Arauco avança e conclui 81% da fábrica de celulose em MS
A construção da fábrica de celulose da Arauco em Inocência (MS) alcançou cerca de 81% de conclusão e está 6% à frente do cronograma previsto, segundo Theófilo Militão, diretor de Sustentabilidade e Relações Institucionais da companhia.
O avanço da obra, de acordo com o executivo, cria uma margem de segurança para que a empresa mantenha a previsão de início das operações no quarto e último trimestre de 2027.
Após entrar em funcionamento, a primeira fábrica de celulose da Arauco no Brasil deverá passar por uma curva de aprendizagem e alcançar a capacidade plena ao longo de 2028.
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“Esse buffer está relacionado a dar segurança para essa partida como ela está prevista”, afirmou Militão durante o 58º Congresso e Exposição Internacional de Celulose e Papel, realizado nesta semana em São Paulo.
O Projeto Sucuriú marca a entrada da divisão de celulose da Arauco no Brasil e envolve investimentos de US$ 4,6 bilhões. A fábrica terá capacidade para produzir 3,5 milhões de toneladas de celulose de fibra curta por ano e será instalada em uma área de 3.500 hectares, a cerca de 50 quilômetros do centro de Inocência e às margens do Rio Sucuriú.
Além do avanço da construção, a Arauco trabalha na formação da base florestal que será responsável pelo abastecimento da unidade. Segundo Militão, a madeira necessária para os primeiros anos de operação já está garantida, enquanto a companhia prevê consolidar toda a base florestal necessária para o funcionamento futuro da fábrica ao longo de 2027.
Infraestrutura e custo
A logística também é apontada como um dos principais pilares do projeto. A Arauco está construindo um ramal ferroviário que, segundo Militão, será a primeira “shortline” do país construída dentro do novo marco regulatório ferroviário.
A previsão é que a ferrovia esteja pronta e em operação no primeiro semestre de 2027, antes do início das atividades da fábrica.
A estrutura permitirá o transporte da celulose por ferrovia a partir da unidade industrial. Para a Arauco, a combinação entre transporte ferroviário e a estrutura de abastecimento florestal deve contribuir para uma operação logística mais eficiente e de menor emissão de carbono.
Com a consolidação da base florestal e o avanço da estrutura logística, a companhia espera posicionar o Projeto Sucuriú em uma faixa competitiva de custos.
Militão destacou que fatores como clima, disponibilidade de áreas e condições para o cultivo de árvores tornam o Brasil um dos principais polos globais para a produção de celulose.
“Quando você vem para cá e faz um projeto nessa escala, obviamente que você espera estar em um patamar de custos muito competitivo”, afirmou.
Segundo o executivo, a expectativa é que a madeira produzida para a fábrica, combinada à eficiência logística, contribua para a competitividade da celulose produzida em Inocência.
Competição e base florestal
Apesar da presença de outras grandes indústrias de celulose na região, a Arauco não considera a disputa por madeira uma preocupação neste momento.
“O Brasil tem próximo de 11 milhões de hectares, ou seja, tem um potencial gigantesco de abastecimento e crescimento”, afirmou.
De acordo com Militão, as empresas instaladas na região possuem bases florestais próprias para abastecer suas respectivas fábricas. Para ele, o crescimento do setor de árvores cultivadas no país tende a ser positivo para a economia florestal como um todo.
O executivo avalia que a expansão da área de árvores cultivadas não ficará restrita à indústria de celulose, diante do potencial de desenvolvimento de outros produtos e negócios ligados à bioeconomia.
Mão de obra
A formação da mão de obra é outro ponto considerado estratégico para a entrada em operação da fábrica. A Arauco mantém iniciativas de capacitação, a estratégia envolve tanto a contratação de profissionais com experiência quanto a formação de trabalhadores para atender às demandas da nova unidade.
Segundo Militão, apesar dos desafios relacionados à construção da fábrica, à formação da base florestal, à logística e à mão de obra, o projeto segue dentro dos marcos estabelecidos pela companhia.
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