MP Eleitoral pede ao TSE que barre candidatura de Márcio Canella no RJ
RESUMO +
O Ministério Público Eleitoral pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que impeça a candidatura de Márcio Canella, eleito deputado estadual pelo Rio de Janeiro em 2026. O parecer, enviado na sexta-feira, 23, aponta indícios de envolvimento do político com milícias, o Comando Vermelho e um suposto esquema de lavagem de dinheiro. Preso em 15 de outubro durante uma operação da Polícia Federal, Canella teve sua candidatura autorizada pelo TRE-RJ, mas a decisão será reavaliada pelo TSE. As suspeitas ainda estão sob análise judicial.
O Ministério Público Eleitoral pediu ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) que impeça a candidatura de Márcio Canella, eleito deputado estadual no primeiro turno das eleições de 2026 no Rio de Janeiro. Em parecer enviado na sexta-feira, 23, o órgão aponta indícios de envolvimento do político com organizações criminosas, incluindo milícias e o Comando Vermelho.
Canella foi preso em 15 de outubro, durante a oitava fase da Operação Unha e Carne, da Polícia Federal (PF), que investiga um esquema de lavagem de dinheiro por meio de uma rede de postos de combustíveis no estado.
O vice-procurador-geral eleitoral, Alexandre Espinosa, pediu ao TSE que reverta a decisão do Tribunal Regional Eleitoral do Rio de Janeiro (TRE-RJ), que havia autorizado a candidatura. Segundo o parecer, a Justiça Eleitoral estadual não teve acesso às provas do inquérito que tramita no Supremo Tribunal Federal (STF), cujo sigilo foi retirado neste mês.
Quais são as suspeitas contra Márcio Canella?
De acordo com o Ministério Público Eleitoral, as investigações apontam que Canella teria atuado como articulador político do esquema de lavagem de dinheiro. O parecer também menciona indícios de que ele teria influenciado a indicação de integrantes da cúpula da segurança pública para favorecer o grupo investigado e recebido dinheiro em espécie proveniente do esquema.
Em julho, durante a sexta fase da Operação Unha e Carne, a Polícia Federal apreendeu R$ 919 mil em dinheiro em endereços do político, além de dólares. Um fuzil de uso restrito também foi encontrado dentro de seu veículo.
O Ministério Público aponta ainda possíveis vínculos com milicianos. Segundo o parecer, Canella empregou no gabinete que mantinha na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), até 2023, a esposa de um dos líderes do grupo conhecido como Bonde do Jura.
Em 2025, após assumir a Prefeitura de Belford Roxo, ele teria nomeado para duas secretarias pessoas apontadas como lideranças de milícias da região. Uma delas já havia sido condenada por integrar milícia, a outra respondia a processo por extorsão e porte ilegal de arma e também foi condenada posteriormente. Segundo o MP Eleitoral, ambos participaram da campanha de Canella em 2026.
Parecer cita supostos acordos com o Comando Vermelho
Outra suspeita envolve a Operação Barricada Zero, realizada durante a gestão de Canella em Belford Roxo para retirar barricadas instaladas pelo tráfico de drogas.
De acordo com o parecer, a ação teria envolvido acordos informais com o Comando Vermelho. As negociações permitiriam a liberação temporária de acessos a comunidades para a realização de obras e gravações de vídeos, seguida da devolução do controle territorial à facção.
MP Eleitoral defende que TSE impeça candidatura
No parecer, Espinosa afirma que a Justiça Eleitoral pode barrar candidaturas de pessoas ligadas a organizações criminosas armadas sem exigir, necessariamente, uma condenação criminal definitiva. O argumento se baseia no artigo 17 da Constituição Federal, que proíbe a influência de organizações paramilitares nos partidos políticos.
O pedido será analisado pelo TSE, que deverá decidir se mantém ou reforma a decisão do TRE-RJ. As suspeitas descritas no parecer são argumentos apresentados pelo Ministério Público Eleitoral e deverão ser avaliadas pela Justiça.
Perguntas frequentes
Por que o Ministério Público Eleitoral pediu para barrar Márcio Canella? +
O Ministério Público Eleitoral aponta indícios de envolvimento de Márcio Canella com organizações criminosas, incluindo milícias e o Comando Vermelho. O órgão sustenta que as provas reunidas em investigação da Polícia Federal justificam a revisão da decisão que autorizou sua candidatura a deputado estadual pelo Rio de Janeiro.
Márcio Canella foi preso? +
Sim. Márcio Canella foi preso em 15 de outubro de 2026, durante a oitava fase da Operação Unha e Carne, conduzida pela Polícia Federal. A investigação apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro por meio de uma rede de postos de combustíveis no Rio de Janeiro.
Quais são as acusações contra Márcio Canella? +
Segundo o Ministério Público Eleitoral, há indícios de que Canella teria atuado como articulador político de um esquema de lavagem de dinheiro, influenciado indicações na segurança pública e recebido recursos em espécie. O parecer também aponta possíveis ligações com milicianos e supostos acordos com o Comando Vermelho. As suspeitas ainda dependem de avaliação judicial.
O que a Polícia Federal encontrou em endereços de Márcio Canella? +
Durante a sexta fase da Operação Unha e Carne, em julho de 2026, a Polícia Federal apreendeu R$ 919 mil em dinheiro, além de dólares, em endereços ligados ao político. Um fuzil de uso restrito também foi encontrado dentro de seu veículo.
Qual é a suspeita de ligação de Márcio Canella com o Comando Vermelho? +
O Ministério Público Eleitoral afirma que a Operação Barricada Zero, realizada durante a gestão de Canella na Prefeitura de Belford Roxo, teria envolvido acordos informais com o Comando Vermelho. Segundo o parecer, integrantes da facção permitiriam a retirada temporária de barricadas para obras e gravações, retomando posteriormente o controle dos acessos às comunidades.
Márcio Canella pode ser impedido de assumir o mandato mesmo após ser eleito? +
O Ministério Público Eleitoral defende que a Justiça Eleitoral pode impedir candidaturas associadas a organizações criminosas armadas mesmo sem condenação criminal definitiva. O TSE ainda deverá analisar o pedido e decidir se mantém ou reforma a decisão do TRE-RJ que autorizou a candidatura de Canella. O parecer, por si só, não determina a perda do mandato.
O que acontece agora com a candidatura de Márcio Canella? +
O Tribunal Superior Eleitoral deverá analisar o parecer apresentado pelo vice-procurador-geral eleitoral, Alexandre Espinosa. Os ministros decidirão se mantêm a autorização concedida pelo TRE-RJ ou se reformam a decisão. Até essa análise, as suspeitas apresentadas pelo Ministério Público não representam uma condenação definitiva do político.
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