Sobre dar más notícias e ter comida nos dentes
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Olá, muito bom dia. Sejam bem-vindos a mais um episódio de Terapia de Casal. O meu nome é Guilherme Fonseca e comigo está a Rita da Nova. Eu até apontei a frase, vou dizer exatamente como eu apontei.
Eu tenho medo. Bom dia.
Pessoa que faz a versão intelectual de um hábito mitras.
É verdade.
É o que tu fazes. Tu fazes a versão intelectual de um hábito mitras, que é: andas pela casa com o telefone sem fones a dar um audiolivro.
Não é sempre. Estás a dizer "andas pela casa" como se eu andasse sempre pela casa que estou a ouvir um audiolivro. Não é assim.
Às vezes pões os fones, não sei o que te acontece.
Muitas vezes ponho os fones.
Deves te enganar.
Posso explicar porque é que eu às vezes uso o telefone. Normalmente, é quando estou na casa de banho. Não ando pela casa, normalmente estou na casa de banho, que estás a ser mentiroso. Ando menos pela casa a ouvir audiolivros sem fones do que tu andas a lavar os dentes.
Mas lavar os dentes é um hábito de higiene.
Sim, mas tu andas pela casa a lavar os dentes.
Ando às vezes um bocadinho.
Não me esquecer que isso é nojento, um nojo, como alguém disse uma vez. Eu faço isso quando estou na casa de banho, quando estou a fazer skincare ou a maquilhar-me, porque não consigo ter os fones por causa da água.
E eu fico a ouvir um narrador ou uma narradora, mas ultimamente têm sido narradores, a contar uma história.
Mas tu nem sequer estás a ouvir bem, porque ele está aí Estou a adorar esta imitação.
Diante.
Parecias um sim. Eu estava a gostar de ouvir porque acho que é porque parecia um sim.
Se és contra mitras ouvirem-
Não, desculpa, na minha casa eu faço o que eu quero.
Por acaso estou a ser injusto para os mitras. Se és contra velhos ou pessoas com mais de 50 anos, eu estou a hiperventilar.
Pronto, já está. Olha, já vem aí.
Ficam a ver na praia, nos restaurantes e nos transportes públicos reels que começam a dar para a merda do transporte todo.
Não é a mesma coisa.
Ai não? O teu livro a dar ali da casa de banho para a sala.
Estou na minha casa e na minha casa eu faço o que eu quero.
Então vão peidar.
Não.
Por quê? Porque é uma coisa que contamina o espaço, não é? E que importuna.
Eu não cheiro mal. O meu é que não é o cheiro, Guilherme. Eu não cheiro mal quando estou a ouvir audiolivros e normalmente estou fechada na casa de banho. Estás a ser muito injusto.
A porta normalmente está aberta por causa dos gatos e ouve-se cá para fora.
Tu também andas a ouvir reels pela casa. Qual é a diferença? Reels e TikToks.
Não ando.
Guilherme, quando estás sentado na sanita, eu ouço os teus reels e os teus TikToks. Não sejas injusto.
Agora tenho que ir cagar de fones.
Então estás me a dizer que eu também tenho que ir fazer o meu skincare de fones?
Se calhar.
Qual é a diferença?
Então dentro da casa de banho o som não se propaga, é isso?
Claro que não.
Nós temos que pôr aquela coisa de estúdio. Sabes aquelas paredes daquela espuminha.
Uma almofadinha.
Casca de ovo ou caixa de ovo, como é que se chama aquilo. Temos que pôr isso nas casas de banho que possa ou não sair.
Cada um está na sua casa de banho a ouvir o que quer.
E com uma acústica incrível, a fazer cocó na melhor acústica do mundo. Mas pronto, queria começar com isto porque é uma coisa que eu acho que é perturbadora.
Não, eu ando quase sempre de fones. Não estou de fones quando estou muito investida no livro e estou a ouvi-lo quando estou a fazer o meu skincare.
Também é verdade.
Pronto, então estás a ser injusto. Se me estás a dar razão.
Não estou a ser injusto, mas é a realidade. Para mim é tão simples como tu tens uma versão intelectual de um hábito mitra. É só isso. Pronto, mas já passou. Já justificaste, já explicaste porque é que tu fazes.
E que tu és a gente do caos hoje.
Estou completamente. Eu vim para pegar fogo a isto. Ainda para mais, nós hoje vamos fazer comunicações a pessoas de mensagens de outras pessoas. E portanto, eu já estou nesse espíritozinho de tenho más notícias para dar.
Tens mais alguma coisa para dizer ou queres avançar para e-mails?
Não, para e-mails? Eu tenho imensas coisas, mas que é isto?
Tenho imensas coisas para dizer.
Primeiro os episódios não podem ter meia hora e depois aos quatro minutos de episódio temos que ir para...
Estava aqui, temos aqui dois e-mails, temos várias comunicações para dar, mas se tens coisas para dizer, diz.
Tenho mais coisas para dizer.
Pronto. Isto hoje, olha, meus amigos, eu não sei se vocês vão viver para ver o 337.
Tu tens pensamentos intrusivos.
Não tenho nada. Tenho hábitos mitra, tenho pensamentos intrusivos. Qual é o pensamento intrusivo? Vá.
Tu tens pensamentos intrusivos de coisas que eu fiz.
Como assim?
