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Tuesday, November 3, 2026

Das portas fechadas aos 60 anos à meta de faturar R$ 1 milhão em 2027

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“Depois dos 60 anos, vi as portas do mercado de trabalho se fecharem”, disse José Maila, sócio-proprietário da Ilha do Pão de Mel, durante o evento Longevidade & Wellness, promovido pela EXAME e realizado na última terça-feira, 27, em São Paulo.

Criada em 2025 em Ilha Solteira, município do interior paulista com pouco mais de 25 mil habitantes, a marca produz hoje cerca de 10 mil produtos e fatura aproximadamente R$ 300 mil por ano.

A meta é alcançar R$ 1 milhão em 2027 e seguir crescendo. “Já estamos sendo abordados por alguns grupos de investidores.”

Formado em administração de empresas, com MBA em gestão empresarial pela FGV, tem mais de 30 anos de trajetória profissional. Foi diretor de uma distribuidora de alimentos, especializou-se na gestão de shopping centers e atuou na prevenção de perdas no varejo supermercadista.

Agora, aplica essa experiência à gestão do próprio negócio. Essa bagagem, porém, não o poupou dos reveses do caminho.

A decisão de empreender veio em meio às dificuldades de encontrar boas oportunidades no mundo corporativo e ao desejo de ficar mais perto da família, após passar muito tempo longe. Aos 63, em 2023, reuniu a esposa, o filho e a nora para abrir a Jule Confeitaria, dedicada à produção de bolos, doces para festas, sobremesas geladas e pães de mel.

Para começar, precisou resolver uma questão importante: os quatro estavam com restrições de crédito. A saída foi regularizar a situação de um deles para formalizar a atividade como microempreendedor individual, com orientação do Sebrae.

Malia também recorreu a cursos da instituição e a um financiamento para comprar os primeiros equipamentos. “Foi uma época de muita dedicação, na qual fazia de tudo para sobreviver”, lembrou.

Da queda ao crescimento

Cerca de seis meses depois da abertura, falhas de planejamento quase levaram a confeitaria à falência. “Uma coisa é gerir o negócio de terceiros, outra é criar e administrar o seu empreendimento”, afirmou.

Mas, em pouco tempo, o jogo virou. Na Páscoa, as vendas chegaram a quase R$ 100 mil, com a produção em uma cozinha de 30 metros quadrados.

Em 2025, como reflexo dos bons resultados, a empresa participou da Feira do Empreendedor do Sebrae, abrindo uma nova perspectiva. Foi lá que Malia conheceu Caito Maia, fundador da Chilli Beans, que sugeriu a criação de uma marca dedicada ao pão de mel.

A família já havia identificado naquele no produto maior potencial para ampliar a escala da operação. “Vendemos uma unidade a cada 45 segundos naquele dia”, contou.

Além disso, decidiu atender o segmento B2C. “O evento reforçou a percepção de que havia espaço para vender fora da cidade.”

Aprender aos 63

Abrir uma operação e prepará-la para crescer exige reconhecer que a experiência não oferece todas as respostas, de acordo com Malia. “O maior desafio é entender que não sabemos de tudo”, afirmou.

A humildade de perguntar e a disposição de seguir aprendendo são pontos fundamentais. Aos 58 anos, por exemplo, ele decidiu fazer um MBA por sentir que precisava se aperfeiçoar. A experiência também mudou sua percepção sobre a relação entre gerações.

Para o empreendedor, a maturidade precisa se somar à força e à capacidade de inovação dos mais jovens.

Ao olhar para trás, Maila relatou que a dificuldade de encontrar espaço nas companhias teve um impacto que foi além da renda.

“É doloroso não se sentir mais útil para um mercado para o qual você trabalhou durante décadas.” Segundo ele, lidar com essa perda exige disposição para buscar outras alternativas, mesmo com receio de fracassar. E deixou um conselho: “O medo vai surgir, mas vale continuar e acordar todo dia com a gana de construir algo. Você percebe que, sim, é possível — você tem vitalidade para isso.”

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