Lula diz a aliados que sessão do STF foi um show de horrores e que vai procurar Fachin para conversa
O presidente Lula (PT) classificou como um show de horrores a sessão da terça-feira (15) em que, em meio a troca de ofensas entre magistrados, o STF (Supremo Tribunal Federal) acabou por suspender o debate sobre abertura de investigação contra Alexandre de Moraes no caso Master.
Ainda segundo seus aliados, Lula pretende procurar o presidente do tribunal, ministro Edson Fachin, na busca de alternativa capaz de reverter um adiamento prolongado da decisão.
O chefe do Executivo, de acordo com esses relatos, alimentava a expectativa de abertura de investigação já na terça, na esperança de que a crise interna na cúpula do Judiciário não contaminasse a reta final do primeiro turno das eleições.
Na avaliação de colaboradores do presidente, o adiamento perpetua uma briga na corte e ofusca um debate sobre as propostas dos candidatos para o país. Apoiadores de Lula argumentam que a crise tem beneficiado o candidato do PL, senador Flávio Bolsonaro, que empunha a crítica a Moraes como bandeira eleitoral.
Por isso, dizem os aliados, não faria sentido supor que Lula tenha exercido qualquer ingerência na suspensão do julgamento. Esse argumento não impede que adversários explorem o fato de a sessão ter sido suspensa após pedido de vista de Flávio Dino. A atuação direta de seu ex-ministro da Justiça no adiamento pode ser usada por opositores como prova de apoio do presidente a Moraes.
Essa é, ainda segundo aliados, uma das causas da frustração de Lula. De acordo com esses interlocutores, o presidente avalia que ministros alinhados a Moraes priorizaram a preservação do colega, num movimento corporativista, em detrimento da pacificação na Praça dos Três Poderes.
De acordo com os relatos, o presidente admitiu preocupação com a participação de Dino, Gilmar Mendes e até de seu ex-advogado, Cristiano Zanin, para o desfecho da sessão.
Um atenuante estaria na retirada parcial do sigilo sobre a rede de pagamentos do Banco Master e inquéritos. O acesso de ministros aos dados impediria, na opinião de petistas, um vazamento seletivo de informações por parte de Mendonça, relator do caso.
Em entrevista nesta quarta (16), o presidente disse que, com o conteúdo do celular de Daniel Vorcaro agora em poder de mais ministros do STF, será possível que a sociedade descubra "quem foi fazer suruba". Também disse que "gente famosa" agenciava mulheres, agindo como o "cafetão da turma". Ao canal Desce a Letra Show, no YouTube, Lula criticou a sessão do STF.
Segundo o presidente, a imagem do Judiciário não está boa e é preciso uma reforma no sistema de Justiça. "Acho que não tem como não discutir mais isso."
Na entrevista, Lula elogiou a atuação de Moraes em defesa da democracia. A declaração fez com que a equipe da campanha à reeleição se apressasse para explicar que essa não era uma expressão de apoio incondicional ao ministro do STF.
Coordenador da campanha de Lula em São Paulo, o advogado Marco Aurélio afirma que o presidente avalia que Moraes é criticado por bolsonaristas pelo que fez de correto —que foi a defesa da democracia— e não por eventual envolvimento com Vorcaro.
Marco Aurélio afirma que, na opinião de Lula, ninguém está acima da lei. A atuação de Moraes em defesa da democracia não lhe confere um direito extraordinário de não se explicar.
"É importante que o Alexandre se explique. Temos uma crise sem precedentes na história do nosso sistema de Justiça. E o Poder Judiciário tem que ter a dimensão da gravidade dessa crise", disse.
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O coordenador do grupo Prerrogativas afirma ainda que essa não é uma crise do Executivo e enfatiza o argumento de que o esquema do Master foi estruturado no governo Bolsonaro e desmontado por Lula.
Apesar desse discurso, o presidente tem manifestado, em suas conversas, preocupação com o desdobramento do caso e reflexos na sua candidatura à reeleição. Tanto que, na manhã de terça, procurou ao menos um ministro em busca de informações sobre o que esperar da sessão do STF. Em resposta, ouviu que era imprevisível.
A exposição pública, com transmissão televisiva, do racha na Suprema Corte se estendeu por mais de cinco horas de discursos —e um total de quase oito horas dedicadas ao tema, incluindo um intervalo para almoço.
Após ouvir críticas dos colegas à condução do processo e não conseguir chegar à votação do tema proposto, Fachin suspendeu a discussão após pedido de vista (mais tempo para análise) de Dino, que pode durar até 90 dias, com tendência de retomada apenas após as eleições.
A sessão foi marcada para avaliar um relatório da Polícia Federal que cita mensagens enviadas por Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, a Moraes.
O debate terminou por abordar também supostas irregularidades por parte de Mendonça na condução do caso Master, tema previsto para ser analisado em sessão do dia 23.
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