Isso para mim é hilariante. Nós estávamos os dois nas compras a andar de lado para o outro e do nada tu interrompes o silêncio e dizes assim: "E quanto tu destes os parabéns ao bebê dos nossos amigos duas vezes numa semana?" Porque repara, eu vivia bem com o fato de ter feito isso, mas tu tens pensamentos intrusivos de coisas que eu fiz.
Eu acho que às vezes eu fico tipo: "Ele fez mesmo isto". É verdade. Isto é mais sobre ti do que sobre mim, na verdade.
Não, sem dúvida nenhuma.
Tu deste duas vezes os parabéns, na mesma semana, ao mesmo bebê.
É que eu vou te explicar. Eu apontei o dia do aniversário deste bebê dos nossos amigos. Não vale a pena estar a dizer os amigos, mas pronto, foram pais, mães, uma criança muito linda. Por acaso é muito bonita a amiga.
É muito.
Mas os pais também são bonitos.
Tinha tudo para dar. Tínhamos tudo para dar.
E eu dei os parabéns no dia. Mas o que aconteceu?
Não, eu dei os parabéns no dia e tu foste atrás.
Exatamente, demos os parabéns no dia. E o que acontece? Uns dias depois, acho que foi uma semana depois ou uma semana e meia, já não sei, mas foi pouco tempo para ser esquisito. O pai da criança fez um post em que disse os três juntos pela primeira vez No primeiro aniversário? Qual era a agenda da foto?
Era uma coisa ao dir ao primeiro aniversário.
O primeiro aniversário dos três juntos. E pôs uma foto com toda a gente, um bolo e toda a gente a tirar fotografias à criança com o bolo e eu: "Será que faço anos? Se calhar faço anos, vou dar os parabéns". E fui ao grupo e dei os parabéns.
E três mensagens acima estavam os teus outros parabéns.
Pois estavam. Isso é que foi muito engraçado. Eu podia ter lido antes de escrever.
Não, e tu podias ter pensado: "Eu acho que já dei os parabéns a esta criança nos últimos dias".
Pois, porque eu dei no dia e dei uma semana e meia depois. E vou te dizer uma coisa, não sei se não dou agora outra vez.
Olha, manda uma mensagem a dizer: "Olha, muitos parabéns".
Vou mandar. Não, não vou mandar, não vou chatear. Mandava outra vez só dizer: "Olha, parabéns à criança, porque também merece uma terceira vez".
Eu acho muito engraçado, porque depois ficas com aquele ar de: "Ah, pois é".
Pois. Não me apercebi, desculpem lá.
Vou te dizer uma coisa, Guilherme. Tu não podes, com poucos episódios de distância, fazer-me aqui dizer que a tua memória está melhor.
Está demasiado boa. Eu agora lembro-me várias vezes das coisas.
Não podes vir aqui dizer para eu admitir que a tua memória está melhor.
Eu decorei o teu número de telefone.
Pronto, já voltamos com esta merda outra vez do meu número de telefone. E continuas a achar que isso é uma prova de amor?
Não, é uma prova de amor/uma prova de memória.
Guilherme.
Mas não desvies o assunto.
Guilherme.
Por que tu tens pensamentos intrusivos com coisas que eu fiz?
Porque sabes aquela sensação de te ires deitar e pensares na coisa mais embaraçosa que fizeste quando, por exemplo, uma pessoa que te estava a servir num restaurante te diz bom apetite e tu dizes obrigado igualmente. E ficas assim: "Obrigado igualmente". E isso só vem à tua cabeça quando estás mesmo quase a dormir e ias ter uma boa noite e de repente passas a noite com embaraço por causa disso.
Tu tens isso com coisas que eu fiz?
Sim. Como eu não tenho coisas suficientes para me embaraçar sobre mim mesma.
Pois, claro, porque és muito perfeita. Então o que mais é que eu fiz que te deixou nesse desconforto?
Agora, de repente, não me lembro, mas fazes muitas coisas.
Te vira tipo memória de Vietnam.
Dependendo de quando, pois.
Vem-te assim uma memória e diz: "E quando tu deste os parabéns duas vezes na mesma semana à mesma criança". Isso é hilariante. É hilariante que tu tenhas pensamentos intrusivos com coisas que eu fiz.
Porque eu sinto que eu sou responsável pela tua memória e pela minha. Nesta casa.
Achas?
Acho. Então se tu dás os parabéns duas vezes na mesma semana a uma criança, tenho que ser eu a dizer.
Mas isso é memória a mais, não ter dado nenhuma é que era mau.
Não é memória a mais.
Não ter dado nenhuma era mau.
Desculpa, não é memória a mais. Já me estás a irritar agora tu também. Não é memória a mais, porque tu esqueceste da primeira vez que deste, então não é memória a mais, é memória a menos.
Mas se-
Guilherme, não! Não há justificação
Falta de memória é quando eu não me lembro do aniversário.
Não, falta de memória é quando tu não te lembras de alguma coisa. E neste caso, tu não te lembras de ter dado, portanto, é falha de memória na mesma.
Pois é, tens razão. Desculpa, bucei.
Tu estás a bocejar?
Não é cedo. Este episódio sai às 6:00 a.m. de segunda-feira. São 6:00 a.m. de segunda-feira, neste momento.
Imagina que nós tínhamos mesmo de gravar quando estava a sair.
Tínhamos que gravar às 5:00 a.m.
Nossa, nem pensar.
Não, eu não faço manhãs numa rádio.
Sim, já fizeste em tempos, não é?
Já fiz em tempos.
Ou não te lembras?
