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Monday, September 14, 2026

O Museu Municipal de Castro Daire

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Olá, seja muito bem-vindo. Esta é a história das histórias. Eu sei que já estava à espera de nos ouvir. Eu sou o João Paulo Sacadura, mas, sobretudo, estava à espera de ouvir o Jorge Adolfo Marques, historiador e professor, que hoje começa, esta semana, a falar do Museu Municipal de Castro Daire. Já percebi, Jorge, que vais falar do queridíssimo Templo das Cigarras.

Um lugar muito bonito.

Sim, muito importante. Para mim é um lugar icónico na Beira Alta. E também vais falar do Centro de Interpretação e Informação do Montemuro e Paiva. Estou muito curioso. Vamos a isso. Bem-vindo.

Vamos a isso. Obrigado, João Paulo. Também saudade. Sim, de facto, hoje vamos falar de dois espaços muito interessantes para serem visitados em Castro Daire, na sede do concelho, que é o Museu Municipal de Castro Daire, que já é um pouco mais antigo. Está na Casa da Cerca, bem no centro da vila. Foi inaugurado em 1993, portanto, já tem uns anos. O edifício só por si, onde está instalado, é um edifício histórico. Foi mandado construir no século XVIII por Dom Manuel de Vasconcelos Pereira, que era bispo de Lamego. Importa dizer que o território de Castro Daire pertence à Diocese de Lamego. Portanto, é um museu um pouco mais antigo, com um formato mais clássico e que tem essencialmente exposto materiais, objetos que retratam um pouco as tradições agrárias, as tradições produtivas do território do conceito Castro Daire, nomeadamente alçaias agrícolas da mais diversa espécie, um tear tradicional. Depois tem algumas peças de arqueologia, pouca coisa, e também uma tipografia tradicional. O que é interessante. Algumas peças de uma tipografia que foram levadas para aquele espaço, que é só uma sala ampla, logo ali no rés-do-chão do edifício, mas que há muitos anos que está de portas abertas a todos aqueles que querem visitar o concelho e portanto, é um lugar interessante para ser visitado. Um outro lugar mais recente é o Centro de Interpretação e Informação do Montemuro e Paiva. Esse centro de interpretação que está também instalado num solar, o que já remete para uma certa importância da vila, sobretudo no século XVIII. Este solar é o Solar dos Mendonças, também do século XVIII, portanto diríamos barroco, e que fica ali também pertinho do centro da vila, situado na Rua Doutor Pio Figueiredo.

Que é mais recente, suposto. Tem uma década.

É mais recente. Tem apenas uma década. Foi inaugurado em julho de 2016, portanto é um espaço moderno. Queria dizer que neste espaço, é um centro de interpretação do Montemuro e Paiva. Enfim, o Montemuro é a Serra do Montemuro, o Paiva é o Rio Paiva. Ambos estão também no território de Castro Daire e este centro tem um papel muito interessante de dar a conhecer esses dois espaços, esses dois territórios naturais que são, por um lado, a montanha, por outro lado, esse rio. Que há muito se diz que é o rio mais puro da Europa.

Exatamente.

Enfim, um slogan que foi lançado aqui há alguns anos atrás e que pegou. Mas efetivamente é um rio muito bonito, que atravessa uma parte pelo lado ocidental o Montemuro. Aliás, contorna a serra do Montemuro e segue para norte, vai desaguar ao Rio Douro. Aliás, já uma vez fizemos aqui referência a isso. Neste centro de interpretação, que podemos visitá-lo no site do próprio centro que está disponível online, temos sobretudo cinco áreas que são distribuídas por dois pisos. Logo ali no rés-do-chão temos os percursos pedestres pelo concelho. Hoje estão muito na moda, há muitos percursos pela natureza, com segurança. Alguns mais fáceis de percorrer, outros com um índice de dificuldade maior. Mas penso que uma pessoa com mobilidade normal percorre qualquer um desses trilhos. Depois, no primeiro andar, temos uma sala dedicada à história e ao homem. E uma sala dedicada à serra do Montemuro, um espaço dedicado à Serra do Montemuro, e depois um espaço dedicado ao Rio Paiva. Eu queria dizer que este centro de interpretação e de informação tem um catálogo em formato físico, que está muito bem feito. Nem sempre estes museus, estes espaços de informação têm esses catálogos. Neste caso, existe. Esse catálogo está muito bem construído, com muita informação científica sobre a serra e sobre o rio, e também sobre a história, a arqueologia. Começa logo pela arqueologia, pelos monumentos megalíticos. Enfim, os vestígios mais antigos do povoamento naquele território.

