PCP questiona impacto da compra da REN pelo Estado

O dirigente do PCP Jorge Pires afirmou esta segunda-feira que a reentrada do Estado no capital da REN deixa “muita coisa por explicar” e defendeu que esta decisão não vai aumentar a influência estatal no setor elétrico.
Numa conferência de imprensa na sede do partido, em Lisboa, o membro do Comité Central do PCP reagiu à decisão do Estado de comprar 13,7% do capital da REN afirmando que “há muita coisa por explicar relativamente a isso”, apontando que “foi dito que ia ser pago por um fundo a constituir, mas não existe fundo nenhum ainda”.
Para o PCP, que se opôs à privatização da REN concluída em 2014, o Governo de Luís Montenegro dá uma ideia falsa de que, ao recomprar as participações na empresa, o Estado “passa a ter um peso fundamental”.
“Mas não é. O Governo não fica com um peso fundamental. Não é isso que vai fazer com que o Estado possa intervir no setor elétrico, um setor estratégico para o desenvolvimento do país. Seja relativamente à política de preços, seja relativamente ao desenvolvimento, aos investimentos a fazer”, acrescentou.
Jorge Pires defendeu que essa influência apenas é possível com a empresa pública e não concordou que esta fosse uma iniciativa positiva, porque não vai no sentido de recuperar o controlo público da REN.
Na sexta-feira, foi comunicado à Comissão de Mercado de Valores Mobiliários (CMVM) que a Parpública, sociedade gestora de participações sociais do Estado Português, comprou aos espanhóis da Pontegadea Inversiones uma participação de 13,7% do capital da REN.
A operação está condicionada à concessão de visto do Tribunal de Contas e representa um regresso do Estado português à estrutura acionista da empresa, cujo processo de privatização foi concluído em 2014, durante o Governo PSD/CDS-PP liderado por Pedro Passos Coelho, com a saída dos restantes 11% que ainda estavam na esfera pública.
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