El Niño aquece os planos da Vulp Air: R$ 130 milhões para crescer em assinaturas de ar-condicionado
Empresa captou R$ 30 milhões adicionais para renovar a frota, contratar funcionários e investir em tecnologia diante da expectativa de maior demanda com as ondas de calor

Publicado em 19 de setembro de 2026 às 08:00.
RESUMO | A Vulp Air elevou de R$ 100 milhões para R$ 130 milhões o investimento previsto para este ano, diante de ondas de calor, riscos do El Niño e demanda acima das projeções. Os R$ 30 milhões extras vieram de crédito bancário captado em maio. Segundo o CEO Mateus Orsini, mais de 90% da frota já é nova.
Com a perspectiva de novas ondas de calor e os efeitos do El Niño sobre a cadeia de equipamentos, a Vulp Air decidiu se antecipar. A empresa de climatização por assinatura que pertence ao search fund Lotta Capital e que tem entre seus cotistas as gestoras Spectra Investimentos, Solum Capital e Kviv Ventures, acelerou a renovação de sua frota e elevou de R$ 100 milhões para R$ 130 milhões o investimento previsto para este ano. Os R$ 30 milhões adicionais foram captados em maio, por meio de operações de crédito com bancos, e não estavam no orçamento original da companhia.
A captação combinou instrumentos como Cédulas de Crédito Bancário (CCBs) e notas comerciais. A Vulp chegou a avaliar uma emissão estruturada de debêntures, mas considerou que o instrumento teria custos maiores.
A estratégia é chegar aos períodos mais quentes com equipamentos disponíveis para atender tanto a base atual de clientes quanto uma demanda que vem crescendo acima das projeções da empresa. “Como eu não posso deixar o meu cliente na mão, a gente antecipou o investimento para fazer o rejuvenescimento da frota”, diz Mateus Orsini, CEO da Vulp Air. Hoje, segundo o executivo, mais de 90% da frota da companhia é nova.
A preocupação não é apenas com o aumento da temperatura. O El Niño também pode afetar a cadeia de suprimentos de equipamentos. Orsini cita como exemplo a redução do nível dos rios na região de Manaus, que pode dificultar a chegada de peças às fábricas e, consequentemente, pressionar a disponibilidade de aparelhos justamente em um momento de demanda elevada. “Você começa a ter baixa produção de máquina com alta demanda. Então equipamentos de ar-condicionado ficam escassos e, obviamente, mais caros”, afirma.
Clientes também estão se antecipando
O movimento não parte apenas da Vulp. Segundo Orsini, clientes começaram a antecipar a revisão e substituição de seus próprios parques de climatização depois da experiência com ondas de calor anteriores. É uma oportunidade especialmente relevante para o modelo de negócios da empresa. A Vulp oferece climatização por assinatura: em vez de comprar os equipamentos, o cliente contrata o serviço, e a companhia assume instalação, manutenção e substituição das máquinas.
O CEO ressalta, porém, que seria exagerado atribuir todo o aumento dos investimentos ao El Niño. A empresa também vem crescendo acima do previsto, enquanto clientes ampliam a demanda. “O El Niño é uma das razões”, diz Orsini. “A Vulp se antecipa, mas o próprio mercado, por experiências com ondas de calor passadas, também se antecipa.”
E os investimentos devem continuar subindo
A necessidade de capital não deve terminar neste ano. A Vulp já começou a planejar novas captações para 2027. O valor ainda não está definido, mas Orsini diz esperar um investimento superior ao realizado neste ano caso a empresa mantenha o atual ritmo de expansão. No ano passado, a companhia faturou cerca de R$ 130 milhões. Para dezembro deste ano, a expectativa é alcançar uma receita anualizada próxima de R$ 260 milhões. “Enquanto a gente estiver crescendo nessa velocidade, teremos novas captações”, afirma.
A companhia avalia diferentes instrumentos para financiar esse crescimento. Além de crédito bancário, estão no radar alternativas como fundos de recebíveis, consórcios, operações de leaseback e até uma eventual captação via equity. A Vulp também avalia aquisições em um mercado que Orsini classifica como fragmentado, mas não há nenhuma negociação na mesa.
Quanto a Vulp Air vai investir neste ano?
A Vulp Air elevou o investimento previsto de R$ 100 milhões para R$ 130 milhões. Os R$ 30 milhões adicionais foram captados em maio por meio de operações de crédito com bancos.
Por que a Vulp Air aumentou os investimentos?
A Vulp Air antecipou a renovação da frota por causa da perspectiva de novas ondas de calor, dos possíveis efeitos do El Niño sobre a cadeia de equipamentos e do crescimento da demanda acima das projeções. Segundo o CEO Mateus Orsini, mais de 90% da frota da empresa já é nova.
Como o El Niño pode afetar o mercado de ar-condicionado?
O El Niño pode dificultar a chegada de peças às fábricas devido à redução do nível dos rios na região de Manaus, segundo Mateus Orsini. O CEO da Vulp Air afirma que a combinação de produção menor e demanda elevada pode deixar os equipamentos escassos e mais caros.
Como funciona a climatização por assinatura da Vulp Air?
Na climatização por assinatura, o cliente contrata o serviço em vez de comprar os equipamentos. A Vulp Air assume a instalação, a manutenção e a substituição das máquinas.
Qual é a expectativa de receita da Vulp Air?
A Vulp Air espera alcançar uma receita anualizada próxima de R$ 260 milhões em dezembro deste ano. No ano passado, a empresa faturou cerca de R$ 130 milhões.
A Vulp Air pretende fazer novas captações?
A Vulp Air já planeja novas captações para 2027, embora o valor ainda não esteja definido. Mateus Orsini espera um investimento superior ao deste ano se a empresa mantiver o atual ritmo de expansão.
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Jornalista com mais de 10 anos de experiência na cobertura de negócios e finanças. Passou pelas redações de Veja, onde foi editor da coluna Radar Econômico, e CMA. Contato em pedro-b.gil@exame.com
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