Operação Vectura Corrupta: Mulher de líder PCC cumprirá prisão domiciliar


A Justiça concedeu a prisão domiciliar para Carla de Paula Muller, um dos 16 alvos da Operação Vectura Corrupta, deflagrada pela Polícia Civil de São Paulo no último dia 17 para desarticular a infiltração do Primeiro Comando da Capital (PCC) em empresas de ônibus e no poder público do estado.
Carla é mulher de Antônio José Muller Júnior, o Granada, apontado como um dos líderes do PCC, recolhido na Penitenciária Federal de Brasília. Um dos principais alvos da operação é o ex-presidente da Câmara Municipal de São Paulo, Milton Leite (União Brasil). Ele continua preso.
O juiz Nelson Augusto Bernardes de Souza, da Vara Estadual das Garantias de Organizações Criminosas e Lavagem de Bens, Direitos e Valores aceitou o pedido dos advogados de Carla, Eliseu Minichillo e Ana Paula Minichillo, e substituiu a prisão temporária de 30 dias por prisão domiciliar.
A defesa alegou que a cliente tem uma filha de 10 anos e depende de forma direta dos cuidados da mãe, já que o pai cumpre pena em presídio federal. Os advogados sustentaram ainda que Carla é portadora de quadro clínico e psiquiátrico grave, tem transtorno bipolar, depressão severa e crises de pânico.
Tornozeleira eletrônica
Segundo Eliseu Minichillo e Ana Paula Minichillo, Carla necessita de uso contínuo de medicação controlada sob o risco de descompensação psíquica. O juiz decidiu conceder a prisão domiciliar para Carla cuidar da filha. Ela terá de usar por tornozeleira eletrônica.
As investigações da Polícia Civil afirmam que Carla atuava na transmissão de ordens e recados do PCC para o marido preso e operava diretamente em negócios ligados à exploração de linhas de ônibus. Os defensores dizem que ela é inocente e que provarão isso no decorrer do processo.
Durante a Operação Vectura Corrupta foram expedidos 16 mandados de prisão e outros 18 de busca e apreensão na Capital, em Santana de Parnaíba, São Bernardo do Campo e Diadema (Grande São Paulo) e em Santos, Praia Grande e Cubatão (Baixada Santista).
Além de Milton Leite, tido como dono da Transwolff, estão presos o ex-presidente da SPTrans Levi de Oliveira; o candidato a deputado estadual Danilo Marco Morgado Silva (PL); Paulo Sirqueira Korek Farias, o Paulo Camarão, presidente do Água Santa e gestor das empresas de Ônibus A2 e Translíder, além de outros investigados.
O que dizem os acusados e seus defensores
Milton Leite se entregou à Polícia Civil no último dia 18 e se declarou inocente de todas as acusações. A defesa dele diz que o ex-vereador não tem participação na Transwolff e muito menos envolvimento com o crime organizado.
Os advogados de Levi também afirmam que o cliente é inocente e não tem antecedentes criminais. Paulo Korek gravou um vídeo antes de se entregar e disse que jamais teve envolvimento com o crime organizado nem com atividades ilícitas.
A reportagem não conseguiu contato com os advogados de Danilo Marco Morgado Silva, preso no CDP (Centro de Detenção Provisória) de Mogi das Cruzes. O espaço segue aberto para manifestações. O texto será atualizado assim que houver um posicionamento dos defensores dele.
Reportagem
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