Irã prepara proposta de navegação temporária pelo Estreito de Ormuz
O Irã deve apresentar nesta segunda-feira, 14, às nações do Golfo um acordo para estabelecer uma rota temporária de navegação pelo Estreito de Ormuz, em meio a uma ofensiva diplomática para reduzir as tensões na região. Segundo a Bloomberg, a proposta foi negociada entre Teerã e Omã e deverá ser formalmente apresentada.
Os detalhes do acordo, incluindo eventuais tarifas cobradas das embarcações, ainda deverão ser discutidos entre iranianos e omanitas. A informação foi divulgada por uma pessoa familiarizada com as negociações, que pediu anonimato por se tratar de deliberações privadas.
O entendimento entre Irã e Omã prevê uma via de navegação temporária, mas não significa uma reabertura completa do Estreito de Ormuz. Teerã ainda pretende manter o controle sobre quais embarcações poderão utilizar a passagem.
O estreito é considerado um ponto estratégico para o comércio global de energia. As conversas entre os dois países avançaram nas últimas semanas, enquanto Omã trabalha para reunir, na segunda-feira, ministros das Relações Exteriores do Conselho de Cooperação do Golfo em Salalah, no sul do país.
Ainda não está definido quais países participarão do possível encontro. O Bahrein já afirmou que não pretende participar, citando ataques recentes apoiados pelo Irã contra alvos no Golfo.
O que a diplomacia entre Irã e Emirados sinaliza
A movimentação diplomática ocorre após um encontro raro entre autoridades de alto escalão do Irã e dos Emirados Árabes Unidos. O príncipe herdeiro de Abu Dhabi, xeique Khaled bin Mohamed Al Nahyan, reuniu-se com o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, durante a cúpula do BRICS na Índia.
De acordo com a agência estatal dos Emirados Árabes Unidos, WAM, os dois defenderam a redução das tensões, a desescalada do conflito e o fortalecimento da estabilidade regional.
O ministro das Relações Exteriores do Irã, Abbas Araghchi, classificou a reunião proposta como um "evento importante" e uma oportunidade para aumentar a confiança. O conselheiro do presidente dos Emirados, Anwar Gargash, também afirmou na rede social X que Pezeshkian manteve posições "equilibradas e racionais" durante a crise.
Por que a situação em Ormuz preocupa os mercados
A possibilidade de normalizar a navegação pelo estreito ganhou importância em um momento de forte preocupação com o abastecimento global de energia.
O conflito, iniciado no fim de fevereiro com ataques dos Estados Unidos e de Israel contra o Irã, levou Teerã a adotar medidas para fechar o Estreito de Ormuz. Nos últimos dias, o petróleo Brent superou US$ 105 por barril, pressionado pelo aumento das tensões no Oriente Médio.
A alta dos combustíveis também se tornou uma questão política para o Partido Republicano de Donald Trump, a pouco mais de 50 dias das eleições de meio de mandato. No domingo, o presidente americano afirmou que o conflito poderia terminar "logo depois" ou "talvez antes" da votação e previu uma forte queda nos preços da gasolina quando isso acontecer.
Questionado sobre uma eventual reunião entre países do Golfo e o Irã, Trump disse que não se oporia ao encontro, desde que Israel e as demais nações envolvidas estivessem de acordo.
As tensões marítimas voltaram a aumentar no fim de semana. Estados Unidos e Irã haviam trocado ataques contra navios-tanque no Golfo Pérsico no início do mês.
No domingo, a agência britânica de Operações de Comércio Marítimo informou que um incêndio começou em uma embarcação atingida por um projétil no dia anterior. A televisão estatal iraniana IRIB também informou que um navio comercial foi alvo de um "ataque inimigo" próximo às ilhas iranianas de Qeshm e Hengam, deixando uma pessoa morta.
A escalada também afetou uma das principais alternativas ao Estreito de Ormuz para as exportações de petróleo da Arábia Saudita. A Saudi Aramco teve queda de quase 1,1% nas ações no domingo, para o menor nível desde março, depois que o reino interrompeu o funcionamento do oleoduto Leste-Oeste devido a ataques de drones atribuídos a militantes sediados no Iraque.
Como os Emirados Árabes Unidos se posicionam
Os Emirados Árabes Unidos estiveram entre os principais alvos do conflito e afirmam ter repelido milhares de projéteis lançados pelo Irã.
Abu Dhabi adotou uma postura dura em relação a Teerã durante a guerra e rompeu formalmente os laços econômicos com o país em agosto. Ao mesmo tempo, os Emirados defenderam uma saída política para a crise.
No mês passado, Gargash afirmou que a situação de "nem guerra nem paz" era insustentável e defendeu uma solução que permitisse retomar a navegação normal pelo Estreito de Ormuz.
Segundo o próprio Gargash, a reunião entre os líderes iraniano e emiradense na Índia representa a estratégia dos Emirados de combinar dissuasão e diplomacia: "A dissuasão fortalece a credibilidade da diplomacia, enquanto a diplomacia obtém êxito."
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