Serpa. Agricultores refutam rendimentos triplicados no setor

Uma associação agrícola do concelho de Serpa, distrito de Beja, desafiou esta quinta-feira o ministro do setor a explicar onde estão e quem recebeu rendimentos a triplicar, contrapondo que os agricultores só sentem o aumento dos custos.
Numa carta aberta dirigida ao ministro da Agricultura e Mar, José Manuel Fernandes, enviada esta quinta-feira à agência Lusa, a APROSERPA – Associação de Produtores do Concelho de Serpa argumentou que, do lado dos agricultores, “aquilo que subiu foi o preço do gasóleo, dos adubos, das rações e dos restantes fatores de produção”.
“Os preços pagos aos produtores não acompanharam esses aumentos”, disse a associação, criticando declarações feitas pelo governante, na última segunda-feira, segundo as quais os rendimentos de agricultores triplicaram.
O ministro, que falava aos jornalistas em Arcos de Valdevez, no distrito de Viana do Castelo, à margem de um fórum sobre pastorícia extensiva, afirmou na ocasião que “aqueles que viram os seus rendimentos triplicados são aqueles que, no fundo, se manifestam mais”.
Na carta, a APROSERPA disse não poder deixar “esta afirmação sem resposta” e convidou José Manuel Fernandes para se deslocar a este concelho alentejano e ouvir os agricultores, conhecer as explorações e confrontar os números do ministério que tutela com “as contas de quem trabalha a terra”.
“Nunca tentámos ludibriar a opinião pública. Não somámos alhos com bugalhos para fazer títulos de jornal, nem chamámos apoio a um empréstimo”, acrescentou a associação agrícola, desafiando o ministro a concretizar que os agricultores receberam “o triplo”.
E, continuaram os produtores pecuários de Serpa, “se há quem tenha triplicado os rendimentos”, então o ministro que diga “quem é, em que condições e com que dinheiro”.
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Quanto aos “mais de 162 milhões de euros para apoio” aos agricultores em 2027 anunciados pelo ministro da Agricultura, na segunda-feira, a APROSERPA afiançou que “não representam um aumento do orçamento global da Política Agrícola Comum (PAC)”.
“Resultam de uma reprogramação de verbas já previstas, através dos mecanismos de flexibilidade autorizados pela União Europeia, reforçando os pagamentos diretos aos agricultores”, disse.
Segundo a associação, “tirar de um bolso da PAC para pôr no outro pode alterar a distribuição dos apoios, mas não significa acrescentar dinheiro à agricultura” e, além disso, as contas dos agricultores “vencem agora, não em 2027”.
Já em relação aos “mais de 250 milhões de euros do Orçamento do Estado e as verbas mobilizadas de fundos europeus”, a organização lembrou que “destinam-se a responder a situações distintas, desde os prejuízos causados pelas tempestades ao aumento dos custos de produção“.
Trata-se de “apoios importantes, mas a sua atribuição não demonstra, por si só, que o rendimento líquido das explorações tenha aumentado”, referiu.
Lembrando a manifestação que promoveu no passado dia 02 deste mês, naquele concelho alentejano, a APROSERPA criticou ainda o ministro por dizer que “o Governo aumentou o rendimento dos agricultores em mais de 200 milhões de euros por ano”.
“Se esse montante fosse distribuído igualmente pelas cerca de 261 mil explorações agrícolas contabilizadas em Portugal em 2023, representaria cerca de 765 euros por exploração por ano, cerca de 64 euros por mês”, exemplificou, vincando que “apoio não é sinónimo de rendimento”, que é o “que sobra depois de pagar os custos de produção”, que “não param de subir”.
Através da carta, a associação agrícola de Serpa reiterou o seu pedido de reunião com o ministro da Agricultura, “ainda sem resposta”, e propôs ao Governo a isenção da taxa de carbono no gasóleo agrícola e o estudo da autoliquidação do IVA.
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