Entre o 'ranço' e a fé: evangélicos explicam rejeição a Nossa Senhora

A teóloga e pastora anglicana Cynthia Muniz explica que a valorização do exemplo de Maria acabou perdendo espaço em parte do ambiente evangélico, embora sua relevância bíblica seja reconhecida. "Lidamos com ela como um exemplo de fé, disponibilidade, voz profética e discipulado fiel. Seu papel na encarnação e na história da redenção é valorizado, mesmo que não a tratemos com os mesmos títulos comuns à fé católica", afirma.
Particularmente, procuro sempre enfatizar a necessidade de recuperarmos sua memória e seu exemplo para a nossa fé, algo que, por causa do anticatolicismo, foi amplamente perdido entre os evangélicos.
Cynthia Muniz
Cynthia também observa que o reconhecimento oficial de uma padroeira pelo Estado provoca desconforto em parte das igrejas evangélicas. "Acredito que essa resposta varia bastante, mas diria que, considerando setores significativos do evangelicalismo no Brasil, esse fato gera, sim, certo incômodo", diz. Ela acrescenta que, "devido à história do protestantismo no Brasil, há um anticatolicismo presente em muitas comunidades cristãs".
Batalha espiritual e disputa por poder
Além das divergências doutrinárias, a resistência à figura de Nossa Senhora Aparecida também ganhou contornos políticos nas últimas décadas. Alonso Gonçalves associa o acirramento das críticas a correntes ideológicas presentes em setores do meio evangélico. "É um movimento político derivado de duas influências, nefastas, nas igrejas evangélicas: a batalha espiritual e a teologia do domínio. A rivalidade é por poder".
Segundo o pastor, a disputa também envolve a ocupação de espaços públicos e o enfrentamento simbólico de outras tradições religiosas. "Um dos fenômenos da batalha espiritual é destronar Maria e outros santos como prova de que está ganhando a batalha", afirma.
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