Habilidades em IA podem elevar salários em 23%, aponta estudo; veja como se preparar
Profissionais que desenvolvem competências em inteligência artificial podem ampliar seu valor no mercado de trabalho. Uma pesquisa publicada em 2025 identificou um prêmio salarial de 23% associado a essas habilidades no Reino Unido, em um cenário de mudanças nos critérios de contratação.
O estudo, publicado na revista científica Technological Forecasting and Social Change, analisou aproximadamente 11 milhões de anúncios de emprego britânicos entre 2018 e meados de 2024. Os resultados indicam que empresas passaram a valorizar competências específicas em IA, mesmo quando os candidatos não possuem determinadas qualificações acadêmicas.
O percentual, porém, não significa que qualquer profissional receberá um aumento de 23% ao aprender a utilizar ferramentas de IA. A pesquisa identifica uma associação entre essas habilidades e salários anunciados mais altos no mercado britânico, e não uma garantia de reajuste individual. Os resultados também não podem ser generalizados diretamente para o Brasil.
Quais habilidades em IA podem aumentar o valor profissional?
O estudo Skills or degree? The rise of skill-based hiring for AI and green jobs, de Matthew Bone, Eugenia González Ehlinger e Fabian Stephany, identificou mudanças nos critérios utilizados pelas empresas para contratar profissionais de IA.
Entre 2018 e 2023, a participação de vagas relacionadas à área cresceu 21%, enquanto a proporção de anúncios que exigiam formação universitária para essas funções caiu 15%. O resultado sugere uma valorização crescente das competências demonstráveis, embora a formação acadêmica continue relevante para muitas posições.
Para profissionais de diferentes áreas, isso significa que aprender a utilizar inteligência artificial pode ser um diferencial, mesmo sem a intenção de seguir uma carreira técnica. O valor da habilidade depende, entre outros fatores, da função exercida e da capacidade de aplicar o conhecimento a problemas reais.
Uso de ferramentas e automação de tarefas
Uma das competências mais acessíveis é utilizar ferramentas de IA generativa para executar atividades profissionais. Sistemas como ChatGPT, Claude e Gemini podem auxiliar na elaboração de documentos, na síntese de relatórios, na organização de informações e na criação de versões iniciais de apresentações.
O diferencial está em saber orientar a ferramenta, avaliar as respostas e identificar erros. Um analista financeiro, por exemplo, pode utilizar IA para estruturar um relatório, mas precisa conferir os números e validar as conclusões antes de compartilhar o documento.
Outra habilidade relevante é a automação de tarefas repetitivas. Profissionais podem aprender a integrar ferramentas para organizar informações, classificar solicitações e preparar relatórios periódicos, reduzindo etapas manuais.
Análise de dados e resolução de problemas
A inteligência artificial também pode apoiar a interpretação de grandes volumes de informações. Em áreas como marketing, vendas, recursos humanos e operações, profissionais podem utilizar ferramentas para identificar padrões, comparar indicadores e levantar hipóteses.
Para isso, é importante saber formular perguntas, interpretar resultados e reconhecer limitações dos sistemas. Conhecimentos de planilhas, estatística básica e visualização de dados ajudam a transformar respostas produzidas pela IA em informações úteis para decisões profissionais.
A avaliação crítica das respostas é igualmente necessária. Modelos generativos podem apresentar informações incorretas com aparente segurança, além de reproduzir vieses presentes nos dados utilizados em seu desenvolvimento.
Como desenvolver habilidades em inteligência artificial na prática?
O primeiro passo é identificar atividades da própria rotina que consomem tempo e poderiam ser realizadas com apoio da tecnologia. Em vez de tentar aprender todas as ferramentas disponíveis, o profissional pode começar por uma necessidade específica.
Quem trabalha com recursos humanos, por exemplo, pode testar a IA na estruturação de descrições de vagas. Um profissional de marketing pode utilizá-la para organizar pesquisas de público, enquanto um analista pode explorar recursos de síntese e classificação de dados.
Em seguida, vale comparar os resultados com o processo tradicional. O objetivo é verificar se a ferramenta melhora a qualidade, a velocidade ou a consistência da entrega, sem comprometer a precisão e a confidencialidade das informações.
Também é importante construir um portfólio de aplicações práticas. Registrar um problema, explicar como a IA foi utilizada e demonstrar o resultado ajuda a comprovar a competência em entrevistas e avaliações profissionais. Dados confidenciais da empresa, de clientes ou de colegas não devem ser inseridos em ferramentas sem autorização.
Por fim, o aprendizado precisa acompanhar as mudanças nas ferramentas e nas exigências da profissão. Cursos introdutórios, treinamentos específicos e experimentação supervisionada podem complementar a experiência prática, sem substituir os conhecimentos necessários para exercer cada função.
O que o estudo significa para a carreira dos brasileiros?
O prêmio salarial de 23% identificado no Reino Unido é um indicador de como determinadas competências em inteligência artificial podem ser valorizadas em um mercado de trabalho específico. Não representa uma previsão de aumento salarial para profissionais brasileiros nem demonstra que a capacitação, isoladamente, seja suficiente para elevar a remuneração.
No Brasil, a aplicação dessas habilidades depende do setor, do cargo, da experiência, da demanda por profissionais e da capacidade de utilizar a tecnologia para gerar resultados. Por isso, acompanhar as competências exigidas em vagas da própria área é uma forma de identificar quais conhecimentos merecem prioridade.
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Mais do que dominar uma ferramenta específica, desenvolver competências em inteligência artificial envolve aprender a identificar problemas, avaliar resultados e aplicar a tecnologia com responsabilidade. Essas capacidades podem contribuir para a adaptação às novas exigências do mercado, embora os efeitos sobre salários e oportunidades dependam das condições de cada profissão.
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