Lembro-me perfeitamente, que fui despedido numa sexta-feira por uma segunda. Tenho mais um tema que eu gostava de trazer para aqui para nós falarmos.
E o que é que me vais acusar agora?
Não tem nada a ver contigo.
Não vai começar com: "Tu..."
O Vítor Sá, no seu podcast, falou de uma coisa que eu acho que é interessante trazermos para aqui. O Vítor Sá, no seu podcast, já há umas semanas, já não me lembro exatamente em que episódio é que é, mas quem ouve o podcast do Vítor Sá, de certeza que ouviu isto. Falou de uma coisa que é, ele diz: "Eu acho que nos primeiros dates as pessoas deviam dizer como é que dormem", porque ele é casado, ele está com a sua namorada, agora mulher, há muitos anos e ele diz que dormir é uma coisa em que eles às vezes ainda não acertam, que eles têm problemas, porque um se mexe, o outro tem calor, o outro não sei o quê, e um ressona e o outro não ressona, e que por muito que eles estejam juntos há muitos anos, que continua-
Ainda é uma fricção
...ainda é uma fricção e é uma coisa que ainda custa a acertar. E eu acho isso muito interessante, porque eu estive a ler um artigo sobre sleep divorce. Está a haver uma vaga de sleep divorce. E eu gostava de ponderar o sleep divorce contigo.
Não, nem pensar.
Calma, tens que me ouvir até o fim. E falar sobre o conceito, porque para algumas pessoas isso pode fazer sentido.
Para algumas pessoas pode fazer sentido. No nosso caso, acho que não faz. Eu quero um sleep divorce, mas dos nossos gatos.
Já sabia onde tu ias.
Do Risotto, sobretudo. Estou cansada que aquela besta venha dormir para o meio das nossas cabeças.
"Estou cansada". Agora veio para aqui a Barbara Tinoco. O Risotto, que é um gato com 11 quilos, quer dormir encostado às nossas cabeças. São 11 quilos! E ele quer vir para as nossas cabeças.
Entre as nossas duas cabeças.
E ele encosta-se, começa a fazer ronron, faz o ronron mais alto que eu já ouvi em toda a minha vida.
Não, e o ronron é fofo e embala-me para dormir.
O ronron embala.
Agora, não se ele estiver a sufocar-me.
Porque ele quer encostar, ou seja, ele quer ficar encostado à nossa cabeça para dormir.
Ele acha que é um bebê.
Porque ele acha que é um bebê. Ele acha que ele é pequenino.
Ele acha que cabe em todo lado e ele não cabe em todo lado.
Ele não cabe, ele tem 11 quilos.
Mas sleep divorce eu acho que era muito interessante nós convidarmos as meninas do "Teu Mal É Sono" para fazermos um episódio sobre hábitos de sono e como é que eles afetam.
Isso era muito giro, e de falar sobre sleep divorce, porque o conceito de casais que conseguem fazer tudo em conjunto um com o outro, menos dormir, eu acho que é uma coisa interessante. Porque os meus avós, por exemplo, dormiam em camas separadas, em camas diferentes. E eu acho que isso está a fazer um comeback.
Está a fazer um comeback. E eu acho que para algumas pessoas pode mesmo fazer sentido. Eu acho que no nosso caso não faz muito, porque eu sou um Tanto eu como tu dormimos... Tu tens umas posições estranhas a dormir, mas é engraçado quando eu acordo e te vejo em que peça de puzzle é que tu estás.
Pois é, eu normalmente estou em "Street Fighter", com o joelho para cima.
É, estás assim.
Sim. Imaginem o desenho de giz de uma pessoa que caiu de um quarto andar dos fogos.
Tal e qual é o de arme a dormir.
Sou eu a dormir com a perna assim ao contrário, para cima.
Já te vi nas posições mais estranhas e mais engraçadas. E até me dá um quentinho quando acordo e penso: "Olha, tão engraçado ele ali, todo torto".
Mas eu durmo sossegado, quieto, não ressono, a menos que esteja bêbado, o que não acontece há bastante tempo. Mas eu até sou agradável de dormir.
Eu também.
Tu chamas-me o forninho, porque eu sou muito quente e eu aqueço-te.
É por isso que eu não quero um sleep divorce.
Porque eu sou um saco de água quente.
Tu és o meu saco de água quente.
Ya. Mas a verdade é que o sleep divorce, que é um conceito que eu acho muito interessante, também tem a ver, por exemplo, com as horas de ir dormir. E se tu não ficasses no sofá mais uma hora, uma hora e meia comigo até eu ter sono e ir dormir. Repara, tu podias perfeitamente ter o teu quarto e eu o meu.
Não, porque muitas vezes eu vou para a cama, deito-me e depois tu vais para a cama.
Exato. Mas a sorte é tu não acordares quando eu vou.
Sim, se eu tivesse o sono mais leve e acordasse quando tu ias para a cama.
Ias odiar que eu fosse para a cama mais tarde. Eu às vezes até tenho que verificar se tu não morreste, porque tu não fazes nenhum género de barulho. Ou seja, eu acho que para alguns casais talvez faça sentido a cena de não tem que ser quartos diferentes, mas pode ser camas diferentes.
Pois, no mesmo quarto, duas camas.
Por que não?
Com um Cristo no meio.
Exatamente.
Na parede entre as duas.
Coitado, o risoto aí não dava. Para a cama que ele ia.
Ia para a tua.
Achas?
