Ação de bloco latino aliado de Trump desafia Lula no embate sobre facções

O presidente brasileiro defendeu a atuação dos governos federal e estaduais no combate ao crime organizado e destacou a recente aprovação da Lei Antifacção, que, segundo ele, "impõe ao crime organizado penas superiores às previstas para o terrorismo".
Na reunião com Trump em Nova York, participaram presidentes como o argentino Javier Milei e o chileno José Antonio Kast. Os parceiros no Escudo das Américas são governos de direita e extrema-direita na região que decidiram aderir a uma iniciativa de combate ao crime organizado e ao narcotráfico que, na avaliação do governo brasileiro, representa um risco para a soberania nacional. O tema também é visto como sensível pelas Forças Armadas, segundo a coluna apurou.
Nem o México nem o Brasil integram o escudo trumpista, mas ambos os países têm acordos de cooperação em matéria de segurança e operações militares com os EUA. No caso do México, essa cooperação é ainda mais profunda. Mesmo assim, o governo da presidente esquerdista Claudia Sheinbaum optou por não aderir à iniciativa. Para Lula e para a presidente mexicana, a defesa da soberania torna inviável a participação em alianças que possam, na avaliação de ambos os governos, implicar a cessão de autonomia nessa área.
Outros governos não pensam da mesma forma ou, em muitos casos, não têm margem para abrir mão do apoio americano. O Equador, governado por Daniel Noboa, é um claro exemplo. O país não tem recursos para enfrentar a crise interna provocada pelo crescimento do crime organizado e depende da ajuda dos EUA para lidar com esse drama nacional. Nos últimos anos, o Equador, historicamente considerado um território de trânsito entre os maiores produtores de cocaína do mundo (Colômbia e Peru), transformou-se em uma plataforma de operações e logística global para o tráfico internacional de drogas.
Em Quito, fontes diplomáticas afirmaram que o governo de Noboa aguarda com expectativa a chegada de drones do modelo MQ-9 Reaper que os EUA pretendem enviar a países da América do Sul para atuar justamente no combate ao crime organizado. A data de chegada dos equipamentos ao país ainda é desconhecida, asseguraram as fontes consultadas.
A atuação de militares americanos em território equatoriano se intensificou a partir dos primeiros meses deste ano. Em março, forças militares dos dois países lançaram oficialmente operações terrestres coordenadas contra grupos classificados como "narcoterroristas". Uma das primeiras grandes ações ocorreu na fronteira norte (região de San Martín, próxima à Colômbia), visando a facção Comandos de la Frontera.
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