E há décadas. Esse 106 monumentos é brutal, é um grande número.

Exatamente. Tem uma necrópole que é muito famosa, que é a necrópole da Senhora da Ouvida. Há uma capelinha que é precisamente a Senhora da Ouvida. E no território envolvente tem uma necrópole de grandes dimensões, o que comprova, uma vez mais, já falámos aqui uma vez a propósito de outros monumentos. No fundo, as capelas, as igrejas perpetuam aquele lugar como um lugar sagrado. É o que acontece aqui. Depois, remensão também à chamada Pedra dos Pratos, que fica em Covelo de Paiva, precisamente ali junto ao rio Paiva, e que é uma laje que tem uma série de espirais gravadas nessa laje, e que era também um lugar de culto dos homens pré-históricos. Depois, referência também importante neste centro de interpretação à pedra escrita de Lamas de Mouro, que tem uma inscrição latina com reminiscências lusitanas, isto é, com uma escrita que remete para os lusitanos. É uma inscrição comemorativa e votiva, que dois romanos ou indígenas romanizados chamados Rufinus e Tiro presidiram ali a uma cerimónia que decorreu em determinada altura e em que foi gravada essa inscrição numa pedra de grandes dimensões. Eles determinaram que os Veaminicori oferecem uma ovelha, a Croga dos Magariaicoi e os Petramioi, um porco, a Iové dos Caelobriga. Trata-se, portanto, de uma inscrição dedicada a Croga e a Ioveai, protetora de populações, os Magariaicoi e os Caelobrigoi, que eram duas etnias, a quem as outras etnias referidas, os Veaminicori e os Petrania, que são nomes todos um bocado esquisitos.

Sim. Falas muito bem lusitano, Jorge.

João, vou desenrascando. Portanto, ofereceram os dois animais mencionados. É curioso que esta divindade Croga aparece numa inscrição aqui em Mangualde. Já Ioveai, deve tratar-se de Júpiter. É a referência a Júpiter. Portanto, estes povos que talvez vivessem num dos castros da região, o Outeiro da Maga, por exemplo. Depois, referência aos romanos, à romanização, referência a muitas estelas que aparecem também associadas às igrejas já na Idade Média. E então, um aspecto importante que tu referiste, a referência à tal Ermida do Paiva, à Igreja da Ermida do Paiva, que era um mosteiro. Importa referir que, na sua origem, trata-se de uma fundação monástica. É o Mosteiro Prémonsstratense da Ordem de Santo Agostinho, que foi ali fundada pelo frei Roberto no século XII e depois acabou por ser sagrada em 1214. Esta igreja é conhecida pelo Templo das Siglas. Por quê? Porque nas suas pedras, na cantaria, na sua construção, no exterior, as pessoas podem observar uns símbolos.

As tais siglas dos pedreiros, não é?

As tais siglas dos pedreiros que construíram. Os pedreiros à medida que iam fazendo o seu trabalho, iam marcando para poderem receber a jorna. Agora, é importante esta igreja, que é muito bonita, foi restaurada há muito pouco tempo, porque no exterior, no lado sul, preserva ainda os arcos do claustro do mosteiro. E que é muito raro, porque é um claustro original, é um claustro românico e que, portanto, por essas siglas, o historiador Arão Lacerda até o denominou do Templo das Siglas. Portanto, um sítio a visitar fora do centro de interpretação. Fica ali muito perto da vila, a meia dúzia de quilómetros, e o acesso é muito fácil e está muito bem sinalizado na estrada. Portanto, um lugar a visitar, o centro de interpretação, o museuzinho e ir ao local. E começaríamos pela Ermida do Paiva.

Muito bem, então Jorge Adolfo Marques, quero te agradecer muito mais este, como sempre, faz-nos passear e conhecer coisas bonitas, coisas interessantes, e há tantas na região centro e concretamente é um dos meus preferidos, de facto, o Templo das Siglas. Gosto muito, ficamos com essa sugestão para hoje e amanhã há mais, conto contigo. Um grande abraço, até amanhã.

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