratuita no rádio e na TV. Para cumpri-la, o partido ou a federação precisa obter 2,5% dos votos válidos para deputado federal, com ao menos 1,5% em nove unidades da federação, ou eleger 13 deputados distribuídos por pelo menos nove unidades da federação. Quem fica abaixo perde esses recursos, e seus eleitos podem trocar de partido sem perder o mandato.

A Federação PSOL-Rede passou raspando. Teve 4,89% dos votos e elegeu 15 deputados em seis unidades da federação, mas superou 1,5% em apenas oito. No Espírito Santo, ficou em 1,49%, com percentual exato de 1,4913%, abaixo do mínimo por menos de 0,01 ponto percentual. O TSE decidiu por unanimidade, em 27 de outubro, arredondar o índice para 1,5%.

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A decisão fechou uma porta que Erika Hilton havia entreaberto. Duas semanas antes, a deputada mais votada da coligação criticara a divisão dos recursos de campanha no PSOL e a recusa em formar federação com o PT e admitira pensar em se filiar ao partido de Lula em 2027. Com a federação acima da cláusula, ela perde a possibilidade de deixar a legenda.

O PDT não teve a mesma sorte. Com 1,64% dos votos e seis deputados eleitos em cinco estados, ficou abaixo da cláusula pela primeira vez desde que ela passou a valer, em 2018. O partido já negocia uma federação, de preferência com o PSB.

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