Acho. Porque tu dás-lhe mais festinhas quando estás a dormir. Eu não vou ser enabler desse comportamento.
Pois, é verdade.
Não te vou recompensar.
Eu estou a dormir, caguei e eu não, coitadinho. E ele encosta-se a mim e eu deixo festinhas.
Não, porque tu estás a recompensá-lo pelo que ele está a fazer.
Claro, ele vem dormir.
Claro, ele vem me acordar, ele vem me sufocar a cabeça.
Não, ele depois deixa-me dormir, eu dou-lhe umas festinhas, a certa altura adormece, ele fica só a fazer o motor fica ligado e vai.
Estavas a dizer que eu às vezes pareço morta. No outro dia, tu de manhã disseste-me: "Bem, ontem tive mesmo de ver se tu estavas..."
Pois foi. Tive mesmo que ver se estavas viva, porque tu não te mexes, não respiras, não te estás a mexer, não fazes barulho, não reages a nada de quando eu me deito e quando eu ligo a luz e tu continuas a dormir. Tu apagas completamente. És um cadáverzito.
Sou um cadáverzinho.
E eu: "Isto não está bem, o que se passa?" Eu acho sempre: "Pronto, morreu, faleceu".
Foi hoje.
É impressionante. E nesse dia fiquei preocupado. Nesse dia achei que era melhor verificar se estavas a respirar.
Sim. Tu, por acaso, tens o sono, acho que mais leve que o meu.
Por causa dos meus xixis.
E acordas mesmo, tipo: "O que é que é? Já vou". Às vezes eu vou-te só acordar.
Eu acordo à soldado.
Exato. Fico tipo: "Amorzinho, olha, já são 10". E tu: "Eu já vou".
"Onde? É o quê? Vamos hoje."
Eu já vou. E eu digo: "Não, estou te só a pedir, tu disseste-me para te acordar às 10".
Pois é.
Já são 10.
Isso pode dar um texto engraçado de stand-up, porque eu acordo à soldado. Eu acordo sempre como se estivesse a soar uma sirene e eu tenho que ir para a linha da frente.
Tens logo.
E eu acordo, estranhamente, acordo muito desperto.
Não é verdade.
É verdade. Desculpa, mas é verdade.
Nem sempre é verdade.
Eu acordo muito pronto e disponível. Mentalmente, fico logo a 100%. É o quê? É para resolver problemas de matemática.
Nem sempre. Achas que ficas mais do que ficas, eu acho.
Quando eu acordo assim sobressaltado, eu acho que é.
Quando acordas sobressaltado.
É que eu estou a dormir muito profundamente. Eu tenho que vir-
Das catacumbas.
Das catacumbas lá do sonho e quando chego cá acima, é do género: "Pronto, cheguei, é o quê?"
Mas tu achas que o sonho é lá embaixo?
Eu acho que o sonho é lá embaixo.
Eu acho que o sonho é lá em cima. Eu acho que desces.
Tu cais na cama quando acordas?
Sim.
Eu subo à cama quando acordo. Que giro.
O sonho não é lá embaixo.
O meu é lá embaixo.
Não, o meu é lá em cima.
Porque é onde está o corpo, eu vou para dentro do corpo, é para baixo.
Não, então estás de cima para baixo.
Não.
O teu espírito.
Qual espírito? Eu não estou a falar de espírito nenhum, estou a falar do meu corpo. Eu vou para dentro do meu corpo.
O que é que vai para dentro do teu corpo? A tua consciência.
Não, mas ninguém está a falar disso. Isso é a tua imaginação. Tu imaginas uma consciência a pairar para dentro do corpo, para dentro.
Faz .
Imagina, é como se o meu corpo abrisse assim uma fenda e depois tu entras e vais para um túnel, vais para baixo.
Então, mas o que é que está aí para baixo? É a tua consciência.
Não, sou eu a ir para dentro dos sonhos.
A tua consciência.
Depois quando eu acordo, eu subo e entro no meu corpo e acordo. Vou tentar explicar isto de uma forma visual. Para mim acordar é uma coisa em ascensão, é de baixo para cima e levantas-te.
Ok.
É tipo um jato, é uma fonte. Percebes o que eu quero dizer?
A mim parece aqueles miúdos que estão a fazer as coreografias na escola.
Sim, é tipo as mãozinhas e levantar. Não é? Para ti acordar é tipo cair no teu corpo?
Ya. Alguma coisa minha está fora do corpo.
Aham.
Está lá naquele mundo onde eu sonho, não sei o quê.
Está a voar.
E quando eu acordo, eu faço .
Pois, tu imaginas como-
Eu sou , tu és .
Adoro. É que tu imaginas como nas séries, quando a consciência está a pairar e está a ver o seu próprio corpo a ser operado e depois desce para o corpo e tu ganhas consciência.
Só que eu não estou a ver nada.
Está bem, estou só a dizer. Tu imaginas a tua consciência paira, estás a sonhar, e depois desce para o corpo e volta.
O sonho é lá em cima, o sonho não é lá embaixo.
Eu imagino-me uma vira de baixo, a vir para o meu corpo. Até porque, se tu reparares, o que tu fazes quando acordas é à vampiro quando acorda, à Nosferatu. Tu levantas-te. Portanto, eu imagino, é uma força que vem de baixo e que te levanta.
Não, mas eu muitas vezes quando acordo abro só os olhos. Não tenho essa...
Como o vilão dos filmes, quando no fim ainda não está bem morto, abre só os olhos.
