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Saturday, October 3, 2026

Os seis livros na disputa do The Booker Prize 2026

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A organização do The Booker Prize 2026 revelou a lista dos seis romances finalistas que disputam o troféu deste ano, considerado um dos reconhecimentos mais prestigiados da literatura em língua inglesa.

A seleção contempla narrativas de mistério pós-apocalíptico, sátiras do ambiente universitário, dramas familiares e resgates históricos. Nenhuma das obras conta com edição em português no Brasil até o momento, mas todos os títulos já circulam em linha inglesa, em sites como Amazon, na versão digital. 

Presidido pela historiadora britânica Mary Beard, o júri destacou a habilidade dos autores em desafiar certezas por meio de narrativas que transitam do humor ao desconforto. Conheça os finalistas:

Os finalistas do The Booker Prize 2026

The End of Everything, de M. John Harrison

O britânico M. John Harrison garante sua vaga na lista com The End of Everything. A trama acompanha Phillip Tennent, um homem que ganha a vida na linha da maré ao recolher artefatos que chegam à costa do Canal da Mancha. O cenário reflete as consequências de uma crise antiga cujos detalhes permanecem obscuros para a população.

A rotina de Phillip muda quando ele retira da água um objeto mutável. A necessidade de transportar a criatura para o interior do país coloca em risco todas as certezas do protagonista sobre a realidade em que vive.

The Disappearers, de Marlon James

Vencedor do prêmio em 2015, o jamaicano Marlon James retorna ao grupo de finalistas com The Disappearers. O romance se passa em Kingston, em 1988, onde oito homens iniciam os ensaios para uma peça de teatro. A despeito das origens distintas, o grupo compartilha a mesma realidade de vulnerabilidade pelo fato de todos serem homossexuais em uma sociedade intolerante.

A agressão violenta promovida por um grupo de extremistas resulta na morte de uma das personagens e marca a trajetória dos sobreviventes. A obra analisa a fase de recuperação física e emocional de cada homem diante do ódio e da busca por vingança nas décadas de 1980 e 1990.

Black Bag, de Luke Kennard

Em Black Bag, o autor Luke Kennard estrutura uma sátira universitária sobre os dilemas da masculinidade contemporânea. A história começa quando um ator desempregado aceita o convite para trabalhar em um experimento psicológico idealizado por um professor acadêmico.

O papel do funcionário consiste em permanecer fechado dentro de um saco preto no fundo de uma sala de aula ao longo das palestras do semestre. A situação gera desdobramentos imprevisíveis, que incluem o interesse de uma pesquisadora de pós-humanismo e a tentativa de monetizar o experimento por parte do colega de quarto do protagonista.

May We Feed the King, de Rebecca Perry

A poetisa e romancista Rebecca Perry figura entre as finalistas com May We Feed the King. O enredo estabelece uma ponte temporal entre a vida de uma curadora de prédios históricos no presente e a rotina de um jovem monarca do passado.

Enquanto a profissional se dedica a restaurar aposentos medievais para fugir dos próprios dilemas pessoais, a narrativa resgata a trajetória de um rei relutante que assume o trono após a morte dos irmãos. As conspirações da corte e a dúvida sobre a capacidade de gestão do governante colocam o futuro do reino em risco.

The Things We Never Say, de Elizabeth Strout

A norte-americana Elizabeth Strout concorre com The Things We Never Say. A autora foca a narrativa no cotidiano de Artie Dam, um professor de história do ensino médio que mantém uma rotina aparentemente estável ao lado da esposa, com passeios de barco nos fins de semana e convívio comunitário em Massachusetts.

Por trás da fachada de tranquilidade, o protagonista carrega um isolamento constante e passa os dias com questionamentos sobre o desconhecimento mútuo entre as pessoas. A descoberta de um segredo guardado há décadas altera o rumo do personagem e exige a reavaliação de suas relações familiares.

John of John, de Douglas Stuart

Vencedor do Booker Prize em 2020 com Shuggie Bain, o escocês Douglas Stuart fecha a lista com o romance John of John. A obra retrata o retorno de John-Calum Macleod para a ilha de Harris após o término de seus estudos na escola de arte em Glasgow.

De volta ao ambiente rural da infância, o jovem se vê dividido entre a figura rígida do pai, um fazendeiro e tecelão devoto da igreja presbiteriana, e a presença da avó. A passagem das estações acentua o choque entre as expectativas da família tradicional e os anseios do rapaz, colocando em evidência as tensões de uma comunidade isolada pelo vento e pelas tradições religiosas.

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