CNN TürkMevduat faizi düşecek, kredi faizi ne olacak?ESPNTransfer rumors, news: Como's Paz destroyed Man United, now they want to sign himPunchLa Liga: El Clásico always 50-50, says CourtoisThe Jerusalem PostFive wounded in shooting attack near Hebron, IDF kills two terroristsRTP DesportoLiga Conferência. Braga bate Gent por 2-0 e soma três pontosBollywood HungamaMadhur Bhandarkar announces Syama – The Missing Chapter on Dr. Syama Prasad MukherjeeUOLA Revolução Húngara e a luta pela liberdadeSky TG24Emilia Clarke compie 40 anni, i suoi ruoli più famosi fra film e serie tv. FOTOZDF heuteAktuelle Pressemitteilungen des ZDFRMF24Nowojorscy radni kończą ze 160-letnią tradycją. Trump „zasmucony”Het Laatste NieuwsDag van de Jeugdbeweging viert 257.354 leden met ontbijt, optredens en spelletjes over heel VlaanderenBBC عربينتنياهو يلغي كل أنشطته الانتخابية عقب إطلاق النار على حاجز عسكري في الضفة الغربية
The Daily Newsstand · Free, Always
Friday, October 23, 2026

Movimento fundado por Seguro defende apoio público aos media

Translate

Apoiar o jornalismo com dinheiro público, mas sem dar ao poder político capacidade de interferir nas redações. Esta é uma das principais propostas que o UPortugal quer estudar, depois da sua primeira conferência, realizada este mês com a presença de António José Seguro. O movimento nasceu na órbita da candidatura presidencial de Seguro e procura agora contribuir para o debate sobre inteligência artificial e o futuro dos media.

Nas conclusões da conferência anual, a que o Observador teve acesso, o movimento fala na fragilidade económica nas empresas de comunicação social e diz que isso tem “consequências democráticas que justificam políticas públicas de apoio.” Mas sublinha, ao mesmo tempo, que deve tratar-se de apoios que preservem a autonomia das redações perante o Estado ou outros financiadores.

Para que isso seja possível, o UPortugal defende que os apoios sejam atribuídos por uma entidade independente do Governo e dos beneficiários, segundo critérios objetivos e previamente divulgados. Propõe também transparência sobre os montantes e os fundamentos das decisões e auditorias regulares. O financiamento, defende ainda, deve preservar o pluralismo territorial, editorial e empresarial, sem interferência nas decisões ou estruturas editoriais nem “apreciação política dos conteúdos”.

“Os instrumentos de apoio podem abranger emprego, formação, inovação, assinaturas, distribuição e projetos jornalísticos de interesse público. A diversidade de modalidades deve responder às necessidades do setor e reduzir dependências, sem privilegiar alinhamentos editoriais“, detalha o movimento nas suas conclusões.

A conferência debateu também a inteligência artificial, cuja utilização, defende o movimento, “deve demonstrar utilidade, qualidade e segurança, respeitar os direitos fundamentais e manter formas claras de supervisão e responsabilidade humana“. O foco principal é que a utilização da IA pelo Estado seja avaliada na perspetiva da melhoria dos recursos e não apenas pela redução de custo que pode proporcionar. É nesse sentido que o movimento recomenda a avaliação prévia dos sistemas, a fiscalização dos operadores e a supervisão humana, bem como informação clara sobre a utilização de IA ou a proteção de dados. E exige que os fornecedores do serviço tenham de fazer prova das capacidades técnicas, testes independentes e fiscalizar sistemas ao longo do tempo para corrigir falhas.

Já quanto ao jornalismo, a associação defende o reforço das redações, a estabilidade profissional e a formação como condições para “investigar, verificar e informar com independência”. O principal alerta vai para as redações reduzidas, a precariedade e a sobrecarga de trabalho e como tudo isso pode trazer constrangimentos para a capacidade de “investigar e verificar.” Recomenda, por isso, apoios à criação de emprego, formação contínua para valorizar carreiras ou o reforço da investigação jornalística e da verificação de factos. No combate à desinformação, propõe ainda “maior transparência dos algoritmos de recomendação, identificação clara de conteúdos gerados ou manipulados por IA e melhores condições de acesso a informação verificada e contextualizada.” Com a ressalva de que estas medidas devem preservar o “pluralismo e a liberdade de expressão”.

Na conferência, que se realizou a 10 de outubro, no Instituto Superior de Ciências Sociais e Políticas da Universidade de Lisboa, estiveram representantes da academia (os professores Paulo Martins e Goreti Marreiros, que também é presidente da Associação Portuguesa para a Inteligência Artificial), do jornalismo (Miguel Carvalho e Inês Cardoso), da regulação dos media (Telmo Gonçalves), do setor tecnológico (Francisco Goiana da Silva, da Sword Health) e das instituições europeias (Alfredo Sousa de Jesus, chefe do gabinete do Parlamento Europeu em Portugal). A ideia do movimento é manter-se afastado do universo partidário, privilegiando o debate com especialistas dos setores.

Em três painéis, debateram-se os “desafios e oportunidades” da Inteligência Artificial, a sua influência no futuro do jornalismo e a comunicação social em Portugal, bem como o problema da desinformação. O objetivo foi promover a discussão pública, com as conclusões a traçarem três prioridades: promover a utilização responsável da inteligência artificial; valorizar o jornalismo; criar um modelo independente de apoio aos media.

A próxima iniciativa vai partir do trabalho feito até aqui e destas três prioridades, com novos painéis de especialistas dedicados a cada uma delas, em sessões que a organização espera pôr em marcha até ao final deste ano ou no início do próximo. O objetivo é que dessa reflexão possam resultar, mais tarde, propostas de política pública nestas áreas. A intenção é que possam ser aproveitadas para promover a discussão pública e não apresentadas diretamente aos partidos, mantendo-se sempre à margem desse universo.

A independência partidária é uma das marcas que o UPortugal tem reivindicado, embora a sua história esteja ligada ao percurso político mais recente de António José Seguro. Quando criou o movimento, em janeiro de 2025, Seguro negou que estivesse a preparar uma estrutura de apoio a uma candidatura presidencial. Um ano depois, foi candidato e eleito Presidente da República. A liderança da associação passou entretanto para Paulo Lopes da Silva, que dirigiu a sua campanha presidencial e é também deputado do PS.

O movimento que nasceu com os objetivos de “reforço da participação democrática dos cidadãos” e de “promoção de uma sociedade justa, livre e progressista” ficou, assim, noutras mãos — mas próximas das de Seguro e no seu círculo de confiança.

View the original on Observador Desporto →

KioskNews shows a cleaned-up reading view extracted from the publisher’s page — the original always lives on their site, not ours.