Sim.
Já percebi.
É muito engraçado.
Olha, achei muito interessante esta conversa.
Gostava que as pessoas nos dissessem se o sonho é lá em cima ou é lá embaixo.
Para mim, quando eu acordo, eu venho para cima. Tu quando acordas, vens para baixo. Pois. Olha, está muito giro.
Estou lá noutro plano.
Como é que se chamam os meninos que nós vamos convidar depois?
O Samuel e o Son.
Ok, que é para nós depois...
Falarmos com elas. Acho que devia ser mentira.
Queria só dizer uma coisa, que é um tema meio hack de comédia, mas nós esta semana tivemos um almoço com um piloto de aviões. Um piloto de aviões, uma pessoa que conduz mesmo o avião. "Vocês querem ir daqui para Amsterdão?"
Ele pilota.
Ele é o senhor que pilota. Ele está lá sentado e comanda, vai conduzir. É o senhor do Uber, mas do avião.
Eu adoro a palavra pilota, não sei se já se-
Já assentou. E eu disse uma coisa, eu disse-lhe assim: "Eu sei que isto é um tema um bocado batido, mas eu queria-te só perguntar se vocês ficam tristes quando as pessoas não batem palmas nos voos." Porque ter a oportunidade de perguntar isto diretamente a um piloto foi interessante para mim. E ele respondeu-me: "Nós nunca ouvimos."
Nós não ouvimos nada.
"Se as pessoas baterem palmas ou não baterem, nós não ouvimos no cockpit." Eu pensei: "Então as pessoas estão a bater palmas para quê? E a quem? Se o piloto não ouve." Eu vou dizer isto ao microfone, que eu acho que isto é importante. Os pilotos não ouvem as palmas. É indiferente. Está-se a desperdiçar palma, não há uma abelha no voo. Parem de bater palmas.
Exato.
Ninguém está a ouvir. A pessoa a quem vocês estão a bater palmas, não está a ouvir. Isso para mim. Eu achei brilhante.
É o equivalente a bater palmas aos médicos durante a pandemia.
Também não estão a ouvir.
Estavam lá ocupados a tratar o Covid.
Exatamente, e a entubar gente. Pronto, queria só dizer isso, porque descobri esta semana e achei graça.
Queria dar essa informação às pessoas.
Queria dar esta informação.
Vamos aos e-mails primeiro? E depois queres ir às comunicações?
Não, para mim era comunicações. Fazemos as comunicações e se não der e-mails, fica para a semana.
Está bem.
Se antes para a semana não é possível, se calhar temos convidado.
Pois, se calhar temos, já está.
Temos convidado. Já está apalavrado, mas pronto, nunca se sabe o que pode acontecer.
Claro.
Vamos embora. O que eu acho? Eu acho que era engraçado nós irmos alternando as comunicações que fazemos.
Ok, tu não queres dar uma versão de cada um.
Tu também podes.
Porque eu posso não concordar com a tua versão.
Ah, ok.
Se eu concordar, eu digo: "Está". Ou tu dizes: "Está".
Ok.
Se não concordarmos, acho que devemos cada um dar a sua comunicação.
Ok, então eu vou começar pela primeira.
Ok.
Posso?
Podes.
Esta mensagem chegou-nos da Sara. Ela não deu o nome da pessoa a quem quer comunicar, mas vou-lhe chamar amiga da Sara. Amiga da Sara.
Tu não vais dizer o que a pessoa pediu?
Não, porque tem muito mais graça descobrir isso durante a comunicação. Se calhar devíamos ter batido bolas sobre isto antes.
Pois, talvez.
Mas tu podes fazer da tua maneira e eu faço da minha.
Não, isto agora, de repente, é cada um a fazer o seu podcast.
Exatamente, eu tenho o meu.
Com camas separadas, não é?
Exatamente.
Será que é podcast divorce?
Exatamente. Amiga da Sara.
Amiga da Sara.
Tu tens coisas tuas, que tu gostas, que são importantes para ti, coisas que tu gostas de manter. O teu namorado, a tua casa, o teu cão ou o teu gato, não interessa. Não tenho informação sobre isso, mas de certeza tens coisas que são tuas. Ora, as outras pessoas também têm coisas que são delas. E que se por amor, se por carinho, se por gostarem de ti e se por despertarem em ti um interesse intelectual, te emprestam um livro, esperam que depois tu devolvas o livro. E mais grave, não acho bonito, amiga da Sara, tu teres o livro em exposição na tua própria casa.
Como se fosse teu.
Como se fosse teu. E a Sara tem que ir à tua casa e vê sempre o seu próprio livro na tua estante, como se fosse teu. O que tu fizeste não é um esquecimento, o que tu fizeste é um roubo. Amiga da Sara, devolve o puta do livro à Sara, porque o livro é dela, não é teu, e tu não tens nada que estar a mostrá-lo nas tuas prateleiras como se fosse teu. Amiga da Sara, devolve o livro à Sara, que o livro é dela. Qual é o livro? Não sei, porque ela não escreveu aqui, mas a Sara quer o livro de volta. E está farta de ir à tua casa e ver o livro na estante. E depois um smile a chorar com uma lagrimita.
Ela sempre que vai à tua casa, chora.
Exatamente. Na verdade, amiga da Sara, é como se eu tivesse roubado o namorado. E agora convidas a Sara para ir à tua casa jantar e estás tu com o namorado dela. Não é bonito. Devolve o namorado, que neste caso é o livro.
