USS Lincoln: saúde mental é "prioridade", diz almirante

Após 250 dias no mar, com queixas de más condições a bordo e de falta de comida a acumularem-se, o mais alto responsável pelo esforço de guerra dos Estados Unidos no Médio Oriente, o almirante Brad Cooper, foi visitar o navio de guerra USS Lincoln, assumindo que a saúde mental é a “prioridade” na embarcação.
Os relatos têm sido alarmantes: estando deslocado há quase nove meses no mar (e arriscando-se por isso a tornar-se um navio recordista), o USS Lincoln chegou ao Médio Oriente em janeiro, para prestar apoio às forças norte-americanas na guerra com o Irão, e nunca voltou aos Estados Unidos nem fez nenhuma paragem em terra. As famílias dos marinheiros a bordo, assim como a imprensa norte-americana (como dava aqui conta a CNN), têm dado conta dos problemas de saúde mental que muitos têm enfrentado, incluindo ideias suicidas e tentativas desesperadas de saltar do navio.
Ora Brad Cooper foi visitar os marinheiros no sábado e assegurou que a embarcação tem “dos números mais baixos de problemas relacionados com saúde mental” nos onze porta-aviões atualmente destacados, embora assumindo que o trabalho dos marinheiros durante períodos longos “é duro e tem desafios únicos”, como cita a BBC.
“Há muito que acredito que a saúde mental é outro aspeto da saúde individual e que requer a nossa atenção tanto como a saúde física e espiritual”, disse o almirante num comunicado enviado às redações este domingo. “Aplaudo a liderança do Lincoln por se chegar à frente e fazer da resiliência da equipa e da saúde mental prioridades”.
A Marinha também já veio negar que exista uma crise de saúde mental a bordo, entre os seus 5 mil marinheiros. Mas a imprensa especializada nesta área refere más condições sanitárias, canalização estragada e falta de comida, assim como exaustão generalizada. Numa entrevista à BBC, um familiar de um marinheiro do Lincoln garantiu que este perdeu 29 quilos desde o início deste destacamento.
Um grupo de senadores democratas chamou a atenção para o problema, tendo enviado este sábado uma carta ao secretário da Defesa norte-americano, Peter Hegseth, em que criticava o longo destacamento e pedia respostas. Hegseth defendeu na semana passada que as condições em que os marinheiros estão a ser “totalmente falseadas”. Já Donald Trump disse, na sexta-feira, em resposta a perguntas dos jornalistas sobre se os marinheiros estariam há demasiado tempo no navio: “Nem de perto o tempo suficiente”.
Era suposto este destacamento terminar em maio, mas tem sido repetidamente prolongado, sem que os marinheiros tenham saído do navio e entrado nalgum porto há mais de 200 dias.
Este fim de semana, foi noticiado que o navio USS George Washington estará a caminho do Médio Oriente para substituir o USS Abraham Lincoln, podendo demorar mais uma semana a chegar ao seu destino. O porta-aviões George Bush também está destacado naquela região.
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