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Tuesday, November 3, 2026

Portugal: vem aí uma crise política?

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É sempre por volta desta hora que conhecemos o tema do Contracorrente. Se quiser entrar em direto depois das 10:00, já sabe que basta ligar para nós, 91 002 41 85, mas também pode deixar a sua mensagem nas redes sociais, no site do Observador, ou então enviar-nos o seu áudio, a sua mensagem de voz. O número é sempre o mesmo, 91 002 41 85. Carla.

Luís Montenegro, André Ventura e José Luís Carneiro entraram numa tenda à procura do culpado pela antecipação das eleições. Carneiro afirmou já não sei se uma remodelação será suficiente. André Ventura, que acaba de ser reeleito líder do Chega com 98% dos votos, faz contas sobre o que lhe falta fazer para ultrapassar o PSD. Luís Montenegro, obviamente, espera capitalizar qualquer precipitação dos dois seus adversários. Helena Matos, bom dia. Podemos dizer que nas crises a gestão do tempo é mesmo o segredo da vitória?

Em boa parte é. Ou seja, nós temos neste momento o seguinte cenário: o José Luís Carneiro está à frente nas sondagens, mas tem uma situação complicada, porque à medida que as sondagens sobem, começa a acabar o tempo que alguns lhe deram para fazer esta liderança do Partido Socialista. Aliás, ele tem uma parte do Partido Socialista no Rossio, que é uma coisa muito complicada, porque pelo Rossio já passaram nomes como Ana Catarina Mendes ou Pedro Nuno Santos. Passaram também outros socialistas de menor relevância, mas estes dois são um sinal de alguma coisa e são um sinal não para o governo, mas para Pedro Nuno Santos. Depois, é claro que nós temos, neste momento, a extrema-esquerda que vê neste protesto, uma possibilidade de uma nova geringonça. Ou seja, é óbvio para todos que o PS não consegue formar governo sozinho. José Luís Carneiro tem mostrado a sua vontade para governar em minoria, mas governar em minoria com o aval do PSD. Isso é claro que não agrada a uma boa parte do Partido Socialista, portanto, temos aqui esta situação. Depois temos o outro lado, que é o Chega, com André Ventura a mostrar-se mais socialista que os socialistas em tudo o que seja a parte económica. Já assistimos a isso na lei laboral. Podemos assistir agora ou não na lei das rendas, mas muito provavelmente sim. E, portanto, temos esse momento. E Luís Montenegro? Vamos ver. Luís Montenegro chegou a esta crise com um ministro da Administração Interna debilitado por todo um conjunto de polémicas e crises que não tinham a ver com o seu desempenho ministerial, mas sim com o seu desempenho enquanto diretor da PJ. E aquilo a que temos assistido, de reação das forças policiais, é talvez também uma forma de Luís Neves mostrar duas coisas: que ele é o homem que consegue controlar a rua propriamente dita e também que é o homem que pode esvaziar o Chega. Ou seja, ele tem desde o princípio uma determinação, que foi expressa, aliás, na Assembleia da República, uma vez num debate, que haveria de dar cabo de André Ventura, e ele, porventura, e ele é muito político, intuiu que se deixasse André Ventura cavalgar a contestação àquelas acampadas, ele estava a perder para André Ventura. E, portanto, terá percebido que politicamente, para ele, lhe era vantajoso assumir um discurso de não há mais acampadas, nem mais acampamentos, porque se não preenchesse esse espaço, esse espaço seria preenchido por André Ventura. Agora, a grande pergunta é se aquilo que interessa ao ainda ministro da Administração Interna, Luís Neves, é aquilo que interessa ao governo. E, portanto, em que medida, como já aconteceu anteriormente, Luís Neves não acabou a impor-se a Luís Montenegro, que me parece claramente que não estaria disponível para tolerar acampamentos e acampadas e coisas do gênero, mas que, porventura, e estou a falar em pura especulação, poderia ter gerido esta circunstância, talvez de um modo menos espalhafatoso. Portanto, estas três pessoas é como se estivessem dentro da tenda da Renata Câmara, que afinal ficou vazia esta noite, pelo que sabemos, ela não dormiu lá, e estivessem a olhar um para o outro para saber qual deles é que vai cometer o erro.

Como uma espécie de jogo do sério. Quem é que desmancha primeiro.

Dentro de uma tenda. E uma tenda no Rossio por estes dias deve ser um sítio um bocadinho frio e inóspito. Pronto, portanto, é isso que nós temos aqui e até porque convém também ter em conta que neste enquadramento, irmos para eleições, nenhum dos valores que aparecem nas sondagens são favas contadas. E, portanto, eu creio, aliás, que neste momento não há contestação por mais nada, mas é porventura na habitação que o governo de Montenegro tem melhores números para apresentar, porque a habitação é de facto um comboio de mercadorias muito pesado e até se conseguir começar a construir demora tempo. E Luís Montenegro tem-se construído, de facto, muito mais durante os seus governos. E, portanto, se vamos por aí, há alguma coisa, porventura, se fôssemos pelo lado da saúde, pelo lado da educação, houve péssimos resultados agora nos testes. E atrasou-se até a divulgação dos resultados, mas não é por aí. Por outro lado, sendo Portugal um país de senhorios e minúsculos proprietários, é preciso ter em conta, e note alguém que sabe bastante de política, espero que também saiba bastante de obras públicas, Pinto Luz ontem usou uma expressão: "Estamos a legislar para a maioria silenciosa". Portanto, há política, muita política. Não sei se as pessoas comem iogurte fermentado ao pequeno-almoço, mas confesso que às vezes já comi alguns fora do prazo de validade e fiquei a pensar se isso depois tem algum efeito, mas confesso que estou curiosa.

Estás curiosa para ver o que é que vai acontecer. Vamos ter vários convidados que podem ajudar a responder a algumas dessas dúvidas.

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