Devíamos saber qual era o livro.
Por acaso eu acho que era importante, porque há livros que nós podíamos pensar.
Em formas.
Exatamente.
Diferentes de passar essa mensagem. Não tenho nada a dizer, acho que passaste muito bem essa mensagem.
Queres comunicar esta?
Olha, namorada, mulher do Filipe. É o seguinte: quando duas pessoas se juntam, sejam namoradas ou sejam casadas, essas duas pessoas passam a ser a família uma da outra, de certa forma. Criam uma nova família. E muitas vezes isso é uma oportunidade para se livrarem das amarras das pessoas da família de que não gostam assim tanto.
Exatamente.
Ou gostam, mas estão fartas. E é o seguinte, namorada do Filipe, a tua mãe está muito presente na vossa casa e na vossa vida. A tua mãe não foi a pessoa com quem o Filipe casou. A verdade é essa. O Filipe casou contigo. E quando casou contigo, lá nos contratos que vocês assinaram, não dizia que o Filipe ia casar com a tua mãe também.
Verdade.
Portanto, por favor, um bocadinho menos de mãe na vossa vida. Faz mais tempo para estares só com o teu marido, que acredito que seja marido, com o Filipe, e deixa a tua mãe para momentos reservados à tua mãe. Para que misturar Filipe e mãe? Não vale a pena.
Exatamente. Isto é a maneira do Filipe dizer: "Estou um bocado cansado."
Estou um bocado farta da tua mãe. Não casei com ela.
É muito giro, nós podemos dizer as coisas que as pessoas não têm coragem de dizer. Eu adoro isto. Eu tenho aqui um giro, vou dizer este. Querida Sonay. O Mário tem uma mensagem para vocês. Querida Sonae, vocês são uma empresa grande, vocês gerem muitas pessoas, gerem muitas localidades, gerem até algumas empresas e gerem principalmente muitos produtos. E às vezes, esses produtos desaparecem e vocês não sabem deles. Não é como a Sara, que sabe exatamente onde é que está o produto que perdeu, mas há um produto que vocês perderam em 1999 e que nunca mais reaveram. Porque Sonae-
Reouveram.
Reouveram? Reaveram. Reouveram. É reouveram?
Acho que sim.
Ok. Em princípio, depois vai acontecer o que acontece sempre no podcast, que é: dava para dizer das duas maneiras.
Espera.
Reaveram ou reouveram?
Porque é de haver, de ter.
Ok, então vê lá. Reaver ou reouveram? Só para eu continuar aqui a mensagem do Mário, porque isto é importante.
Reaveram, não é, como tu dizes?
Reaveram ou reouveram? Vê lá. Estamos neste momento aqui a fazer esta confirmação. Desculpem o momento de silêncio.
A forma correta é reouveram.
A forma correta é reouveram. Ok. O produto que vocês nunca reouveram. Fica esquisitíssimo, isto não faz sentido nenhum. E se nós, com a força do hábito, conseguimos mudar uma palavra, eu acho que nós vamos conseguir mudar esta. Querida Sonae, em 99, o Mário roubou um Bolikão do Continente só para ter o cromo. Ele nem sequer comeu o Bolikão.
Ele dá para o Bolikão.
O Bolikão foi para o lixo, ele só queria o cromo. Ele queria ficar com o cromo. Eu nem sei se ele deu o Bolikão a um amigo ou se mandou para o lixo, ou se voltou a pôr o plástico à volta e voltou a pôr o Bolikão no sítio. Mas o Mário precisava de nós para vos dizer que roubou um Bolikão.
Admitir que ele roubou o Bolikão.
Roubou o Bolikão do Continente. Ponham alarmes no Bolikão por causa do Mário ou então tirem os cromos dos Bolikãos, porque o Mário resolveu em 99-
Acho que já não há cromos nos Bolikãos.
Já não há?
No outro dia comi um Bolikão.
Comeste um Bolikão?
Na casa da Inês, quando fui fazer aquele sleepover na casa dela, comemos um Bolikão. Foi mesmo um sleepover anos 2000.
Também comeram gomas e viram...
O quê, Guilherme?
Foda-se, como é que se chama o programa? O "Pimp My Car".
"Pimp My Ride"?
"Pimp My Ride".
Não, não vimos o "Pimp My Ride".
É que isso é que é tipo um sleepover à antiga.
Mas comemos um Bolikão.
Ya. Eu acho que esta é engraçada para tu dizeres.
Ok.
Este momento de silêncio foi a Rita a pensar, calma.
Digo-te uma coisa, não percebo isto. Porque não há coisa mais básica do que dizeres isto a alguém.
Mas essa pessoa não tem coragem.
Especialmente alguém com quem tens intimidade.
Também, mas tens que compreender que as pessoas têm os seus entraves.
Namorada do Tomás.
Exatamente.
Quando tu fazes uma refeição, pela natureza da tua estrutura dentária, costumas ficar com coisas nos dentes. É só isto. Portanto, namorada do Tomás, quando comeres, por favor verifica com a câmera do telemóvel, num espelho, se tens coisas nos dentes ou não, porque pelos vistos o teu namorado é um parvo e não tem coragem de dizer que tens coisas nos dentes.
Está feito.
Eu acho que dizer-
Mas tu estás irritada com o Tomás.
Estou irritada com o Tomás, porque eu acho que dizer que a tua namorada ou teu namorado, seja quem for, tem uma cena nos dentes, é uma prova de amor maior do que decorar o número de telefone.
