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Sunday, October 25, 2026

Como são os bastidores de "A Caça ao Estripador de Lisboa"?

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A partir daqui, este espetáculo tem muitos caminhos. Cabe ao público decidir qual. À esquerda, uma corda tem um sutiã e uns collants pendurados. Num dos pilares onde está presa, uma folha A4 afixada com fita cola indica “fachada rua (com projeção)”. É aqui que as imagens de Lisboa de 1992 estarão a passar repetidamente. Logo a seguir está estacionado um Renault 5, creme, e há outro na extremidade oposta do espaço. Segue-se o quarto de uma pensão. Tem uma cama com almofadas vermelhas e colcha verde, uma cadeira de papa, um sofá com peluches, uma televisão, uma cómoda com maquilhagem e um baú. Maria Fernanda, a segunda vítima, estará muitas vezes aqui, de olhar vazio.

Há cenários que não são mais do que pequenos retângulos, como o gabinete da psicóloga ou a sala de interrogatório. Uma mesa, duas cadeiras, um gravador, um cinzeiro e um telefone são suficientes para situar a ação. A luz e os vários intervenientes que por aqui passam fazem o resto.

Há um barracão e, na sala da médica legista, estão um corpo tapado por um lençol branco, móveis, microscópio e recipientes da época. Praticamente tudo aqui foi repescado aos anos 90. “O cenário da médica legista tem utensílios antigos e os carros são autênticas relíquias. Um deles ainda trabalha, foi conduzido até aqui. Veio a andar até aqui. A tombola [do Bingo, onde decorre uma das cenas] ainda está presa na alfândega, mas é original”, diz Julieta Chaves, uma das produtoras.

Segue-se a redação do jornalista, com máquina de escrever e fotos dos casos em cima da mesa e, antes de chegar a um segundo barracão, há uma zona que tem as horas contadas. Aqui ainda convivem manequins, colchões, tintas, uma ventoinha e malas de viagem, à espera de serem distribuídos pelas respectivas casas. Noutro ponto deste imenso open space, uma árvore está à espera de ser terminada. Para já, os três galhos e o tronco são apenas esferovite, mas no chão há meia dúzia de sacos de terra que em breve tornarão tudo realista.

Na sala da PJ há quatro secretárias, estantes com dossiers, telefones, faxes e máquinas de escrever. Aqui é sempre possível perceber em que ponto está a investigação. Ainda assim, garante Simão Biernat, encenador, “há o cuidado de que todas as cenas em simultâneo possam transmitir o mesmo para que as pessoas não percam informação”.

Em certos momentos fulcrais, tudo converge para uma só cena, que acontece muitas vezes num palco central, circular, mesmo no meio do espaço. A iluminação dos diversos pontos e o som vão ser os grandes guias do público, mas ninguém vai perder o que é realmente essencial para perceber o desenrolar da história. “Nos carros haverá cenas de grande tensão, mas elas acontecerão nos dois veículos em simultâneo para que, se estiverem 30 pessoas aqui e 50 ali, todas possam ver”, explica Julieta.

Ainda assim, haver várias perceções também é um dos objetivos deste espetáculo imersivo. “Claro que, se viermos ver duas ou três vezes, vamos sempre ver coisas diferentes, também é essa a ideia. Se vierem em grupo, uns seguem uma coisa, outros seguem outra e, no final, também têm ideias diferentes para trocar. Essa parte também me interessa muito”, clarifica ao Observador Simão Biernat.

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