Suíça rejeita tornar mais rígida neutralidade do país

Os suíços rejeitaram este domingo por larga maioria uma iniciativa da direita nacionalista para endurecer a neutralidade do país, que impediria a adesão a alianças militares e a adoção de sanções económicas não decididas pelas Nações Unidas.
Segundo uma primeira projeção do instituto gfs.bern, divulgada 30 minutos após o encerramento das últimas assembleias de voto, 71% dos eleitores rejeitaram a proposta, promovida pela organização soberanista Pro Suisse e apoiada pela União Democrática do Centro (UDC, direita nacionalista).
A iniciativa em causa pretendia inscrever na Constituição uma neutralidade reforçada, excluindo qualquer aliança com uma organização militar e impedindo a Suíça de adotar sanções económicas contra outros países, exceto quando decididas pela ONU.
O resultado mostra que os suíços continuam ligados a uma política de neutralidade “que permite à Suíça adotar sanções e posicionar-se no mundo”, afirmou à televisão pública RTS a deputada socialista Laurence Fehlmann Rielle.
A neutralidade suíça, com vários séculos de História e consagrada na Constituição federal desde 1848, tem estado no centro do debate político desde que Berna acompanhou as sanções da União Europeia contra Moscovo após a invasão russa da Ucrânia.
A questão ganhou também relevância com o primeiro mandato da Suíça como membro não permanente do Conselho de Segurança da ONU, em 2023 e 2024.
O debate opõe os defensores de uma neutralidade flexível, que permita ao país adaptar a sua política às circunstâncias, aos partidários de uma interpretação mais rigorosa.
“A neutralidade sempre foi utilizada com uma margem de manobra”, afirmou recentemente o ministro suíço dos Negócios Estrangeiros, Ignazio Cassis, defendendo que esta “não significa que a Suíça olhe para o lado quando há uma violação das regras internacionais”.
A Pro Suisse defende, pelo contrário, uma neutralidade “perpétua e armada”, posição apoiada pela UDC, a maior força política suíça e o único dos principais partidos a apoiar a iniciativa.
Moscovo, que acusa Berna de ter abandonado a neutralidade ao acompanhar as sanções europeias contra a Rússia, tinha saudado a proposta.
Os suíços rejeitaram também hoje, com 72% dos votos, segundo uma primeira projeção, uma segunda iniciativa popular destinada a aumentar a produção alimentar nacional e reduzir a dependência do estrangeiro.
A proposta pretendia elevar a autossuficiência alimentar para 70% no prazo de dez anos, contra 42% em 2024, objetivo considerado muito difícil ou mesmo impossível pelo Governo suíço.
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