Eu já me apercebi de alguns momentos em que tu não me dizes quando eu tenho comida nos dentes.
Digo-te sempre que reparo.
Podes não ter reparado, mas eu suspeito que é para eu ser menos atrativo e nenhuma mulher me levar.
Não, já não é preciso fazer isso. Eu digo sempre que reparo. Sempre.
Pois.
E sou muito discreta a avisar as pessoas. Não, a dizer: " tens uma coisa nos dentes".
Tens uma coisa nos dentes.
Sou muito discreta e aviso amigos, aviso até pessoas com quem se calhar ainda não tenho alguma intimidade.
Dizes logo?
Digo assim: "Olha, desculpa".
Nós recentemente estivemos num evento em que uma pessoa esteve imenso tempo com comida nos dentes e nenhum de nós disse.
Quando? Não me lembro. Sim.
Eu fiz língua gestual, desculpem daí o silêncio.
Aí não tenho...
Intimidade?
Não tenho intimidade.
Mas é que a pessoa estava com um bocadão gigante de comida nos dentes e nenhum de nós os dois disse.
Mas aí eu não tenho intimidade. Aí eu não sei como é que a pessoa vai reagir. Ou seja, se eu souber que a pessoa vai valorizar eu dizer, eu digo.
Mas valorizar vai sempre. Achas que esta pessoa não ia valorizar?
Pode ficar muito envergonhada.
Ou envergonhado, por que estás a dizer que é uma mulher?
A pessoa.
Sim.
A pessoa envergonhada.
Posso continuar? Há mais um aqui engraçado que eu tenho aqui.
Vá.
Que é: ex-amiga da Mariana. Ela nunca te disse, mas a-
Também não vai dizer agora porque já não são amigas.
Também não vai dizer, estou eu a dizer. Mas a amizade acabou por tua causa. Ex-amiga da Mariana, ela nunca te disse, mas ela afastou-se de ti por causa da tua atitude quando ela falava com o teu namorado. Tu fazias cenas de ciúmes só porque ela ficava a falar com o teu namorado e ela estava numa relação. A Mariana estava numa relação, ela não tinha interesse nenhum no teu namorado.
Ela não queria o teu namorado para nada.
O teu namorado é o teu namorado, mas ela é educada e fala com o teu namorado porque era tua amiga. E é isso que as amigas fazem, aturam os namorados umas das outras.
Às vezes sem quererem.
E portanto, ex-amiga da Mariana, a amizade acabou, ela afastou-se por tua causa, porque tu fazias cenas de ciúmes e ela nunca soube muito bem Se era por causa dela, se tu achavas que a tua amiga ia comer o teu namorado, se era porque não confias no teu namorado e achavas que ele ia tentar comer a tua amiga. Não interessa.
De qualquer das formas.
Não interessa. A crise de ciúmes que tu fazias por ela falar com o teu namorado acabou a tua relação e ela nunca teve coragem de dizer porque é que se afastou. E ficas aqui a saber, ex-amiga da Mariana.
Em primeira mão.
Que foi por isso que ela se afastou.
Muito bem.
Esta é boa, não?
Esta é muito boa.
Esta é muito boa. Queres ir à que temos no...
Tem duas no e-mail.
Então dale, podes ler uma.
Ainda por cima as pessoas no e-mail mandam...
Eu posso ficar com o da comunicação. Diz a outra.
O que diz arautos de comunicação?
Sim, fica com essa.
Então, espera aí.
Estas são mesmo de e-mail, portanto podes ler.
Ok. Leio mesmo o e-mail todo?
Ou então faz como estamos a fazer, é quando tu quiseres. Este podcast também é teu.
Esta pessoa pediu para darmos um nome, ainda por cima. Não é assim, como é que depois a tua pessoa vai saber?
Ele manda isto e diz: "Este sou eu".
Pronto. Então eu sou a ***. Esta mensagem é para a sogra da ***.
Muito bem.
A tua nora às vezes falta aos almoços de família, não sei se já reparaste. Não sei se já reparou, desculpe, estou a tratá-la por tu.
Trata por você.
Não sei se a senhora já reparou.
Isto é uma sogra, tem uma idade, vamos ser respeituosos.
Não sei se a senhora já reparou que por vezes a sua nora falta a almoços de família.
Falta.
Não é porque a *** tenha outros almoços com outras pessoas.
Não, de todo.
Não é porque tenha trabalho.
Não, não é.
Não é porque esteja doente.
Não é, não está doente.
É simplesmente porque não consegue comer a sua comida.
Atenção, eu percebo o medo de dizer isto. Tu não dizias a uma sogra: "A tua comida é uma merda".
Não, claro que não. Mas aqui a questão não é ser má. É só porque a *** não concorda com o tipo de alimentação que a sogra faz.
Ok.
Agora vou dar contexto. Ela considera-se boa cozinheira e a maior parte das pessoas elogia a sua comida.
Muito bem, porque têm medo dela, se calhar.
Pois, se calhar. Ela tem o hábito de cozinhar com muito azeite e óleo e carnes bastante gordurosas, muitas batatas fritas, tudo frito, muito frito, vocês entendem. E não só eu não gosto, como também não quero fazer esse tipo de alimentação regularmente, principalmente porque percebo as repercussões que isso tem na família dela. Ela tem dois filhos, o meu marido e o meu cunhado. A minha sogra tem excesso de peso, o meu cunhado tem obesidade mórbida e o meu marido era obeso quando vivia com ela, tendo perdido cerca de 35 quilos quando saiu de casa.
