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Tuesday, August 25, 2026

Líder Supremo do Irã troca cargos e fortalece aliado para consolidar poder

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No início da década de 1980, quando o incipiente regime islâmico do Irã lutava pela sobrevivência em uma guerra contra o Iraque, Mohsen Rezaei ganhou notoriedade nas linhas de frente como um jovem e linha-dura comandante da recém-criada Guarda Revolucionária.

Enquanto outros líderes pressionavam por um acordo, Rezaei defendia que o Irã continuasse lutando —mesmo depois de recuperar o território tomado pelo ditador iraquiano Saddam Hussein. Teerã e Bagdá finalmente concordaram com um cessar-fogo em 1988, com os dois países exauridos pelo conflito.

Quase quatro décadas depois, Rezaei está novamente prestes a travar uma batalha existencial pela República Islâmica. Nomeado secretário do Conselho Supremo de Segurança Nacional do Irã, o linha-dura de 71 anos é agora, na prática, a principal autoridade de segurança do país —com voz decisiva na definição dos rumos da guerra contra os EUA.

A medida, que consolida sua posição como um dos principais homens de confiança do aiatolá Mojtaba Khamenei, ocorre no momento em que o regime endurece o discurso diante de uma iniciativa diplomática para reabrir o estreito de Hormuz e levar EUA e Irã de volta às negociações, deixando esses esforços à deriva.

Um dia antes do anúncio da nomeação de Rezaei, seu antecessor, Mohammad Bagher Zolghadr, apresentou uma série de condições que, segundo ele, os EUA deveriam cumprir antes que o Irã concordasse em reabrir o estreito.

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A lista incluía a exigência de que os EUA encerrassem permanentemente a guerra contra o Irã e seus aliados regionais, suspendessem o bloqueio naval aos portos iranianos e retirassem as forças americanas das proximidades do país persa. Ele também afirmou que os Washington deveria pagar uma indenização por esta guerra e pelo conflito de 12 dias entre Israel e EUA no ano passado, suspender as sanções e desbloquear os ativos iranianos mantidos no exterior.

Nenhuma razão foi apresentada para a saída repentina de Zolghadr, enquanto outros, entre eles o ministro das Relações Exteriores, Abbas Araghchi, faziam declarações semelhantes sobre condições e indenizações. Zolghadr, também linha-dura, recebeu um novo cargo como assessor político de Khamenei.

Mas analistas que tentavam interpretar as mudanças no opaco e complexo sistema teocrático iraniano as viram como um sinal de que Mojtaba —que se tornou líder supremo em março, dez dias depois de seu pai, Ali Khamenei, ter sido morto nos primeiros ataques da guerra entre EUA e Israel— estava consolidando seu poder.

Ferido naquele ataque, Mojtaba não foi visto nem ouvido em público desde o início da guerra, comunicando-se por meio de declarações escritas divulgadas de um local seguro desconhecido.

Depois, Mojtaba anunciou mais nomeações na área de segurança, incluindo a oficialização dos cargos de altos comandantes militares e da Guarda que assumiram suas funções após seus antecessores serem mortos durante a guerra. Analistas interpretaram a medida como mais um sinal de que Mojtaba imprimia sua marca no regime.

Ali Vaez, especialista em Irã do think tank Crisis Group, disse que a promoção de Rezaei indicava que Mojtaba buscava criar um contrapeso a Mohammad Bagher Ghalibaf, presidente do Parlamento que liderou negociações anteriores com os EUA e se tornou um dos líderes civis mais influentes em tempos de guerra.

"Rezaei é membro da velha guarda e mentor de Mojtaba Khamenei. Creio que Mojtaba confia mais nele do que em Zolghadr, que é mais próximo de Ghalibaf", disse Vaez. "Se há algo que Mojtaba aprendeu com o pai, é que, independentemente do quanto se confie nas pessoas do círculo íntimo, ninguém deve acumular poder suficiente para ofuscar o líder supremo."

Dentro do Irã, a mensagem oficial era de que a experiência de Rezaei fortaleceria o processo decisório em múltiplas instâncias da República enquanto o país enfrenta a crise.

Além dos 16 anos como comandante da Guarda, período em que supervisionou sua transformação de uma milícia na força militar mais poderosa da República Islâmica, Rezaei ocupou cargos nos quais ajudou a formular políticas macroeconômicas e mudanças políticas. Também concorreu várias vezes, sem sucesso, à Presidência.

Analistas afirmam não esperar nenhuma mudança significativa na política em relação aos EUA ou nas negociações para pôr fim à guerra, marcada pela profunda desconfiança de Teerã em relação ao presidente Donald Trump e pela convicção do regime de que está em posição de vantagem.

