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Wednesday, October 28, 2026

PSP sobra nas manifestações mas falta na movida, acusa grupo

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Antes das 18h30, hora marcada para o início da manifestação, Patrícia Figueiredo, um dos rostos do movimento Vizinhos em Vias de Extinção, já aguardava no local, entre dezenas de estudantes universitários trajados a rigor que entraram para a estação antes do arranque da concentração. Ao Observador, a psicóloga não poupou as palavras no momento de condenar a “aberração” de atuação policial “desproporcional” que viu no acampamento na Praça D. João I.

Apontou, sobretudo, uma contradição. É que se por um lado viu estas ações musculadas com muitos polícias, por outro, o grupo que acompanha tem notado uma falta de resposta da PSP e da Polícia Municipal às queixas por excesso de barulho junto às zonas dos bares. Se o movimento em si só tem intensificado a luta nos últimos quatro anos, Patrícia disse que há vizinhos que reclamam “há décadas” com este problema.

É este o principal foco do Vizinhos em Vias de Extinção, que procura dar voz aos habitantes da baixa e do centro histórico do Porto, apoiando moradores com “impossibilidade de ter qualidade de vida” sobretudo por “questões do ruído” associado à movida. “Para quem fala tanto em regras, em ordem, em cumprimento… o que nós assistimos no dia a dia é exatamente o oposto”, argumentou, destacando um contacto muito intenso em anos “complexos” com as forças policiais e também com a autarquia.

“Não entendemos este rigor com as regras, quando estamos há uma década a pedir para a polícia e os serviços cumprirem as suas funções: garantir a ordem pública”. E exemplificou: “No dia da carga [na praça] tivemos vizinhos que fizeram direta com vandalismo e alcoolismo na via pública que os impediu de dormir a noite inteira”.

“Há uma escolha” errada sobre onde colocar as forças de segurança, “contra os seus juramentos, contra o seu código de ética, contra as boas práticas de gestão pública”. Muitas vezes, prosseguiu, “a polícia não avança” e não é dado seguimento às “ações de fiscalização das atividades económicas”. Lamentou ainda o caso de uma moradora que, quando chamou a Polícia Municipal, ouviu o agente a aconselhá-la a “vender a casa porque a câmara não estava interessada em defender os interesses dos moradores”.

Pedro Duarte quer ouvir manifestantes, mas não vai “negociar”. Oposição critica tom do autarca e cedência ao “politicamente correto”

“Pedro Duarte não tem que ter medo das pessoas que estão a protestar pacificamente”

A concentração convocada pela plataforma Casa para Viver em frente à estação de Metro da Trindade durou pouco mais de meia hora. Depois da atuação de um coro popular, com músicas portuguesas, houve algum tempo para pequenas intervenções ao microfone, com os participantes a denunciarem problemas na habitação. Numa das últimas intervenções surgiu um apelo para que o Partido Socialista não deixasse passar este Orçamento do Estado. O discurso rematou com um convite para que todos os presentes se dirigissem à Praça D. João I, onde dentro em breve teria início mais uma Assembleia Popular do movimento Acampada.

As cerca de 200 pessoas desmobilizaram rapidamente em direção à praça, ao som de “Um T0 no Barreiro” de Luís Varatojo. “Diga lá Sr. ministro porque é que isto está errado, um T0 no Barreiro custa mais do que um ordenado”, ouviu-se enquanto o espaço em frente à estação da Trindade voltou a ficar vazio.

Seguiram quase todos em direção à Praça D. João I, onde o cenário se tem repetido nos últimos dias. Perto do centro da praça, de costas para as tarjas afixadas, sentou-se um grupo ligado à organização do movimento Acampada — a autodenominada “mesa da assembleia”. Em frente aos jovens que, de microfone na mão, organizaram as intervenções, estiveram centenas de pessoas, algumas sentadas e outras, mais atrás, a formar um semicírculo de pé.

[Duarte Lima admite ter estado com Rosalina Ribeiro na noite em que a herdeira milionária desapareceu mas nega ter sido a última pessoa a vê-la com vida. Conta que, depois da reunião que tiveram, no Rio de Janeiro, levou a cliente até Maricá, para um encontro com uma mulher chamada Gisele. É uma versão que não bate certo com as primeiras provas recolhidas pelas autoridades brasileiras. Enquanto Duarte Lima se torna, para a polícia, o principal suspeito do homicídio, perde força a outra linha de investigação. Olímpia Feteira era inimiga assumida da antiga companheira do pai mas garante que nunca desejou a morte dela. E, ao contrário de Duarte Lima, disponibiliza-se para prestar todas as informações necessárias à polícia brasileira. Já pode ouvir o segundo episódio de “As Sombras de Duarte Lima”, o novo Podcast Plus do Observador. Está disponível no site do Observador, na Apple Podcasts, no Spotify e no Youtube.]

Nesta assembleia, que ainda ouviu os discursos livres de diferentes manifestantes, foram votados apenas dois pontos, ambos aprovados. O primeiro dizia respeito à partilha de um plano de segurança com quem decide dormir nas tendas na Praça D. João I. Esse plano, explicaram alguns manifestantes ao Observador, já existe e contempla “trajetos de fuga” e “outras formas de proteção”, mas a intenção agora aprovada é que passe a ser explicado a todos os que dormem no acampamento. ”Hoje não tivemos votações muito especiais”, resumiu Leonor Figueiredo, que esteve sentada na mesa da assembleia. “Algumas questões de segurança”, mas “nada paramilitar”.

Numa das últimas intervenções na assembleia, foi lembrado o convite de Pedro Duarte, que já se mostrou disponível a receber os manifestantes na Câmara Municipal do Porto. Sem revelar muitos pormenores sobre essa discussão, Leonor Figueiredo lembrou apenas que o convite para que o autarca do Porto “venha aqui [Praça D. João I] debater com as pessoas” continua em cima da mesa. “Achamos que não há nenhuma ameaça nisso. Pedro Duarte não tem que ter medo das pessoas que vivem no Porto e que estão a protestar pacificamente”, resumiu. A preferência do movimento em protesto pela habitação continua a ser um encontro na praça, em vez da reunião na câmara. “Iremos discutir outras hipóteses em assembleias futuras”, assumiu Leonor.

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