Cerâmica do Vale do Jequitinhonha chega a Paris com força feminina e leitura contemporânea
Hoje, aos 27 anos, ele tenta preservar a sensibilidade da infância no trabalho. "Quando eu era criança, não tinha muita distinção de pessoas para as bonecas, eu via elas com a mesma energia de uma pessoa, tanto que quando acontecia alguma quebra numa queima, eu chorava como se um parente tivesse falecido", lembra.
Da comunidade de Campo Buriti, na Associação dos Artesãos de Coqueiro Campo, Adriana Gomes Xavier reforça a centralidade das mulheres na construção estética do Vale. "A gente se inspira nas mulheres do Vale. Inspira muito nas roupas das mulheres para fazer os vestidos das bonecas, no rosto também", afirma.
Quatro gerações de barro
Da comunidade de Santana do Araçuaí, Andréia Andrade traz a perspectiva de quem nasceu dentro da linhagem iniciada por Izabel Mendes da Cunha. "Eu falo que tive o privilégio de nascer em berço de barro. Que a minha avó, a nossa grande ceramista do Vale do Jequitinhonha, a Izabel Mendes, abriu todas as portas dessa tradição de fazer as bonecas de barro", afirma.
Para Andréia, estar em Paris é extensão de uma história familiar. "Para mim é um privilégio, uma honra estar nessa família e que a gente contar a nossa história e trazer a tradição dessas bonecas do Vale, que são peças que a gente representa sentimentos, que traz toda a beleza do Vale do Jequitinhonha através do barro", diz. "É a quarta geração da minha família fazendo as bonecas, as noivas, mas cada uma com a sua identidade."
Ela destaca o uso de materiais simples, oferecidos pela natureza. "A gente só trabalha com pigmentos naturais, de vários pigmentos do próprio barro, que tem várias cores. São pedrinhas que a gente cata para poder tirar os pigmentos, vermelho, amarelo", explica. "A natureza nos oferece tudo, né, para a gente criar."
KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.