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Thursday, September 17, 2026

Para salvar o planeta pomos os mais pobres a revirar o lixo?

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Esta transcrição foi gerada automaticamente por Inteligência Artificial e pode conter erros ou imprecisões.

Começa agora uma nova edição do Bom, o Mau e o Vilão. Olá, Miguel Pinheiro, bom dia.

Bom dia.

Olá, Miguel. O teu bom é o governo.

Sim, porque vai mudar a legislação para permitir às autarquias travarem a criação das chamadas lojas de fachada, que são muitas vezes usadas ou no auxílio à imigração ilegal, ou no tráfico de seres humanos. Obviamente, o princípio geral deve ser o da facilidade na abertura de lojas, por exemplo. O Estado deve intrometer-se o menos possível e devemos acabar com o máximo de burocracia que conseguirmos. Não faz sentido uma pessoa para abrir uma loja ter de andar não sei quantos meses de um guichê para o outro, mas naturalmente há exceções. E qualquer pessoa que ande na rua percebe que há lojas que não têm qualquer capacidade de gerar retorno económico, a não ser que estejam ligadas a alguma coisa que não se vê. E como ninguém abre uma loja de rua para perder dinheiro, a motivação só pode ser outra. E nesses casos, o Estado não pode comportar-se como se não fosse nada com ele. Não, tem que ir fiscalizar, como é evidente. Por acaso é à vontadinha, não é? Ora, grande resumo. É isso mesmo.

Miguel, o teu mal tem um amigo que o admira.

Admira muitíssimo. O mau é José Sócrates, o amigo, claro, com certeza, Carlos Santos Silva, mas já lá vamos. O ex-primeiro-ministro arguido continuou a falar em tribunal. Ontem respondeu também a perguntas da juíza e tivemos direito a grandes tiradas, que eu acho que ficarão nos anais da justiça portuguesa. Sócrates disse, por exemplo: "A minha mãe foi herdeira de três fortunas consideráveis, a do meu pai, do meu tio e da minha tia-avó." Três fortunas. Quem nunca quis ser herdeiro de três fortunas consideráveis? E depois, quando a juíza questionou aquilo que disse ser a proximidade umbilical entre ele e Carlos Santos Silva, Sócrates respondeu, vou citá-lo: "Ele é que tinha vontade de me ajudar. É uma relação fraterna aquela que temos." E depois: "Mandou comprar o livro que escrevi, queria ajudar-me em tudo o que podia." Aqui estamos a falar de quando foram comprados milhares e milhares de livros que José Sócrates editou. E depois, finalmente, disse: "Olhava pra mim com grande admiração. Hesitei em usar esta expressão, mas essa expressão veio-me ao espírito. Ao contrário do que muita gente julga, há muita gente que tem admiração por mim", disse José Sócrates. E eu devo confessar que também tenho uma grande admiração por ele, tenho uma grande admiração pelo sentido de showbiz de José Sócrates. Acho que é um sentido muito apurado. Bravo! Olha, bravo, bis! Como se diz na ópera. E também se nota que ele próprio tem uma grande admiração por ele, não é? Certo, mas eu acho que o país já tinha algumas pistas de que isso talvez fosse possível.

Quem é o teu vilão, Miguel?

Olha, é a ministra do Ambiente. O presidente da Câmara de Lisboa criticou o programa Volta, porque, segundo ele, está a criar uma pressão enorme na higiene urbana. Há pessoas com garrafas às costas, há pessoas a entrar dentro dos caixotes do lixo. Diz Carlos Moedas que é um drama social nunca visto. E a ministra Graça Carvalho respondeu-lhe, mas com argumentos que me parecem fracos. Primeiro, disse que somos obrigados a ter o Volta por imposição da União Europeia. É o derradeiro refúgio dos políticos. A culpa é de Bruxelas. Eles é que nos obrigam a fazer estas coisas. Bem, seguramente a União Europeia não nos obriga a ter pessoas nas ruas à caça de garrafas de plástico. Imagino que o que seja importante para Bruxelas é metas de reciclagem. Nem sequer será propriamente o método, a forma concreta como as coisas são feitas. Mas enfim, a culpa é de Bruxelas. Depois a ministra afirmou que outros países europeus que implementaram o sistema, um sistema parecido com este, têm conseguido resolver problemas semelhantes a este. Ora, se o governo já sabia que estes problemas tinham surgido noutros países e se já sabia que havia soluções para eles, então, se calhar, deveria ter aplicado o Volta de forma mais competente, em vez de ter estado a repetir os erros dos outros. Parece-me. Por fim, Graça Carvalho argumentou da seguinte forma, eu até vou citar: "O drama social é independente do Volta. É um drama social que está relacionado com a pobreza, com os sem-abrigo, que vão buscar alguma forma de ter algum rendimento utilizando estas garrafas." Tem toda a razão. Mas, na verdade, há aqui dois dramas. O drama social é a pobreza. O drama político é um governo criar um sistema que quer salvar o planeta, pondo os mais pobres a revirar caixotes do lixo pra conseguirem ganhar uns cêntimos. E o drama político pode ser resolvido já pelo governo. O drama social, se calhar, também. Se calhar, então o governo tem que chegar à conclusão de que temos um país bem mais pobre do que nos andavam a dizer. Vês? Para cada solução, há um problema novo, não é? É, mas enfim, os governos, quando pelos vistos se destapa um problema que não era evidente pra toda gente, então vamos agir. Realmente, há aqui um drama social. De facto, há.

Vamos ao resumo. O bom desta quinta-feira é o governo, o mau é José Sócrates e o vilão de hoje é a ministra do Ambiente. São as escolhas do Miguel Pinheiro. Nas manhãs, presente e sempre em podcast.

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