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Wednesday, September 16, 2026

‘The Weight’ não é uma homenagem perfeita aos filmes dos anos 70 — mas chega perto

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Ethan Hawke incorpora um estilo rústico à la Charles Bronson neste filme de sobrevivência cuja trama envolve presidiários, ouro e uma natureza furiosa

David Fear

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Ethan Hawke e Austin Amelio em 'The Weight'
Ethan Hawke e Austin Amelio em 'The Weight' (Foto: Reprodução/TMDB)

A situação estava difícil para todos em 1933. Para Samuel Murphy (Ethan Hawke), a vida é especialmente dura. Viúvo e pai de uma menina pequena (Avy Berry), ele tenta encontrar um emprego estável. Murphy é um gênio dos carros — tanto consertando-os quanto dirigindo em alta velocidade —, mas essas habilidades valem pouco quando a Grande Depressão ameaça transformar Eugene, Oregon, em uma cidade fantasma. Eles acabaram de ser despejados do apartamento; ao voltarem da igreja, encontram todos os seus pertences na escadaria. Estão com a moral quase destruída, mas, pelo menos, têm um ao outro.

Então, Murphy agride um policial que os importuna durante um mal-entendido, e acaba sendo preso. O pai dedicado promete reencontrar a filha e tirá-la do sistema de adoção o mais rápido possível. Ele é condenado a trabalhos forçados em um campo de detenção rural. Quebrando pedras sob o sol forte, Murphy acabou enfrentando a lei, e a lei venceu. Ele apenas mantém a cabeça baixa e conta as horas.

Por sorte — ou talvez azar —, o diretor do campo, um sujeito durão de sorriso dissimulado chamado Clancy (Russell Crowe), simpatiza com Murphy. O chefe propõe uma troca: uma grande quantidade de barras de ouro de um acampamento de mineração próximo está prestes a ser requisitada pelos agentes federais como recurso de emergência. Se o detento ajudar a transportar o carregamento do acampamento para um local seguro, longe dos olhos curiosos do governo, o diretor garantirá sua liberdade. Assim, Murphy poderá rever sua filha muito mais cedo. Tudo o que ele precisa fazer é reunir um grupo de homens confiáveis entre os prisioneiros e, sob a vigilância de dois guardas armados, transportar o ouro pela natureza selvagem do Oregon ao longo de seis dias. Não será fácil, diz Clancy. Spoiler: não é. Prepare-se para pontes perigosas, corredeiras turbulentas, caipiras de índole duvidosa e as boas e velhas traição, ganância corporativa e maldade humana.

A influência de Walter Hill é fortíssima em The Weight, um glorioso suspense de sobrevivência do diretor Padraic McKinley que coloca seu protagonista — e um elenco de atores coadjuvantes marcantes — em uma corrida contra o tempo e uma natureza furiosa. Ao longo da trama, é possível identificar várias referências ao cinema dos anos 70 — um pouco de Lutador de Rua (1975) aqui, um toque de Amargo Pesadelo (1972) ali, e muito de O Comboio do Medo (1977), de William Friedkin —, além de um vasto legado de faroestes, histórias de luta do homem contra a natureza e heróis durões.

Hawke mencionou Paul Newman e Rebeldia Indomável (1967) em entrevistas logo após a estreia do filme em Sundance, mas, na verdade, o ator evoca um tipo diferente de estrela da Era de Ouro e da Nova Hollywood. É como se ele tentasse fundir o Humphrey Bogart da época de O Tesouro de Sierra Madre (1948) com o Charles Bronson do início da carreira, criando um anti-herói estoico.

Hawke e McKinley trabalharam juntos na série The Good Lord BirdMcKinley foi produtor executivo, e este é seu primeiro longa-metragem como diretor —, que marcou o auge da capacidade de Hawke de entregar atuações intensas e magnéticas. Seu personagem, Murphy, é o oposto absoluto daquela interpretação frenética de John Brown; além disso, é um excelente acréscimo à trupe de homens de bem que acabam em má companhia e precisam aprender a jogar o jogo conforme a situação exige. Papéis fortes e silenciosos caem bem a Hawke; assim como seu colega Josh Brolin, ele deixou para trás a fase de galã e amadureceu, sendo capaz de convencer o público de que já passou por poucas e boas.

The Weight permite que Hawkee McKinley explorem o que parece ser um gosto compartilhado pelo cinema cru e moralmente ambíguo da década de 1970. É aquele tipo de filme em que se consegue sentir o cheiro do medo e da bebida barata saindo pelos poros dos personagens. Mas não se trata de um projeto de vaidade; o destaque é dividido entre o elenco, tanto em tempo de tela quanto em atuações marcantes.

Os companheiros de prisão de Murphy formam um grupo heterogêneo que inclui o gigante gentil interpretado por Lucas Lynggaard Tønnesen, o anarco-socialista vivido por Avi Nash, e Austin Amelio (de The Walking Dead) no papel daquilo que só podemos descrever como um cara “tipo Austin Amelio“: agitado, de olhar esquivo e com uma cara que pede um soco. Julia Jones (Terra Selvagem) aparece como uma mulher nativa que se junta ao bando, mostrando força e resiliência diante de obstáculos que vão desde rios turbulentos até homens furiosos. E, na pele do diretor da prisão — educado, porém ameaçador —, Crowe nos lembra mais uma vez por que sua imagem deveria ilustrar a definição de “vilão intimidador” no dicionário. A obsessão do personagem por beisebol também é um toque peculiar e interessante.

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