Por que a Holanda retirou toneladas de ouro de Nova York
Nos últimos seis meses, o Banco Nacional Holandês (DNB) retirou cerca de 86 toneladas de ouro das reservas localizadas em Nova York, nos Estados Unidos, e em Ottawa, no Canadá.
De acordo com o próprio DNB, a mudança se deu por necessidade de mais facilidade para uma eventual venda de parte dessa reserva. O ouro foi enviado ao Banco da Inglaterra, localizado em Londres.
Segundo a nota oficial, a capital britânica possui um mercado mais aquecido na venda de minerais preciosos e abriga um importante centro de negociação de ouro físico.
“A combinação dos processos de compra e venda com o transporte físico permitiu ao DNB diluir os riscos associados a uma operação de realocação física de ouro tão complexa, garantindo, ao mesmo tempo, eficiência e controle de custos”, alega a diretoria do banco na nota.
Com a nova configuração, Nova York, que tinha 31,3% das reservas de ouro, passou a ser a menor em representação total. Atualmente, os estoques holandeses em minério precioso se dividem desta forma:
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32,1% em Londres, na Inglaterra
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30,8% em Zeist, na Holanda
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18,5% em Nova York, nos EUA
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18,5% em Ottawa, no Canadá
Por que isso acontece?
Para além da explicação formal dada pelo DNB, especialistas alertam para um movimento de precaução diante da instabilidade política e econômica nos Estados Unidos e no Canadá.
Em agosto os países trocaram imposições de taxas de importação e a relação econômica deixou de ser amigável, como no passado.
“É importante observar que o ouro não foi repatriado, o percentual que fica depositado no país permanece o mesmo. Na prática, uma parcela significativa do ouro que ficava nos EUA foi transferido pro Reino Unido, o que mostra que de fato existe uma preocupação que é específica com os EUA”, explicou à Esfera Brasil Matheus Pereira, professor de Relações Internacionais da Universidade Federal de Uberlândia (UFU).
Para ele, os Estados Unidos deixaram de ser o fiador da ordem que eles mesmos construíram, e passaram a atuar como uma força desestabilizadora, em vez de garantidora, dessa mesma ordem.
Reservas em ouro
A maioria dos países ao redor do mundo tem reservas econômicas baseadas no mineral precioso. Por sofrer pouca desvalorização e ter alta fluidez de mercado, essa passou a ser uma atividade comum.
O Brasil possui, oficialmente, 172 toneladas de ouro guardadas em outros países.
“A prática de armazenar parte do ouro no exterior se relaciona à necessidade de facilitar sua transação em momentos de necessidade. Londres, por exemplo, é um dos principais centros mundiais de negociação de ouro, permitindo que bancos centrais vendam ou emprestem suas barras com rapidez, daí a racionalidade de manter reservas guardadas lá”, falou o professor, que também é pesquisador do Instituto de Estudos sobre os Estados Unidos (INEU).
“Países como a Alemanha, por exemplo, tem acentuado muito o debate sobre a necessidade de repatriação do ouro custodiado nos Estados Unidos. À medida que a imprevisibilidade do governo Trump se mantém, o mais provável é que mais governos façam isso, embora seja mais provável que este movimento se dê de forma calculada e não como uma espécie de corrida bancária”, concluiu ele.
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