Pois.
No entanto, ela acha que a comida dela é saudável porque é comidinha caseira, apesar de já lhe termos demonstrado e tentado explicar que não é assim que funciona.
Eu adoro este conceito de: "Isto é comidinha caseira, como é que isto pode ser pouco saudável?"
Depois tem bué açúcar.
Depois estão a fritar merdas.
No entanto, ela acha que a comida dela é saudável. Adorava ter uma maneira de lhe dizer isto sem ser má, ao mesmo tempo de forma que ela percebesse o impacto que isso tem na saúde dela e do filho, o meu cunhado. Eu acho que não há forma de dizer.
Ok, santinho.
Desculpem. Eu acho que não há forma de dizer, fazendo passar as preocupações com a saúde, porque já tentaram e ela não aceita.
Exato. Tem que ser de outra maneira.
Pode ser mostrando um vídeo do YouTube. A mostrar o que acontece às veias quando tu comes muita gordura.
Pois, não sei se isso vai ajudar. Eu estava a pensar, esta pessoa é muito orgulhosa da sua comida, acha que toda a gente gosta e toda a gente elogia. Eu não sei se ela não precisa de começar a ser criticada.
A dizer olhe.
Tipo MasterChef. "Olhe, este prato até costumava ser bom, mas eu acho que tem posto muito azeite".
Tem posto muito azeite, tem muito azeite.
Tem posto azeite demais. E eu gostava, mas agora já não gosto tanto. Começar lentamente a dial back. Mas lentamente, porque isto é preciso partir aqui. Olha, é como um obeso mórbido perder peso. Tem que ser quilo a quilo. Tem que ser degrau a degrau, acho eu.
Pronto, parece-me bem.
Vamos ao último?
Vamos.
Vamos embora. Então aqui vai. Olá, Rita.
Não eu.
Não é esta Rita, é outra Rita. Tudo bem. Esta mensagem vem de um colega teu de trabalho, que eu não sei se ele quer ser identificado ou não, mas é um ele. Depois se ele quiser, ele manda texto.
E agora são só duas pessoas que trabalham naquele trabalho.
Nenhuma Rita trabalha com... eu não vou dizer o nome. Rita, eu acho bem tu preparares a tua marmita para o trabalho, tu preparares a tua comida para levar para o trabalho. Eu acho isso excelente. E até acho que, ao contrário da mãe do nosso e-mail anterior ou da sogra do e-mail anterior, eu acho bem que tu te preocupes com a tua saúde e que faças os teus batidos para o teu pequeno-almoço. Qual é o problema? É que os teus batidos são saudáveis para ti, mas são insuportáveis para os outros. Os teus batidos do pequeno-almoço, Rita, deixam um cheiro incrível e nauseabundo no open space onde tu trabalhas. E ninguém tem paciência para o cheiro a vômito que fica. Ninguém tem. A descrição é mesmo: ainda no outro dia decidiu abanar um sem tampa e sujou o chão por completo. Parecia que alguém tinha vomitado no chão. Portanto, Rita, eu sei que tu gostas dos teus batidos. Eu sei que tu estás preocupada com a tua saúde. Provavelmente até foste a um cycling antes. Não queres tomar o pequeno-almoço, estás com as tuas proteínas e com as tuas coisas no teu batido.
Mas podes tomar à porta.
Bebe no carro, Rita. Ninguém tem que cheirar o vomitado a que cheira o teu batido no open space. É só isso, Rita.
Ninguém está a dizer para não beberes.
Exatamente. Rita, teu corpo, tuas regras, tu ingeres o batido que tu quiseres. Agora, corpo dos outros, regras dos outros, as pessoas não têm que cheirar o pútrido cheiro dos teus batidos no open space. Portanto, das duas, uma: ou bebes no carro, ou bebes em casa, ou bebes à porta do emprego. Esse batido não tem que entrar no open space onde está o teu colega, que eu não vou dizer o nome, e que está farto do teu cheiro.
E é isto.
Está comunicado.
Está comunicado. Está feito o nosso primeiro arauto de comunicação, espero que tenham gostado.
Eu acho isto muito divertido. Se vocês tiverem mais mensagens que querem comunicar a pessoas, mas não têm coragem, já sabem como é que isto funciona. Mandam para terapiadecasalpodcast@gmail.com, escrevem "Arauto da Comunicação" e o que é que querem comunicar e a quem, e eu e a Rita passamos más notícias por vocês. E depois vocês o que é que fazem? É tão simples como pegam neste link, neste episódio, e mandam o minuto à pessoa e dizem: "Olha lá, esta mensagem".
"Isto é sobre ti".
"Olha lá, mandaram uma mensagem. Olha, vê lá se isto não é interessante".
Vê lá.
E depois desligam o telefone durante duas horas.
E mudam-se para o Uruguai.
Exatamente.
Pronto, queres dizer mais alguma coisa às pessoas?
Não quero dizer absolutamente mais nada. Quero agradecer continuarem a ouvir o nosso podcast e gostarem de nós. Continuarem a mandar mensagens.
Gostarem de nós é médio.
Sim, reportarem-nos.
Exato.
E acho que é isto. Nós voltamos para a semana, 90% de probabilidade de ser com convidado. 92.
99.
99?
99,9999999999999999999999999999999999999999999999999999. Desliga 9999999.
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