8h. Manifestantes voltam a montar tendas no Rossio
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Oito e um. As notícias com Carla Jorge Carvalho. Depois de uma noite em que os manifestantes dormiram ao relento em Lisboa, esta manhã o protesto pela habitação está novamente a montar tendas para que as pessoas possam permanecer na Praça do Rossio.
São cerca de uma centena de manifestantes que estão a esta hora em Lisboa, depois de uma noite em que houve um diálogo com a PSP. A polícia deixou os manifestantes permanecerem no local, desde que retirassem as tendas e não fizessem barulho. A repórter Beatriz Félix está neste momento em direto do Rossio. Beatriz, qual é a situação agora? Há mais tendas montadas? Quantas pessoas estão no local?
Agora, há oito tendas montadas. São pouco mais do que as cinco que estavam montadas na última hora, foram as primeiras tendas a ser montadas ao raiar do dia. Estão agora menos pessoas. Há pouco, por volta das seis, eram ainda cerca de 100 as pessoas que aqui estavam. Agora já só rondam as 30 pessoas. Mesmo assim, continuam por aqui. Um porta-voz que falava conosco há pouco dizia que o plano é para continuar a resistir, mas que tudo isso, todas essas decisões, dependem sempre de uma votação em assembleia popular, que ainda não aconteceu. Normalmente, costuma ser mais da parte da tarde. Há, no entanto, uma equipa de limpeza própria deste movimento. Já vimos aqui pessoas a apanhar garrafas do chão, outro lixo que tenham feito durante esta noite. E vão também passando outras pessoas externas a este movimento, algumas com palavras de apoio, outras, no entanto, a criticar estes manifestantes que aqui estão desde sábado, mas, como dizia, um dos porta-vozes deste movimento diz que isso é para continuar. Ainda assim, está a ser uma manhã de calma, depois de alguns pequenos sustos que aconteceram durante a noite. Falo de um episódio em que um manifestante, um cidadão de nacionalidade brasileira, que não faz parte deste movimento, entrou dentro do protesto com uma bandeira de Israel. Os manifestantes ofereceram agressão e, por isso mesmo, acabou por ser escoltado por outros membros deste movimento até à entrada do metrô do Rossio. E tudo acabou por acalmar. Foi uma noite relativamente mais calma, apesar de as pessoas permanecerem aqui, o clima mantém-se a esta hora.
Beatriz Félix, em direto do Rossio, em Lisboa, onde lentamente vão sendo erguidas algumas tendas. No Porto, a situação é muito diferente. A noite ficou marcada pela desmobilização. É o que conta o repórter Miguel Pinheiro Correia.
Depois da música, da poesia e da dança, reina o silêncio aqui na Praça Dom João I. De tarde, ainda houve algumas atividades, mas desde que terminou a assembleia popular, com perto de 200 pessoas, a multidão foi desaparecendo lentamente. Deixaram aqui ainda alguns vestígios dessa passagem, desses protestos que se prolongam há mais de uma semana na cidade do Porto. Vemos tarjas e também tendas simbólicas, tendas de cartão a simular aqui pirâmides em formato de tenda com várias mensagens. Numa delas lê-se: "Esta tenda custa €30 mil". Mas tendas verdadeiras não há. Na Praça Dom João I, os manifestantes voltaram a não montar tendas. Na assembleia popular desta tarde, nem sequer votaram a possibilidade de voltarem a dormir aqui. No entanto, alguns desses manifestantes expressaram essa vontade de voltarem a montar tendas. Há essa intenção também da parte da organização, mas, para já, ainda não é possível perceber quando irá acontecer. E por isso, sem essa perspectiva de pernoita na praça, acabaram por abandonar e também, já com poucas pessoas na praça, ouviram-se gritos de: "Fascismo nunca mais, 25 de abril sempre", enquanto eram distribuídos cravos, que foram entretanto colocados no centro da praça num formato de círculo, praça essa onde os manifestantes devem regressar amanhã. Há programas previstos para a próxima tarde, mas estes manifestantes estão se a guardar, principalmente, para uma maior manifestação que acontecerá no sábado.
Miguel Pinheiro Correia. Ele esteve a acompanhar a manifestação de ontem no Porto, que terminou ao início da noite.
O PS confirmou ontem o sentido de voto relativamente ao Orçamento do Estado do próximo ano. O partido vai viabilizar o documento na generalidade.
José Luís Carneiro não encontrou oposição interna a esta decisão, já pré-anunciada. Ou seja, houve consenso total nesta decisão do PS. Vasco Maldonado Correia.
A uma semana do debate do Orçamento do Estado, a posição do Partido Socialista está na mesma.
A Comissão Política Nacional do Partido Socialista mostrou hoje um grande consenso em torno da posição proposta pelo secretário-geral do partido de transmitir ao grupo parlamentar o entendimento dos órgãos de que o sentido de voto do Partido Socialista no Orçamento do Estado para 2027 deve ser um voto abstencioso.
Anúncio feito pelo porta-voz do PS, André Moz Caldas, depois de uma reunião da Comissão Política Nacional, que trouxe unanimidade no rumo que está a ser seguido.
O sentimento global que resulta do conjunto das intervenções é de um consenso total em torno do sentido de voto que o partido vai ter no Parlamento.
A abstenção, reitera Moz Caldas, não mostra concordância com as políticas do governo. Acontece em nome de algo maior.
Temos a certeza que as portuguesas e os portugueses compreendem. Nenhum ou muito poucos portugueses entenderiam ser chamados a eleições mais uma vez, a meio ou a menos de meio de uma legislatura.
O que não quer dizer que mais lá pra frente a postura não possa mudar.
Se o governo conseguir dar respostas aos problemas dos portugueses e criar condições para que se mantenha a possibilidade de o Partido Socialista convergir na viabilização dos orçamentos, muito bem. Isso pode não acontecer até o fim da legislatura e o Partido Socialista reserva-se, obviamente, a possibilidade de fazer essa avaliação a cada momento.
Noutros tempos, a abstenção do PS foi violenta, foi também exigente. E agora?
É uma abstenção não adjetivada.
Sem adjetivos, mas com unanimidade, o PS não garante a mesma postura na especialidade.
Vasco Maldonado Correia, que acompanhou a reunião de ontem à noite da Comissão Política do PS. O debate do Orçamento do Estado para o próximo ano está marcado para a próxima semana, para os dias 27 e 28.
São oito e oito. Antes dos momentos, Glória Carla, que outras notícias marcam esta manhã?
Isaltino Morais admite a criação de um novo partido ao centro e moderado. O presidente da Câmara de Oeiras diz que há um grande número de eleitores que não têm onde votar. Em entrevista à RTP, Isaltino conta que desde que falou sobre a possibilidade de liderar um partido ao centro, não parou de receber telefonemas de interessados, vindos de várias orientações políticas. O autarca dá o exemplo da habitação para dizer que PS e PSD não têm conseguido fazer reformas. O Sporting perdeu ontem em casa contra o LASK por 3x2, a contar para a Liga dos Campeões. Esta noite, para a Liga Europa, o Benfica visita a casa do Omonia, em Chipre. Destaque também para os jogos do Torriense para a Liga Europa, diante do Ferencváros, da Hungria, e do Sporting de Braga, frente aos belgas do Gent para a Liga Conferência.
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