Os líderes iranianos relutam em reabrir Hormuz, sua principal fonte de poder de barganha, sem obter garantias de que os EUA cumprirão seus compromissos em qualquer acordo, dizem analistas.

Mas o presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, que também preside o Conselho de Segurança, defendeu um acordo, afirmando que este era "o melhor momento para chegar a um entendimento, já que há coesão, força e unidade no país".

No entanto, considera-se que o político reformista e os integrantes de seu governo que temem as graves consequências econômicas da guerra e estão mais dispostos a buscar um acordo têm menos influência do que os comandantes militares e os líderes mais linha-dura.

Rezaei, que era assessor militar de Mojtaba, vem expressando ceticismo em relação às conversas com os EUA desde que as partes em conflito concordaram pela primeira vez com um cessar-fogo em 8 de abril. Uma semana depois da trégua, afirmou que qualquer prorrogação do cessar-fogo não era de seu interesse.

"Esta é minha opinião pessoal. Cabe às autoridades decidir sobre isso, mas sou absolutamente contrário à continuidade do cessar-fogo", disse. "Um cessar-fogo só deve ocorrer depois que todos os acordos tiverem sido fechados."

Depois que um memorando de entendimento assinado por EUA e Irã em junho fracassou, ele culpou Washington por violar o acordo provisório.

O memorando pretendia prorrogar a trégua de abril por 60 dias, reabrir gradualmente o estreito e estabelecer as bases para conversas sobre um acordo definitivo, incluindo um entendimento sobre o programa nuclear iraniano.

Mas o acordo desmoronou depois que o Irã atacou navios que utilizavam o que Teerã classificou como um canal "não autorizado" ao longo da costa de Omã. Os ataques desencadearam uma onda crescente de retaliações entre os EUA e o Irã.

Teerã então manteve conversas com Mascate para chegar a um acordo sobre uma rota temporária pela via marítima, medida que diplomatas esperavam que resolvesse o impasse e permitisse a retomada do memorando. Neste mês, diplomatas iranianos disseram estar próximos das etapas finais de um acordo com Omã para administrar o estreito, mas fizeram questão de afirmar que isso era algo distinto de sua reabertura e que nenhum acordo havia sido selado.

Rezaei disse na semana passada que os esforços diplomáticos com o governo Trump deveriam continuar; "mas os EUA precisam mudar de comportamento para provar que levam a diplomacia a sério", afirmou ele também.

Ele havia acusado anteriormente os EUA de violar o memorando ao não interromper os ataques israelenses contra os militantes libaneses do Hezbollah e ao manter congelados os ativos iranianos.

Analistas dizem que isso toca no cerne das condições de Teerã: o temor de que, caso o Irã abra o estreito, os EUA não cumpram sua parte no acordo e Trump possa lançar uma nova rodada de ataques após as eleições legislativas de meio de mandato nos EUA, em novembro.

A maioria das condições estabelecidas pelo Irã, incluindo a retirada das forças americanas das proximidades da República e a suspensão de todas as sanções, está listada no memorando. Mas elas dependem de um acordo definitivo, que envolveria negociações complexas e demoradas entre dois adversários que nutrem profunda desconfiança mútua.

"A República Islâmica percebeu que, se ceder agora, poderá perder o controle do estreito, e então Teerã não terá mais nada para usar como poder de barganha contra Washington", disse Sayed Laylez, analista iraniano. "É por isso que eles estão tentando obter concessões dos EUA."

Na segunda-feira, Trump rebateu no Truth Social dizendo que os EUA responderiam à exigência iraniana de reparações "exigindo, da mesma forma, uma indenização do Irã por todas as pessoas que eles mataram e feriram gravemente".

Para a geração de Rezaei, as experiências e as cicatrizes da guerra Irã-Iraque ainda têm grande peso. Quando finalmente se chegou a um cessar-fogo com Saddam, isso ocorreu depois que Rezaei apresentou à liderança iraniana uma avaliação sombria das necessidades militares para que o país continuasse lutando, recursos de que a República não dispunha.

Para os EUA, sua nomeação para a área de segurança é um sinal de que as negociações ficarão mais difíceis, disse Mehrzad Boroujerdi, acadêmico iraniano-americano da Universidade de Ciência e Tecnologia do Missouri.

"É um sinal de que ‘não esperem nenhum tipo de concessão de nossa parte ou, se fizermos concessões, queremos algo de valor equivalente dos EUA’", disse Boroujerdi. "Não é um único homem quem dá as cartas. Há alguns pesos-pesados de verdade sentados ao lado dele naquele conselho, mas esses sujeitos [os linha-dura] terão a vantagem."

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